MADRID 25 fev. (Portaltic/EP) - Seis anos antes de a Meta incorporar a função que desfoca imagens de nudez nas mensagens diretas (DM) de suas redes sociais, já surgiram dúvidas internas sobre esse tipo de conteúdo, o que levou a questionar a empresa sobre a demora em sua implementação.
Em abril de 2024, o Instagram introduziu uma série de ferramentas destinadas a proteger os usuários contra a “sextorsão” e o “grooming” — assédio sexual de um adulto a um menor — através do envio de imagens íntimas nas DM, o que incluía uma função que desfocava as imagens em que eram detectados nus, para que fosse o usuário quem escolhesse se queria vê-las ou não.
A preocupação com o envio desse tipo de fotografia por mensagens diretas é muito anterior. De acordo com uma declaração recentemente revelada em uma ação judicial federal, uma cadeia de e-mails de 2018 com o vice-presidente e diretor de Segurança da Informação da Meta, Guy Rosen, já alertava que “coisas horríveis” poderiam acontecer.
“Acho que está bastante claro que é possível enviar conteúdo problemático em qualquer aplicativo de mensagens, seja o Instagram ou qualquer outro”, declarou recentemente o responsável pelo Instagram, Adam Mosseri, no âmbito do processo contra as redes sociais por seu design potencialmente viciante e prejudicial, conforme relatado pelo TechCrunch.
Mosseri, questionado pelos promotores que queriam saber por que a empresa demorou tanto tempo para implementar medidas básicas de proteção nas mensagens diretas, disse que a empresa tentava encontrar um equilíbrio entre o interesse na privacidade dos usuários e seu interesse na segurança.
Sua declaração também revelou os dados de uma pesquisa feita com usuários entre 13 e 15 anos: 19,2% reconheceram ter visto imagens de nudez ou sexuais no Instagram que não queriam ver, e 8,4% disseram ter visto alguém se machucar ou ameaçar se machucar nos últimos sete dias de uso do aplicativo.
Essa declaração faz parte do processo que acusa a Meta, entre outras empresas do setor, de projetar deliberadamente funções do Instagram e do Facebook que viciam os usuários, especialmente os menores de idade, com consequências prejudiciais para sua saúde mental.
Recentemente, o diretor executivo da Meta, Mark Zuckerberg, prestou depoimento perante um júri em Los Angeles (Estados Unidos), onde foi questionado sobre as funções projetadas para suas redes sociais e sua estratégia para atrair usuários.
O executivo afirmou que elas foram criadas para tornar o Instagram “útil” e não para aumentar deliberadamente o tempo dos usuários na plataforma, atrair menores ou causar danos à saúde mental.
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