MADRID 28 jul. (EUROPA PRESS) -
A tecnologia quântica é o futuro em termos de comunicação segura, tecnologia de sensores e computação avançada, algo em que a Telefónica vem trabalhando há anos, contando com a retenção de talentos e a colaboração público-privada, além de seu Centro de Excelência, como destacou o diretor de Discovery Innovation da Telefónica Innovación Digital, Gonzalo Abalo Álvarez.
Em uma entrevista concedida à Europa Press, esse especialista garante que essa tecnologia "já está avançada e em funcionamento", permitindo questões como o desenvolvimento de sensores com capacidade de medir com "precisão muito avançada", algo que pode ser aplicado tanto em nível biométrico - para fins de saúde - quanto em nível de estruturas de GPS ou satélite.
Uma das áreas mais promissoras da tecnologia quântica é a computação. Diferentemente da computação tradicional, que usa bits (representados como 0 ou 1), a computação quântica é baseada em qubits, que podem representar ambos os valores ao mesmo tempo graças a um fenômeno chamado superposição. Isso permite cálculos muito mais rápidos e complexos, abrindo as portas para uma nova era de processamento de dados.
Nessa área, já estão sendo desenvolvidos modelos nos quais essa tecnologia futura se baseará, com arquiteturas capazes de lidar com centenas de qubits. Esses avanços já estão levando a computadores quânticos funcionais que são usados para analisar algoritmos com muito mais eficiência do que os computadores convencionais.
Um exemplo disso é a forma como a Telefônica utiliza essa tecnologia para otimizar as redes de logística e a distribuição da implantação de sua rede. "Usamos algoritmos quânticos porque eles podem otimizar muito melhor as lógicas que estabelecem como essas estruturas na implantação de redes podem ser melhoradas e ser mais eficientes", explicou Abalo.
COMUNICAÇÕES RÁPIDAS E SEGURAS COM CRIPTOGRAFIA PÓS-QUÂNTICA
Outra área em que essa tecnologia deverá ter um grande impacto é a segurança cibernética, possibilitando comunicações rápidas "que podem ser validadas e são total e absolutamente seguras".
Atualmente, a comunicação na Internet é protegida por uma distribuição de chaves de criptografia, que permite que as conversas entre os usuários sejam privadas e inacessíveis a terceiros. Contudo, diz Abalo, os computadores quânticos "serão tão poderosos" que poderão quebrar essa criptografia facilmente. Para evitar que isso aconteça, a Telefónica está "adotando a criptografia pós-quântica e implantando redes de distribuição de chaves quânticas (Quantum Key Distribution)".
Esse método QKD permite a comunicação segura, pois usa princípios da mecânica quântica para gerar e distribuir uma chave secreta entre duas partes. Essa chave pode criptografar e descriptografar mensagens, mas qualquer tentativa de interceptação altera o estado quântico das partículas e "quebra a informação", tornando-a impossível de ser hackeada, acrescenta Abalo.
"O que queremos é garantir que tudo o que é trocado em nossas redes seja seguro hoje", disse o especialista em tecnologia quântica, detalhando que, por esse motivo, eles já estão estabelecendo a criptografia pós-quântica em sua rede de conectividade de dispositivos IoT, por meio da plataforma Kite da Telefónica Tech e em suas redes 5G privadas, embora ele avise que "é um processo que leva tempo para proteger toda a rede".
PRÓXIMA ETAPA: CONTROLE DE ESTRUTURAS QUÂNTICAS
Apesar dos avanços que já estão sendo colocados em prática, Abalo também reconheceu que o próximo passo da tecnologia quântica é controlar os diferentes tipos de arquiteturas e estruturas quânticas na hora de massificá-las, algo que "ainda está sendo trabalhado".
Isso porque, como uma tecnologia que tenta controlar partículas subatômicas, ela enfrenta complicações constantes, como a chamada inferência ou decoerência. Segundo ele, esses problemas se devem ao fato de que são partículas sensíveis que, "assim que têm ou absorvem um pouco de energia, mudam de estado" e causam desalinhamentos.
Para que isso não aconteça, os sistemas devem ser estáveis e, portanto, "o controle das partículas subatômicas ainda precisa ser aprimorado". Algo que, como explicou o diretor de inovação, ocorrerá em cerca de quatro ou cinco anos, quando começaremos a ver "estruturas poderosas" nesse sentido.
A ESPANHA COMO "EXPORTADORA DE TALENTOS QUÂNTICOS".
No âmbito da Estratégia Espanhola de Tecnologias Quânticas 2025-2030, cujo objetivo é impulsionar o ecossistema de pesquisa do país e preparar a sociedade para a mudança que essas tecnologias representam, Abalo destacou o papel da Espanha como "exportadora de talentos quânticos".
Portanto, embora descreva isso como "maravilhoso", ele pede que se concentre na retenção de talentos para "estabelecer as bases" e que não apenas o conhecimento acadêmico seja valorizado, mas também que seja combinado com "casos de uso, negócios e impacto econômico real".
Ele também esclareceu que, por se tratar de tecnologias "tão incipientes", é uma estratégia que deve ser promovida por auxílios estatais para que "possa haver um ecossistema de startups que, combinado com o conhecimento acadêmico, possa evoluir e colocar a Espanha em um contexto muito mais importante".
Essa equação de subsídios públicos, investimento privado e conhecimento é essencial para que tanto a Espanha quanto a União Europeia possam tentar competir em igualdade de condições "com os enormes investimentos que estão sendo feitos em países como os Estados Unidos ou a China".
CENTRO DE EXCELÊNCIA EM TECNOLOGIAS QUÂNTICAS
Quando perguntado sobre o novo Centro de Excelência da Telefónica dedicado às tecnologias quânticas, o executivo explicou que se trata de uma estrutura que permite coordenar todas as iniciativas de tecnologia quântica da empresa.
Isso engloba a rede, a pesquisa, as parcerias e os casos de uso dos clientes, atuando como um "catalisador" para conectar todas as equipes da Telefónica, bem como startups e universidades em todo o mundo.
Dessa forma, o centro permite um trabalho conjunto e coordenado para ajudar a tecnologia quântica a ser cada vez mais adotada, tanto internamente quanto fora da Telefónica, colaborando com empresas relevantes do setor, como a IBM e a Fujitsu, para "estar na vanguarda".
Em suma, Abalo enfatizou que o objetivo final da Telefónica é "proporcionar capacidades de conectividade, segurança, computação e talento", trabalhando "a partir da inovação como estrutura catalisadora", para que possa ser transmitida à sociedade. "Que não sejamos apenas fornecedores de tecnologia, mas que sejamos atores na liderança das tecnologias quânticas na Espanha e na Europa", conclui.
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