MADRID 23 mar. (EUROPA PRESS) -
A aplicação da inteligência artificial, as terapias gênicas, a medicina de precisão e o avanço da oftalmologia ocular foram alguns dos temas mais destacados da 29ª edição do congresso da Sociedade Espanhola de Retina e Vítreo (SERV), que reuniu cerca de 1.300 participantes em Madri.
“A edição deste ano é a melhor da história da SERV devido ao altíssimo nível das mesas redondas, às apresentações de novas técnicas cirúrgicas e à abordagem de temas muito inovadores”, destacou o presidente da Sociedade Espanhola de Retina e Vítreo, Alfredo García Layana.
A aplicação da inteligência artificial ocupou, mais um ano, parte do programa do congresso, uma vez que a oftalmologia é uma especialidade baseada principalmente na análise de imagens. “A IA está nos ensinando a quantificar o que já estamos vendo, mas precisamos que ela vá além e nos diga o que não estamos vendo, que seja capaz de fazer prognósticos e faça o que a radiómica faz, que é a análise de marcadores que escapam ao olho humano”, assinalou Luis Arias, vice-presidente da SERV.
Os avanços que já puderam ser aplicados graças à IA e seu potencial ainda em desenvolvimento levaram a Sociedade Espanhola de Retina e Vítreo, a Fundação Retinaplus+ e a Roche Farma a criar prêmios cujo objetivo é dar visibilidade aos trabalhos que, utilizando esse tipo de tecnologia, contribuam para o avanço científico e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Para García Layana, é de “especial relevância” que exista uma categoria dedicada exclusivamente a comunicações relacionadas a trabalhos realizados com inteligência artificial: “Recebemos mais de 150 trabalhos enviados ao nosso congresso, e muitos deles incorporando técnicas de IA e, portanto, foram apresentados nesta primeira edição, o que demonstra que a IA está chegando com muita força à nossa prática clínica”.
A OCULÓMICA: UMA JANELA PARA A SAÚDE
Segundo os especialistas, a oculómica é uma ciência emergente que surgiu com força no campo da oftalmologia devido ao seu enorme potencial para estabelecer uma relação entre os olhos e a saúde geral do corpo. Derivada da combinação das palavras “oculo” (relacionado ao olho) e “ômica” (estudo integral de dados biológicos), essa técnica permite estudar o olho por meio de imagens multimodais para obter informações sobre possíveis doenças do organismo tão prevalentes quanto as cardiovasculares e as neurodegenerativas.
Diante desse potencial, para Arias, o debate também gira em torno de determinar “quem deve realizar essa prática, se o oftalmologista ou outros médicos, e quais responsabilidades eles podem ter caso, ao realizarem exames em busca de outras doenças no fundo do olho, deixem passar a presença de uma patologia”.
Da mesma forma, a SERV aponta que um dos grandes desafios enfrentados pelos especialistas continua sendo a enorme pressão assistencial. Com a possível chegada de sistemas e dispositivos de liberação lenta: “Enfrentamos desafios logísticos para encontrar vagas nas salas de cirurgia para implantá-los em agendas já muito saturadas com patologias muito prevalentes, como descolamentos de retina ou cataratas, que é a cirurgia mais realizada em nosso país e que ocupa grande parte das salas de cirurgia oftalmológicas. Portanto, o desafio é incorporar novas técnicas em um sistema tão saturado”, afirma García Layana.
Para os especialistas, trata-se de um desafio que requer o envolvimento e a vontade das instituições de saúde e das secretarias de Saúde para que apostem nesta especialidade, que tem um impacto direto na qualidade de vida das pessoas.
Por fim, outro dos temas abordados durante o congresso foi o sistema de liberação sustentada de medicamentos: “Este ano, é possível que tenhamos aprovado pela Agência Europeia um sistema que já existe nos Estados Unidos há alguns anos e que permite tratar doenças que atualmente tratamos com injeções periódicas a cada dois, três ou quatro meses e que, provavelmente, com uma única cirurgia, seja possível manter o paciente estável durante um ano”, concluiu o presidente da SERV.
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