Publicado 23/06/2026 08:15

A Indra Space apela à união do setor espacial europeu e estima que a corrida gerará 1 trilhão de dólares

Miguel Ángel Panduro, diretor-geral da Indra Space, durante sua palestra no curso de verão organizado pela APIE na Universidade Menéndez Pelayo, em Santander.
APIE

MADRID 23 jun. (EUROPA PRESS) - O diretor-geral da Indra Space, Miguel Ángel Panduro, fez um apelo nesta terça-feira pela consolidação do setor espacial na Europa.

“Sou a favor da consolidação do setor na Espanha e na Europa, já que temos empresas muito pequenas. Precisamos nos concentrar sem prejudicar o restante da indústria”, explicou o executivo da subsidiária do Grupo que reúne todas as capacidades do setor espacial durante sua intervenção no seminário realizado nesta semana pela Associação de Jornalistas de Informação Econômica (APIE) e pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo (UIMP) em Santander.

Mais especificamente, o executivo explicou que, na Espanha, o setor é “potente” e “particularmente forte” na área de engenharia. Olhando para o futuro, ele ressaltou que a chave está em “ter uma maior participação em programas europeus como o ‘Iris Square’ — constelação multiorbital da União Europeia (UE) formada por cerca de 300 satélites —”, onde a empresa trabalha em parceria com a luxemburguesa SES e a francesa Eutelsat.

“Acredito que a Espanha está crescendo na cadeia de valor europeia, mas somos o quarto país do continente, por isso, precisamos fazer o nosso dever de casa e nos consolidar”, expôs o executivo, que, ao mesmo tempo, destacou que o setor, em nível nacional, é “bastante voltado para a exportação”, o que o torna “competitivo” em relação a outras regiões, embora tenha matizado que a globalização “lhe causa prejuízo”.

Entre os pontos negativos da consolidação, o executivo demonstrou preocupação com o fato de que, no contexto europeu, a concentração “possa levar à liquidação das empresas de pequeno e médio porte”. Apesar disso, o representante da Indra Space confirmou que, ao contrário de outros setores, no setor espacial existe “uma tradição de cooperação”, o que limitaria essa possibilidade.

Nessa linha, ele destacou que são os próprios órgãos públicos que, em muitas ocasiões, convidam as empresas a desenvolver atividades em conjunto. “A própria Agência Espacial Europeia convida, em muitos projetos, à cooperação; portanto, isso nos resulta fácil. Conseguimos encontrar um ponto de encaixe. E, de fato, estamos vendo oportunidades de consolidação”, afirmou o diretor-geral da unidade do Grupo para o setor espacial.

1 BILHÃO DE DÓLARES ATÉ 2040

Em números, o dirigente revelou que a economia espacial gera cerca de 400.000 milhões de dólares, o que, segundo ele, “não parece grande coisa à primeira vista, se não levarmos em conta, como eu dizia antes, que é uma atividade que tem impacto nos demais setores”. De fato, ele revelou que, indiretamente, o setor contribuirá para a economia com cerca de um trilhão de dólares até 2040.

Quanto ao progresso nos últimos anos, o representante calculou que o crescimento da indústria na Espanha foi maior do que no restante da União Europeia. “O país cresceu um pouco mais do que o resto da Europa, entre 60% e 65% nos últimos dez anos, também porque partíamos de uma situação muito mais baixa”, especificou Panduro.

Segundo o alto funcionário, parte do avanço do setor é motivada pela injeção de recursos governamentais, já que os Estados têm visto na corrida espacial um componente-chave da economia deste século, o que transformou o espaço em uma “infraestrutura crítica”.

Consequentemente, o dirigente destacou que, embora o impacto do setor privado seja muito relevante, há um compromisso apoiado pelos governos. Assim, ele afirmou que, por exemplo, a SpaceX possui contratos com o governo americano, com a NASA e com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, e criticou que, sem esse financiamento dos Estados Unidos (EUA), seria “difícil” que a situação da empresa fosse a mesma de hoje.

Quanto à competição com a tecnologia americana, Panduro afirmou que a Europa “chegou muito tarde” e defendeu que o que a Europa precisa é “ter um ativo em suas mãos, com tecnologia, para reduzir sua dependência”.

CORRIDA ESPACIAL E REGULAMENTAÇÃO INTERNACIONAL

Por outro lado, o responsável pela Indra Space afirmou que o espaço foi incorporado à doutrina e ao planejamento de recursos de todos os ministérios da defesa do mundo, o que provocou uma “disputa pelas órbitas”.

“Se todas as constelações que estão sendo apresentadas fossem colocadas em órbita, eu duvidaria que o sol chegasse à Terra”, criticou ironicamente o representante.

Quanto aos responsáveis, o diretor-geral da unidade do Grupo de Tecnologia e Defesa destacou que existe uma rivalidade crescente entre os dois “grandes gigantes”: os EUA e a China. Sobre esta última, ele detalhou que o gigante asiático conta com uma constelação programada de 12.000 satélites; além disso, alertou para o papel de algumas nações emergentes, como a Índia e os Emirados Árabes Unidos, no setor.

No entanto, Panduro exortou os governos a adotarem uma regulamentação internacional, embora tenha reconhecido que “isso é muito complexo”.

“O que mais me interessa é a sustentabilidade. Até que ponto e como regulamos o número e o tamanho dos objetos que podem estar em órbita e quais regras estabelecemos para a questão das conexões. Praticamente todas as semanas recebemos alertas de colisão nos quais é preciso decidir quem se move — os satélites. Além disso, é preciso definir que, quando chegar ao fim de sua vida útil — dos satélites —, eles devem ser direcionados para o que se chama de órbita-cemitério. Mas tudo isso são recomendações; é necessária legislação”, concluiu o diretor-geral da Indra Space.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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