MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -
A Plataforma de Moradores dos Bairros e Povoados de Madri, que reúne mais de uma centena de associações, plataformas e entidades comunitárias, convocou uma manifestação para lotar as ruas da capital neste domingo, dia 31, a fim de defender mais uma vez a Saúde Pública entendida como “direito de todos” em oposição ao “negócio” de um modelo “privatizador” defendido pelas administrações madrilenhas do PP.
A mobilização foi apresentada nesta quinta-feira durante um evento realizado na Livraria Traficantes de Sueños pelos representantes deste movimento de bairro José María Martín, Marcela Martín e José Luis Yuguero.
Trata-se da quinta marcha com este formato convocada por este espaço comunitário nos últimos anos — novembro de 2022, fevereiro de 2023 e maio de 2024 e 2025 —, algumas delas com grande capacidade de mobilização, fundamentalmente aquelas que coincidiram com a greve de médicos e pediatras da Atenção Primária na legislatura passada.
Nesta ocasião, sob o lema “Salvar nossa Saúde Pública é salvar a todos nós”, seguirá o mesmo formato das edições anteriores, com quatro colunas que partirão às 12h de Atocha, Colón, Sevilha e Praça Dalí Felipe II para se reunirem todas em Cibeles.
Conforme destacou Marcela Martín, a Saúde Pública “não é um negócio” e “não pode ser um espólio para empresas privadas”. “Cada euro do setor público que vai para o privado é um euro que está prejudicando nossa saúde e nosso bem-estar”, afirmou.
Assim, os organizadores voltarão a denunciar que um “direito” como a Saúde não pode ser “entregue” a “interesses particulares” e exigirão um sistema “público e de qualidade” que chegue a todos e não dependa do que cada um tem “no bolso”. “A saúde não deve gerar lucros econômicos, deve gerar bem-estar social”, argumentam os organizadores.
Nesse contexto, será reivindicada a “proteção” da Saúde Pública com a revogação das leis que permitem a privatização da saúde e a reversão dos “bens privatizados”. “A Saúde Pública é o que gera igualdade entre a população e define o futuro deste país. Se ela entrar em declínio, todos os demais serviços públicos entrarão em declínio em cascata”, alertaram durante a coletiva de imprensa.
Da mesma forma, protestarão contra o “desmantelamento da Atenção Primária” e defenderão um primeiro nível de assistência “forte”, pois, sem ele, “todo o sistema de saúde entra em colapso”. Nesse sentido, eles voltaram a lembrar a necessidade de aumentar o orçamento em até 25% nesse primeiro nível de assistência.
“Nossos centros de saúde são a primeira linha de defesa. Não podemos permitir que o tempo de espera para consultar um médico ou uma médica de família seja de semanas, nem que os postos de atendimento de urgência fora dos hospitais sejam cabines vazias sem pessoal suficiente”, denunciaram.
Nesse contexto, José Luis Yuguero criticou “o insulto à inteligência” que representa a transição das reclamações por falta de profissionais para a mobilização de todos os recursos de saúde por ocasião da visita do Papa Leão XIV a Madri, de 6 a 9 de junho.
DIGNIDADE PARA OS PROFISSIONAIS
A marcha também servirá para reivindicar “dignidade” para os profissionais que trabalham no setor da saúde, com pedidos como a implantação da semana de 35 horas na Comunidade de Madri.
Nesse sentido, a convocação ocorre em um contexto de conflito trabalhista marcado pela greve intermitente por tempo indeterminado convocada em nível nacional pelo coletivo de médicos e profissionais da área para reivindicar um Estatuto-Quadro próprio que reconheça as particularidades da profissão. Após quatro semanas nesta primeira fase — de fevereiro a maio —, está prevista uma nova semana de paralisações entre 15 e 19 de junho.
Com essas paralisações, o Comitê de Greve nacional protesta contra o Anteprojeto de Lei do Estatuto-Quadro do pessoal estatutário dos serviços de saúde acordado entre o Ministério da Saúde e várias organizações sindicais da Mesa do Ámbito e exige a elaboração de um texto próprio para o coletivo médico e de profissionais da área da saúde.
"Não podemos continuar expulsando talentos enquanto nosso sistema de saúde fica sem pessoal. Exigimos condições dignas para o conjunto dos profissionais que trabalham na Saúde Pública. Cuidar de quem cuida de nós é a única forma de garantir uma assistência de qualidade”, destacam os organizadores.
AS LISTAS DE ESPERA
Na marcha também serão denunciadas as listas de espera na região que, segundo os organizadores, são uma “vergonha” e fomentam o modelo “privatizador”. “A saúde não pode esperar. O atraso sistemático em exames, consultas com especialistas e cirurgias é uma forma silenciosa de empurrar a população para os planos de saúde privados. É uma privatização dissimulada que cria pacientes de primeira e de segunda classe em função da conta bancária", alegaram.
Especificamente, com dados de abril, os últimos disponíveis, a lista de espera cirúrgica acumula 107.208 pessoas, com 46,65 dias de atraso médio; outras 728.917 aguardam a primeira consulta ambulatorial, com um tempo médio de espera de 61,17 dias e, finalmente, havia outras 186.810 vagas pendentes para exames diagnósticos e terapêuticos, com um tempo médio de espera de 53,9 dias.
MAIOR FINANCIAMENTO
Nesse contexto, o movimento voltará a reivindicar maior investimento na Saúde Pública na região, a comunidade que mais cresce em população e que “menos investe por habitante em saúde e mais desvia recursos do setor público para o privado”. Conforme destacaram em coletiva de imprensa, o gasto por habitante é de 1.424 euros, em comparação com regiões como as Astúrias, onde chega a 2.301 euros por habitante.
“Os efeitos dessa gestão desastrosa são tentados ser encobridos culpando a população migrante — que também trabalha, contribui e paga impostos — pela deterioração, pela falta de recursos e pela saturação da saúde pública”, indicaram.
Entre outras ações, esse movimento também impulsionou a campanha “Reclama” para coletar as reivindicações dos cidadãos em relação ao sistema público de saúde, com mais de 71.000 até o momento.
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