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MADRID 5 jun. (EUROPA PRESS) -
A indústria farmacêutica e as seguradoras lideram a incorporação da inteligência artificial (IA) no setor de saúde privado espanhol, de acordo com um novo relatório elaborado pelo Instituto para o Desenvolvimento e Integração da Saúde (Fundação IDIS).
O objetivo do relatório é oferecer um panorama do grau de maturidade do setor no uso da inteligência artificial e destacar os projetos de inovação que as organizações estão desenvolvendo com essa tecnologia.
O documento foi elaborado com a participação de 45 organizações do setor de saúde. A amostra é composta por 15 grupos hospitalares e redes de assistência, 10 seguradoras, sete empresas de tecnologia, seis empresas da indústria farmacêutica, quatro entidades do setor socio-sanitário e três organizações do setor de serviços.
Dessa forma, a indústria farmacêutica lidera o índice de maturidade no uso da inteligência artificial no setor da saúde, com uma pontuação de 74,6 em 100, seguida pelas seguradoras, que alcançam 71,3 pontos. Ambas situam-se acima da média global do setor (59,2).
Por sua vez, a indústria de tecnologia (55,6), os grupos hospitalares e redes de assistência (53,0) e o âmbito socio-sanitário (35,6) apresentam níveis de desenvolvimento mais moderados.
“Temos dados fragmentados sobre a implantação da IA; nem tudo é perfeito, trata-se de um processo evolutivo e lento, mas há vontade de mudança, e isso é o importante”, destacou a diretora-geral da Fundação IDIS, Marta Villanueva, durante a apresentação do relatório.
O documento apresentado, denominado “Nexo IA Start”, constitui a primeira fase da iniciativa. A esta seguirá-se o “Nexo IA Lab”, uma etapa voltada para a cocriação entre as organizações participantes, na qual o marco estratégico e os objetivos definidos no “Nexo IA Start” serão transferidos para um espaço de trabalho prático, colaborativo e compartilhado.
CASOS DE SUCESSO NA APLICAÇÃO DA IA
O trabalho também selecionou dez casos de sucesso com o objetivo de exemplificar a adoção da IA no setor de saúde privado. Entre eles, destacam-se as soluções de IA conversacional que automatizam a interação com pacientes e profissionais, melhorando o acesso, o acompanhamento e a eficiência do atendimento.
Além disso, foram destacadas as plataformas de IA que integram e analisam grandes volumes de dados clínicos para possibilitar a medicina personalizada e decisões mais precisas. Assim como as aplicações de IA que geram resumos automáticos e estruturados de informações clínicas ou científicas, reduzindo a carga documental.
O documento também destaca os projetos voltados para melhorar a experiência do cliente e dos mediadores, automatizando interações e oferecendo respostas personalizadas em tempo real. Além dos chamados “escribas digitais”, que surgem para reduzir a carga administrativa dos profissionais de saúde.
BARREIRAS ESTRUTURAIS PARA A ADOÇÃO DA IA
O relatório identificou diversas barreiras que estão impedindo uma implantação mais ampla da inteligência artificial no setor. Entre elas, destacam-se a disponibilidade, a qualidade e a padronização dos dados, apontadas de forma recorrente como um dos principais obstáculos para o desenvolvimento dessas tecnologias.
Da mesma forma, as organizações participantes apontam para a dificuldade em medir o impacto real das soluções de IA, tanto do ponto de vista econômico quanto assistencial e operacional. A falta de métricas claras e comparáveis complica a avaliação dos resultados e a justificativa de novos investimentos.
O estudo também destaca o peso do marco regulatório da saúde e da própria regulamentação sobre inteligência artificial, bem como as exigências em matéria de privacidade, segurança e responsabilidade. A isso se soma a resistência à mudança e a escassa cultura de IA em algumas organizações, identificadas como barreiras críticas para acelerar sua adoção.
"O PACIENTE NÃO É PROPRIETÁRIO DOS DADOS CLÍNICOS"
Por sua vez, o diretor do Grupo de Pesquisa em Direito Sanitário e Bioética do IDIVA, Javier Cayón, defendeu a derrubada de algumas das barreiras culturais que dificultam a implantação da inteligência artificial no âmbito da saúde. Nesse contexto, ele ressaltou que “o paciente não é proprietário dos dados clínicos”, mas detentor de direitos relacionados à sua confidencialidade e proteção.
Em sua opinião, isso é essencial para facilitar a coleta e o uso dos dados para fins de assistência e pesquisa, permitindo avançar em direção a modelos mais escaláveis. Da mesma forma, ele destacou que atribuir um proprietário a qualquer elemento vinculado a uma pessoa não é adequado no âmbito dos dados clínicos.
“Acreditarmos que esses dados pertencem ao paciente e estarmos presos a essa lógica, segundo a qual o paciente precisa nos dar consentimento, é o que está começando a arruinar as possibilidades de se fazer inteligência artificial”, observou.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático