MADRID, 12 nov. (EUROPA PRESS) -
A organização Salud por Derecho publicou o relatório "Decarbonizing Pharma: A Climate-Conscious Approach to Pandemic Preparedness" (Descarbonizando a indústria farmacêutica: um enfoque consciente do clima para a preparação para pandemias), que revela que, proporcionalmente à sua renda, a indústria farmacêutica gera 55% mais emissões de gases de efeito estufa do que a indústria automobilística, tradicionalmente considerada um dos setores mais poluentes.
De acordo com o relatório, isso reflete a intensidade das emissões do setor, ou seja, a quantidade de CO2 que ele libera para cada dólar de receita. De modo geral, a produção e o consumo de medicamentos e tecnologias de saúde são responsáveis por uma grande parte das emissões no setor de saúde, que é responsável por cerca de 5% das emissões globais de carbono.
Decarbonizing pharma: A climate-conscious approach to pandemic preparedness" foi lançado na COP30, em andamento em Belém, onde os países estão discutindo o Plano de Ação de Saúde da OMS. O documento analisa o impacto ambiental da indústria farmacêutica na resposta a pandemias e propõe medidas concretas para reduzir sua pegada de carbono.
O documento mostra que grande parte dessa pegada está concentrada nos estágios iniciais da produção - como a síntese química e o uso de solventes, que respondem por cerca de 80% das emissões do processo - bem como nos laboratórios de pesquisa, que podem consumir de cinco a 100 vezes mais energia do que um prédio de escritórios padrão. Isso é agravado por uma cadeia de suprimentos global e fragmentada, em que o transporte internacional multiplica as emissões indiretas.
Durante a pandemia da COVID-19, essa pressão sobre o meio ambiente disparou. A produção e o transporte de vacinas envolveram milhares de voos e toneladas de resíduos plásticos e químicos, enquanto a fabricação de máscaras descartáveis sozinha adicionou mais de 18 milhões de toneladas de dióxido de carbono. O relatório alerta para um efeito circular, com a crise climática aumentando o risco de novas pandemias e as respostas de saúde exacerbando os danos ambientais.
INTEGRANDO SAÚDE E SUSTENTABILIDADE
O Plano de Ação de Saúde de Belém, que a OMS lançará em 13 de novembro durante o "Dia da Saúde", busca fortalecer os sistemas de saúde sustentáveis, promover cadeias de suprimento de baixo carbono e incentivar a inovação tecnológica verde com base nos princípios de equidade e justiça climática.
Essas prioridades coincidem com as recomendações do Health by Right, que também propõe a integração de critérios ambientais nas compras públicas de medicamentos, o fortalecimento da transparência climática no setor e a promoção da economia circular por meio da reutilização e do reposicionamento de medicamentos.
A organização também insta a OMS, a União Europeia e o governo espanhol a incorporar a sustentabilidade ambiental nas políticas de preparação para pandemias e a reformar a legislação farmacêutica para incluir critérios ambientais na avaliação, fabricação e compra de medicamentos.
O estudo indica que entre 35 e 40% das emissões do setor poderiam ser reduzidas sem aumentar os custos, por meio de energias renováveis, solventes menos poluentes ou processos mais eficientes.
Embora o setor argumente que essas medidas tornariam os medicamentos mais caros, a Salud por Derecho ressalta que os custos da poluição já são arcados pela sociedade - por meio do gerenciamento de resíduos e dos impactos da mudança climática - especialmente em países de baixa renda. Portanto, adverte que, se o custo da transição ecológica for repassado para o preço final dos medicamentos, será necessária maior transparência.
"Não haverá sistemas de saúde robustos se não abordarmos a pegada climática daqueles que os fornecem. Enquanto o setor farmacêutico continuar a alimentar a crise climática, estaremos enfraquecendo nossa capacidade de responder a futuras pandemias. A descarbonização desse setor é uma obrigação ética e uma questão de saúde e justiça climática", afirma Jaime Manzano, autor do relatório e pesquisador da Salud por Derecho.
Essas demandas fazem parte da agenda climática mais ampla da Salud por Derecho, que pede a aceleração da descarbonização e das reduções de emissões, mantendo a meta europeia de pelo menos 90% até 2040, eliminando os subsídios aos combustíveis fósseis e alocando pelo menos 50% do próximo orçamento europeu para ações climáticas. A organização também pede apoio aos países de baixa e média renda para fortalecer sistemas de saúde sustentáveis e resistentes ao clima.
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