Alberto Ortega - Europa Press
MADRI 13 jun. (Portaltic/EP) -
Dado o rápido avanço das tecnologias disruptivas em nível global, o investimento em P&D, em infraestruturas renováveis e no desenvolvimento de talentos são posicionados como os principais desafios e oportunidades para promover a Espanha como uma potência digital, além da necessidade de promover a colaboração público-privada e garantir uma regulamentação ética para a IA.
Essas foram algumas das principais conclusões da mesa redonda "Espanha como potência digital", parte do segundo dia de "Tendências Globais 2025", um encontro organizado pela Câmara de Comércio dos Estados Unidos (AnChamSpain) em colaboração com a Europa Press, que debate o papel da Espanha como uma nova potência industrial, digital e energética.
Durante essa mesa redonda, moderada pela copresidente do Conselho Consultivo de IA das Nações Unidas, Carme Artigas, participaram o vice-presidente sênior e gerente geral para o Sul da Europa e América Latina da HPE, Alfredo Yepez; o CEO da SAS, Guilherme Reis; a vice-presidente e gerente geral da EMEA na Iron Mountain, Iwona Sikora; e o presidente do Google Iberia, Lino Cattaruzzi.
O painel discutiu como a IA e as tecnologias disruptivas estão remodelando o equilíbrio do poder global e as oportunidades econômicas, especificamente em relação à Espanha, e quais são os principais fatores a serem levados em conta para se tornar uma potência digital líder, capaz de competir em áreas como o desenvolvimento e a aplicação da IA no setor.
Lino Cattaruzzi falou nesse sentido, colocando em perspectiva a oportunidade de liderar no campo das novas tecnologias e destacou como o investimento em pesquisa e desenvolvimento nos "lugares certos" é crucial para "uma enorme vantagem competitiva".
Ele também considerou essencial o investimento em infraestrutura, referindo-se a setores-chave como cabos submarinos para garantir uma boa conectividade, o setor de energia e os data centers, que são "fundamentais para ter a capacidade de lidar com o poder da IA".
Cattaruzzi também apontou a necessidade de investir no desenvolvimento do talento espanhol, no treinamento e nas habilidades dos profissionais. "Acho que nós, como empresas líderes no ecossistema, temos que dar nossa contribuição", disse ele, referindo-se ao Google, dando como exemplo os programas liderados pela empresa de tecnologia com os quais pretende treinar um milhão de pessoas na Espanha, especialmente no campo da IA, até 2027.
Por sua vez, Sikora, da Iron Mountain, concordou com a importância de investir em P&D para alcançar a liderança digital, mas ressaltou que isso implica a necessidade de acessar mais capital e, no caso da Europa e da Espanha, "a profundidade do capital precisa mudar".
Como ele exemplificou, no caso das empresas europeias de inovação, houve ocasiões em que elas obtiveram financiamento de cerca de 180 milhões de euros para projetos que, nos Estados Unidos, obtêm financiamento de 1,8 bilhão de dólares.
Seguindo essa linha, com relação ao investimento em infraestrutura, Sikora também destacou a importância de realizar esses investimentos com foco em energia. Nesse caso, ele destacou o papel da Espanha, que tem "mais de 50% de energia renovável e energia nuclear".
VISIBILIDADE INTERNACIONAL E COLABORAÇÃO PÚBLICO-PRIVADA
Além de tudo isso, Reis também destacou que outro fator importante para promover a Espanha como uma potência digital é fazer parcerias com empresas globais de tecnologia, a fim de ter visibilidade do que está acontecendo no setor de tecnologia em nível internacional. "Vivemos em um ambiente de tecnologia de alta velocidade, e temos que estar na velocidade máxima, e uma ótima maneira de fazer isso é ter visibilidade", disse ele.
Reis também lembrou que as parcerias público-privadas "não são opcionais" para continuar a impulsionar os recursos digitais, mas são uma colaboração fundamental na qual as entidades do setor público devem implementar políticas setoriais "de forma responsável e ética" e "garantir que os cidadãos tenham acesso à tecnologia".
Esse ponto de vista também foi defendido por Yepez, que apontou que é necessário "forçar mais" essa colaboração, a fim de desenvolver o ecossistema de parceiros locais quando se trata de integrar sistemas e serviços para que a Espanha continue a adotar a IA.
A ESPANHA JÁ É UMA POTÊNCIA EM TRANSFORMAÇÃO DIGITAL
Por sua vez, Yepez também enfatizou que, do seu ponto de vista na HPE, a Espanha já é uma potência no poder da transformação digital, uma vez que, de acordo com pesquisas recentes do setor, ela se destaca como o quarto maior país em investimento estrangeiro direto. Isso, segundo ele, se deve à localização, ao talento e ao "forte indicador" que existe em nível de economia no país.
Um exemplo disso é a empresa de gerenciamento de dados Iron Mountain, que abriu recentemente um data center em Madri e que, conforme detalhado por seu gerente geral para a região EMEA, deve-se, em parte, à vantagem que a Espanha tem com a transformação e o acesso à energia, bem como aos recursos de conectividade que possui com a América Latina e o norte da África.
No entanto, os especialistas concordaram com a necessidade de as empresas espanholas "abraçarem a IA" e se adaptarem rapidamente para "aproveitar essa oportunidade transformadora", como uma estratégia para continuar a impulsionar sua posição como uma potência digital.
IMPACTO NO FUTURO DO TRABALHO: APRENDIZADO DE NOVAS HABILIDADES
Outro dos aspectos discutidos foi como a IA e as novas tecnologias influenciarão o futuro do trabalho, uma vez que se prevê a substituição total das habilidades automáticas e, portanto, dificuldades de acesso ao mercado de trabalho.
A esse respeito, Reis garantiu que serão criados novos empregos e, citando um artigo da Amazon Web Services (AWS), esclareceu que atualmente há 120.000 vagas abertas para IA, análise avançada e segurança cibernética na Espanha. Portanto, a questão é que os usuários "terão que adquirir novas habilidades para poder competir".
Para isso, ele mencionou várias iniciativas que estão sendo realizadas pelo SAS, que incluem cursos gratuitos de IA para clientes e funcionários, bem como programas de orientação e colaboração com universidades para "garantir que os alunos estejam prontos para o mundo real e que tenham seu lugar no setor de tecnologia".
Ele também pediu novamente a colaboração público-privada para garantir que os cidadãos "estejam prontos para estar nessa nova era da IA", educando as pessoas nessa nova tecnologia e garantindo que as novas gerações "aprendam e se adaptem mais rapidamente".
REGULAMENTAÇÃO ADEQUADA PARA GARANTIR UMA IA ÉTICA E RESPONSÁVEL
A regulamentação da IA tem sido outro fator importante no que diz respeito à mudança para um poder digital e, nesse sentido, os especialistas concordaram que isso é necessário, citando como exemplo a Espanha e sua rápida adoção da Lei de IA da União Europeia.
Nesse sentido, Yepez enfatizou que se trata de uma regulamentação necessária porque, se usada incorretamente, a IA pode representar "um grande risco para a sociedade e a população". Portanto, é necessário regulamentar para garantir o uso ético e responsável e, para isso, ele incentivou as empresas a incorporar em suas próprias estratégias os pontos associados a essa regulamentação nos países locais, bem como a criar um comitê de IA que garanta princípios como inclusão, foco humano e segurança.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático