GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / HIN255 - Arquivo
MADRID, 1 jul. (EUROPA PRESS) -
A psicooncologista especializada em emoções e saúde, Marta de la Fuente, afirmou que a adesão terapêutica no câncer de mama é um “processo dinâmico” que “não depende apenas da vontade da paciente” e, nesse sentido, considerou “fundamental” compreender a importância da informação e do apoio médico e do entorno para evitar o abandono do tratamento.
A empresa farmacêutica Lilly publicou um guia para ajudar pacientes e familiares a identificar sinais de alerta que podem preceder o abandono do tratamento, bem como orientações a serem seguidas para evitá-lo. De acordo com as evidências científicas, até um terço das pacientes abandona ou não cumpre corretamente o tratamento endócrino durante os cinco anos após a cirurgia, a radioterapia ou a quimioterapia, e a adesão pode diminuir mais de 25% entre o primeiro e o quinto ano após o diagnóstico.
Marta de la Fuente explicou que a adesão terapêutica pode ser afetada por fatores emocionais, físicos e sociais, como os efeitos colaterais, o cansaço acumulado, as preocupações profissionais ou familiares, ou mesmo a forma como a pessoa percebe os benefícios e riscos do tratamento.
“Você percebe que está menos envolvida ou com menos vontade de continuar com o tratamento?”, “Você tem mais dificuldade para conversar com a equipe médica, minimiza os sintomas, esconde coisas ou sente preguiça de ir às consultas de acompanhamento?”, “Você costuma pensar: ‘E se eu parar?’, são algumas das questões que o guia apresenta como sinais aos quais se deve prestar atenção.
Diante de expressões desse tipo, a psico-oncologista ressaltou que “o mais importante” é a validação e a normalização, para que a paciente possa se expressar sem medo de ser julgada. “Em vez de responder com pressão ou repreensões, é melhor abrir um espaço de escuta para entender o que está por trás disso”, destacou ela, ressaltando que isso facilita a revisão das informações com a equipe de saúde e a tomada de decisões de forma acompanhada e bem informada.
CONFIANÇA NA EQUIPE MÉDICA
Nessa linha, a oncologista do Hospital Universitário de Navarra e membro do Conselho Diretor da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), Susana de la Cruz, destacou a importância de manter uma comunicação próxima e personalizada com a equipe médica.
De la Cruz destacou que a confiança nos profissionais permite que as pacientes levantem as perguntas ou preocupações que surgirem ao longo do processo de sua doença e de seu tratamento; por isso, ela instou a disponibilização de ferramentas para melhorar a comunicação. Além disso, ela observou que adotar estilos de vida saudáveis facilita o manejo proativo de possíveis efeitos adversos.
“É importante que as pacientes saibam que não precisam passar por esse processo sozinhas nem se sentirem culpadas por terem dúvidas, medo ou cansaço”, insistiu a oncologista, ao mesmo tempo em que destacou o papel da informação, já que as evidências científicas demonstram que “as pacientes mais bem informadas são as que melhor cumprem os tratamentos indicados”.
Por sua vez, a presidente da Federação Espanhola de Câncer de Mama (FECMA), Antonia Gimón, mencionou o papel da família, que pode acompanhar e apoiar, mas deve fazê-lo “com carinho e empatia” para não gerar pressão nem fazer com que a paciente se sinta culpada.
Nesse sentido, ela destacou o acompanhamento emocional oferecido pelas associações de pacientes. “Elas permitem compartilhar experiências com outras mulheres que passaram por situações semelhantes e contar com profissionais que orientam em momentos difíceis. Não substituímos o sistema de saúde, mas podemos complementar esse apoio”, explicou.
O QUE VOCÊ PODE FAZER?
O guia, desenvolvido pela Lilly em colaboração com a FECMA e com o aval científico da Sociedade Espanhola de Oncologia Médica (SEOM), da Sociedade Espanhola de Enfermagem Oncológica (SEEO), o Grupo GEICAM de Pesquisa em Câncer de Mama (GEICAM) e o Grupo de Pesquisa Clínica em Câncer de Mama SOLTI, propõe algumas recomendações para as pacientes que estejam enfrentando dificuldades para seguir seu tratamento.
Entre elas, incentiva a expressar emoções e a se permitir senti-las, pedindo ajuda se necessário; esperar um pouco antes de tomar decisões caso estejam passando por um momento difícil; tirar dúvidas com a equipe médica; e lembrar-se dos motivos e benefícios de seguir o tratamento, evitando focar apenas no lado negativo.
Com essa iniciativa, que faz parte do movimento “Entre Ellas” e se insere no projeto CaMBIOAT, a Lilly busca reforçar seu compromisso de identificar e detectar precocemente possíveis dificuldades relacionadas à adesão terapêutica, a fim de promover uma abordagem mais humana e compartilhada durante o processo de tratamento.
“Na Lilly, trabalhamos para melhorar a vida das pessoas com câncer não apenas por meio da inovação terapêutica, mas também promovendo iniciativas que ajudem as pacientes a compreender melhor seu tratamento e a mantê-lo ao longo do tempo”, destacou a diretora de Assuntos Corporativos da Lilly Espanha, Teresa Millán.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático