Publicado 31/03/2026 06:47

A imunização personalizada aumenta a eficácia das vacinas em pacientes com doenças complexas, segundo especialistas

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MADRID 31 mar. (EUROPA PRESS) - A chefe do Departamento de Medicina Preventiva do Hospital Universitário Fundação Jiménez Díaz, María Dolores Martín, destacou que a imunização personalizada melhora a eficácia das vacinas e a segurança em pacientes com patologias complexas.

“A imunização deve basear-se no estado imunológico real do paciente para melhorar a eficácia e evitar falhas vacinais, e personalizar o momento, o tipo e o esquema de vacinação otimiza a proteção, especialmente em pacientes idosos, imunodeprimidos e pessoas com comorbidades”, explicou Martín.

Foi o que a especialista demonstrou durante sua participação na “IV Jornada de Imunização”, organizada pelo Hospital Universitário Fundação Jiménez Díaz. Nela, os especialistas concordaram que a imunização personalizada se consolidou como uma estratégia fundamental na medicina preventiva, permitindo adaptar as vacinas às necessidades específicas de cada paciente.

Portanto, a personalização da imunização implica avaliar o risco de infecção de forma individual por meio de ferramentas e análises da resposta imunológica. “Na prática, isso transforma o modelo tradicional de ‘calendário igual para todos’ em vacinação orientada por dados, otimizando a eficácia, a segurança e o uso de recursos”, indicou Marta Blanco Fernández, chefe associada do Serviço de Medicina Preventiva do hospital.

Conforme ficou demonstrado, é possível identificar pacientes que necessitam de vacinação personalizada com base em vários fatores: seu grau de imunossupressão e doenças como câncer, tratamentos imunossupressores, diabetes, problemas renais ou gestações de risco; seus biomarcadores imunológicos, como níveis de imunoglobulinas e tipos de linfócitos, incluindo a linfopenia; seu imunotipo e idade imunológica, que predizem melhor a resposta à vacina do que a idade real; o histórico de infecções ou respostas baixas a vacinas anteriores; e os fatores sociais e ambientais que afetam a exposição, a adesão ou o acesso às vacinas.

A estratégia de imunização é especialmente crucial em pacientes oncológicos, hematológicos ou com doenças autoimunes inflamatórias e imunossupressão farmacológica, pois apresentam imunossupressão profunda, tanto devido à doença de base quanto aos tratamentos.

“Isso implica maior risco de infecções e complicações, resposta às vacinas diminuída ou imprevisível, especialmente com tratamentos que reduzem certos glóbulos brancos ou utilizam terapias avançadas como CAR-T, quimioterapia ou imunoterapias; limitações no uso de vacinas vivas atenuadas devido ao risco de infecção; e urgência em iniciar os tratamentos, o que reduz o tempo disponível para vacinar de maneira ideal”, destaca Helena Moza, especialista do referido Serviço de Medicina Preventiva.

Para isso, recomenda-se uma estratégia de imunização proativa, planejada e adaptada a cada paciente, que inclua: vacinar o mais cedo possível, idealmente antes de iniciar os tratamentos; ajustar o momento de acordo com o medicamento, evitando períodos de imunosupressão máxima e priorizando esquemas rápidos se o tempo for limitado; utilizar terapias de transição quando necessário para manter uma boa resposta; repetir ou reforçar as vacinas após certos tratamentos que reduzem a imunidade; considerar a imunização passiva com anticorpos quando a resposta vacinal for baixa; e trabalhar de forma multidisciplinar, coordenando diferentes especialidades para planejar os calendários de vacinação.

Por outro lado, os especialistas apontam que a crescente mobilidade global aumentou a relevância das doenças zoonóticas e importadas, como a leptospirose, a raiva ou a brucelose, registrando-se na Espanha mais de 30.000 casos anuais de doenças transmitidas de animais para pessoas. Nesse sentido, Moza destaca: “A imunização é uma ferramenta fundamental da abordagem ‘One Health’; permite prevenir a transmissão de zoonoses em humanos e animais, reduzir o uso de antibióticos, diminuindo o surgimento de resistências antimicrobianas, e proteger contra doenças emergentes e conter sua expansão em um mundo com maior mobilidade”.

IMPACTO DA IMUNIZAÇÃO CONTRA DOENÇAS IMPORTADAS

Por outro lado, durante o evento foi abordada a necessidade de enfrentar o aumento de doenças importadas de animais para pessoas, como leptospirose, brucelose, raiva, tuberculose zoonótica, doenças transmitidas por alimentos e outras patologias tropicais associadas à mobilidade global.

A cada ano são notificados mais de 30.000 casos, o que representa um impacto relevante na saúde pública devido à carga de morbidade, aos surtos ligados a mudanças ambientais, à exposição ocupacional e à capacidade de gerar resistências aos antibióticos, o que complica o tratamento e eleva os custos com saúde.

Diante desse cenário, os especialistas indicam que a imunização se posiciona como uma ferramenta-chave da abordagem “One Health”, que permite prevenir a transmissão de zoonoses em humanos e animais, reduzir o uso de antibióticos e o surgimento de resistências, evitar surtos em populações expostas e proteger contra doenças emergentes, freando sua expansão em um mundo com maior mobilidade.

“Em conjunto, a vacinação reforça a vigilância, reduz a carga de doenças e atua como barreira contra o surgimento de novas ameaças”, insiste Moza.

Da mesma forma, Martín destacou a necessidade de uma coordenação multidisciplinar na estratégia de imunização. “É essencial a colaboração entre Hematologia e Hemoterapia, Oncologia, Neurologia, Reumatologia, Medicina Interna e todas as especialidades que tratam pacientes com risco de imunossupressão, Medicina Preventiva e Atenção Primária para garantir calendários realistas e evitar interferências com terapias críticas”, sublinhou.

Entre as conclusões do evento, a especialista também destacou a importância de integrar a vacinação na abordagem aos pacientes: “A imunização faz parte do tratamento, não é um complemento. A abordagem preventiva reduz hospitalizações, complicações, reativações virais e mortalidade”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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