MADRID, 27 jul. (EUROPA PRESS) -
Um relatório da Federação Europeia da Indústria Farmacêutica (EFPIA, na sigla em inglês) revelou que esse setor investiu na União Europeia “60 bilhões de euros em P&D em 2025”, valor que, no entanto, constata que “continua perdendo terreno em relação aos Estados Unidos (EUA) e à China”.
Especificamente, os dados do documento “A Indústria Farmacêutica em Números 2026”, compilados pela Farmaindustria, mostram que esse segmento “continua aumentando sua contribuição científica, industrial e econômica na Europa”, o que não impede que se observe que “uma parcela crescente da inovação mundial está se deslocando para os EUA e a China”.
“Enquanto o setor atinge novos recordes de investimento, produção e exportações no continente, a Europa perde peso como local de origem de novos medicamentos e como destino do investimento em pesquisa”, resumiu este estudo, que expõe que, em 2025, a Europa produziu 505 bilhões e exportou 815 bilhões de euros em medicamentos.
Além disso, o setor empregou diretamente cerca de 955.000 pessoas, das quais 125.000 se dedicam a atividades de P&D. Esses números “refletem o caráter estratégico do setor” e representam aumentos em relação ao ano anterior de 6,5% no investimento em P&D, de 9% na produção e de 10,7% nas exportações, segundo o relatório.
Nesse sentido, o relatório mostra que a indústria farmacêutica inovadora se destaca por sua produtividade, com um valor agregado bruto por trabalhador que, de 225.000 euros, chega a ser o triplo da média da economia europeia. Além disso, ela gera um efeito multiplicador, com aproximadamente três postos de trabalho criados para cada emprego direto.
OS DADOS SE INVERTERAM
Apesar disso, os dados mostram que, no início da década de 90, 37% dos novos medicamentos eram desenvolvidos na Europa e apenas 25,6% nos EUA, situação que se inverteu. Em 2025, foram lançados mundialmente 104 novos princípios ativos, dos quais 46 provinham de empresas sediadas na China ou em Hong Kong, 28 de empresas americanas e 16 de empresas europeias, enquanto o Japão originou cinco e os demais países, nove.
Um ano antes, a China ultrapassou pela primeira vez os Estados Unidos e a Europa em novas moléculas. Assim, sua evolução e a dos EUA estão relacionadas ao investimento em P&D, pois, entre 1990 e 2024, os Estados Unidos multiplicaram seu investimento por 14, enquanto a Europa o multiplicou por sete; e somente entre 2000 e 2024, a China multiplicou o seu por 58.
Trata-se, conforme indicado neste texto, de uma perda de competitividade que também se reflete na distribuição do mercado, já que, no ano passado, os EUA e o Canadá concentraram 54,7% das vendas mundiais, enquanto a Europa representou 23,7%. Essa diferença é muito maior se analisarmos apenas os medicamentos mais recentes — lançados entre 2020 e 2024 —, e é que os EUA concentraram 74,1% das vendas, enquanto os cinco principais mercados da Europa (Alemanha, França, Itália, Espanha e Reino Unido) somaram apenas 15,6%.
Nesse sentido, o relatório “Avaliando o ecossistema de ensaios clínicos na Europa”, elaborado pela consultoria Iqvia para a Efpia e a Vaccines Europe, aponta que a participação dos estudos clínicos no continente caiu de 22% para 12% entre 2013 e 2023, apesar do crescimento da atividade de pesquisa em escala global.
Diante disso, a diretora-geral da Efpia, Nathalie Moll, afirmou recentemente que “o valor que a indústria farmacêutica agrega à balança comercial da União Europeia (UE) é inigualável e crucial para o futuro da Europa”. “Mas, com demasiada frequência, o valor estratégico do setor é ignorado”, expôs ela, concluindo que “agora é o momento de agir” se quisermos “aproveitar os benefícios que esse setor pode trazer como pilar para construir o futuro econômico da Europa”.
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