CLÍNICA UNIVERSIDAD DE NAVARRA
MADRID 12 fev. (EUROPA PRESS) - A Clínica Universitária de Navarra colabora em uma pesquisa para o desenvolvimento de produtos derivados do surimi que sejam seguros e nutritivos para pacientes com alergia ao peixe, que é a quarta causa mais frequente de alergia alimentar nos primeiros anos de vida e afeta 12,2% das crianças menores de dois anos, uma porcentagem que se mantém entre os adultos.
O estudo, financiado pelo Ministério da Ciência, Inovação e Universidades, busca oferecer uma alternativa segura que possa ser consumida por pessoas com alergia à parvalbumina, uma proteína presente especialmente em peixes brancos com alta reatividade cruzada entre espécies, o que implica que seu tratamento seja a evitação.
“O problema é que sua eliminação prolongada obriga a modificar significativamente a dieta e pode ter um impacto nutricional negativo, já que o peixe fornece nutrientes essenciais difíceis de obter em quantidades equivalentes através de outros alimentos, como ácidos graxos ômega-3, proteínas de alta qualidade e determinadas vitaminas”, explicou a alergologista Laura Argiz, da Clínica Universidade de Navarra.
Sua abordagem requer acompanhamento em consulta por meio de testes cutâneos periódicos. Provocações sistemáticas com diferentes espécies de peixe poderiam refinar o diagnóstico, mas a gravidade das reações potenciais aconselha evitá-las. Como consequência, atualmente não existem alternativas seguras e sustentáveis para cobrir as necessidades nutricionais desses pacientes.
TÉCNICA DE CONSERVAÇÃO A partir disso, a pesquisa propõe o desenvolvimento de uma alternativa baseada no surimi, uma técnica de origem japonesa para a conservação do peixe que consiste no processamento de peixes brancos por meio de métodos industriais, nos quais os lombos são limpos e triturados até formar uma pasta.
Estudos anteriores, incluindo trabalhos do Conselho Superior de Investigação Científica (CSIC), demonstraram que, após esse processamento, a parvalbumina diminui e perde sua capacidade de gerar uma resposta imunológica adversa. Nesse sentido, observou-se que alguns pacientes toleram o atum enlatado, pois parece que o processo industrial diminui sua alergenicidade.
Com isso, a proteína é modificada, algo que não é conseguido com as técnicas de cozimento habituais no âmbito doméstico, uma vez que não atingem as condições necessárias de pressão e temperatura, o que explica a ausência de alternativas eficazes para o tratamento dessas alergias na prática clínica atual.
A alergologista María José Goikoetxea, da Clínica Universidade de Navarra, explicou que, a longo prazo, os pesquisadores propõem que o consumo dessa alternativa também possa atuar como imunomodulador, favorecendo a tolerância ao peixe.
“Essa abordagem se assemelha à imunoterapia já utilizada com outros alimentos, como o ovo, embora no caso do peixe ainda se encontre em fases iniciais”, precisou. Para poder realizar a pesquisa, a equipe está procurando participantes com mais de seis anos de idade e com diagnóstico de alergia à proteína parvalbumina, excluindo casos de reação alérgica ao anisakis. Os interessados podem entrar em contato com o Departamento de Alergologia da Clínica pelo e-mail 'estudiopescado@unav.es' ou pelo telefone 948255400.
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