MADRID 21 maio (Portaltic/EP) -
A indústria espanhola avança em direção a modelos de produção mais automatizados, conectados e baseados em dados, embora ainda esteja longe de alcançar um cenário de fábrica totalmente digitalizada, já que apenas 3,3% afirmam possuir fábricas inteligentes totalmente digitalizadas.
É o que se depreende do “III Barômetro da digitalização e automação industrial na Espanha”, elaborado pela Advanced Factories 2026, que analisa o estado atual da automação, robotização e digitalização no setor manufatureiro com base na opinião de mais de 500 executivos e profissionais provenientes de setores muito diversos.
O estudo reflete que a transformação digital da indústria espanhola avança de forma progressiva, mas ainda com uma ampla margem de desenvolvimento. De fato, 32% dos profissionais entrevistados definem o nível de automação e digitalização de suas fábricas como moderado, enquanto apenas 3,3% afirmam possuir fábricas inteligentes totalmente digitalizadas. “Essa lacuna evidencia que a fábrica autônoma, conectada e baseada em dados em tempo real ainda é uma aspiração para a maior parte do tecido industrial”, destaca o relatório.
A INTEGRAÇÃO DE SISTEMAS, O GRANDE DESAFIO
Embora muitas empresas tenham incorporado tecnologias digitais em suas fábricas, a conexão real entre os sistemas continua sendo limitada. De acordo com o barômetro, 55,6% dos profissionais reconhecem que sua empresa possui uma integração parcial entre plataformas como ERP, MES, SCADA ou PLM. Apenas 22,4% afirmam dispor de uma integração completa, enquanto 16,6% garantem que não há integração entre os sistemas.
Esse cenário evidencia um dos grandes paradoxos da digitalização industrial: as fábricas contam cada vez mais com tecnologia, mas nem sempre com uma arquitetura conectada que permita aproveitar todo o seu potencial. Nesse sentido, o documento lembra que “sem uma integração sólida, os dados permanecem fragmentados, os processos perdem visibilidade e a tomada de decisões continua dependendo, em muitos casos, de sistemas isolados”.
A inteligência artificial tornou-se uma das tecnologias com maior capacidade transformadora para a indústria, embora sua implementação ainda se encontre em uma fase inicial para muitas empresas. 49,4% dos entrevistados afirmam estar realizando testes-piloto com IA, enquanto 22,8% já a utilizam em alguns processos e 21,2% reconhecem que ainda não a empregam.
A IA ENTRA NA INDÚSTRIA “DE FORMA GRADUAL”
Esses dados mostram que a IA está entrando na indústria de forma gradual, por meio de projetos concretos, validações internas e casos de uso específicos antes de avançar para uma implantação mais ampla. Entre as principais barreiras à sua implementação, destaca-se a falta de talentos, apontada por 42,7% dos profissionais, seguida pela resistência à mudança organizacional, mencionada por 32%, e pela falta de clareza sobre o retorno do investimento, apontada por 30,2%.
Apesar dessas dificuldades, as empresas que já aplicam inteligência artificial estão encontrando oportunidades em áreas-chave da atividade industrial. 56,3% dos entrevistados que empregam IA em sua organização a utilizam em tarefas de projeto assistido e simulação, o que permite validar projetos, antecipar comportamentos e reduzir erros antes de levar uma solução para a fábrica. Da mesma forma, 50% aplicam a IA no controle de qualidade e outros 50% na otimização de processos produtivos, áreas onde essa tecnologia começa a oferecer resultados tangíveis em termos de produtividade, precisão e eficiência.
AS TECNOLOGIAS MAIS PROMETEDORAS
De olho nos próximos três anos, a IA física e industrial se posiciona como a principal tendência tecnológica para a competitividade industrial na Europa, segundo a maioria dos entrevistados. Essa tecnologia abre caminho para sistemas produtivos mais autônomos, robôs capazes de aprender em ambientes simulados antes de operar na fábrica, gêmeos digitais mais precisos e processos que combinam percepção, decisão e ação em tempo real.
A automação inteligente ocupa o segundo lugar entre as principais tendências, segundo 48,1% dos entrevistados, o que confirma que a indústria continuará avançando em direção a sistemas capazes de otimizar tarefas, coordenar processos e melhorar a eficiência operacional com um maior grau de autonomia. Por sua vez, a robótica, apontada por 41,1%, continuará sendo essencial para transformar as fábricas, especialmente em áreas como a fabricação flexível, a logística interna, a montagem ou a inspeção de qualidade.
Assim, o “III Barômetro da Digitalização e Automação Industrial na Espanha” reflete “uma indústria em transição”. “As empresas avançaram na automação, mas ainda precisam superar o desafio da integração, do talento e da demonstração clara do retorno sobre o investimento. A competitividade industrial dos próximos anos dependerá, em grande medida, da capacidade de conectar tecnologias, pessoas e dados em uma mesma estratégia de transformação”, conclui o relatório.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático