Publicado 06/05/2026 08:33

Impor horários de vigília ou acordar às 5 da manhã pode causar distúrbios do sono

Archivo - Arquivo - Homem com insônia e despertador.
YANYONG/ISTOCK - Arquivo

MADRID 6 maio (EUROPA PRESS) -

Impor um horário de vigília ou acordar às 5 da manhã sem respeitar as necessidades individuais de sono pode ter consequências negativas para a saúde, como déficit crônico de sono, segundo a neurologista e coordenadora do Grupo de Estudo de Distúrbios da Vigília e do Sono da Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN), Celia García Malo.

De acordo com a SEN, mais de 48% da população adulta na Espanha não tem um sono de qualidade, e cerca de 20% sofre de insônia crônica; além disso, incentivar ou impor rotinas de sono restritivas ou inadequadas pode “agravar ainda mais esse problema de saúde pública”.

García Malo, nesse sentido, afirmou que a privação de sono não só afeta a energia diária, mas também afeta “diretamente” a regulação metabólica, o sistema imunológico, a estabilidade emocional e os processos neurocognitivos.

“Em termos claros: acordar às 5h da manhã não é, por si só, um hábito saudável de forma alguma. Depende da hora em que você vai dormir, de quanto tempo dorme e, acima de tudo, da sua biologia (cronobiologia e cronotipos)”, destacou.

Nesse sentido, um dos aspectos “fundamentais” para a saúde do sono é o cronotipo, ou seja, a predisposição biológica de cada indivíduo para estar mais ativo em determinadas horas do dia. Aproximadamente 50% da população apresenta um cronotipo padrão, enquanto o restante se distribui entre perfis mais matinais ou mais noturnos.

Esse padrão é determinado em grande parte por fatores genéticos; portanto, forçar mudanças bruscas — como obrigar-se a acordar cedo contra o próprio ritmo biológico — pode causar insônia, menor qualidade do sono e consequências para a saúde mental e cognitiva, segundo a especialista.

“Existem pessoas mais matinais e pessoas mais noturnas, com múltiplas variantes intermediárias. Mas o mais comum entre a população é o padrão, que em nosso país poderia ser definido como um sono em um intervalo intermediário, por exemplo, das 23h às 7h ou da 00h às 8h”, explicou García Malo.

IR CONTRA O PRÓPRIO RELÓGIO BIOLÓGICO

Esse padrão não é uma questão de hábitos ou disciplina; portanto, tentar modificá-lo de forma agressiva equivale a ir constantemente contra o “próprio relógio biológico”, o que pode desencadear insônia ou reduzir a eficiência do sono. Isso acarreta consequências negativas para a saúde, como piora da função cognitiva, do humor e redução dos níveis de energia.

“Pelo contrário, adaptar nosso trabalho, vida social ou acadêmica às nossas preferências horárias com base em nosso cronótipo pode trazer benefícios claros para nosso descanso e, portanto, conhecê-lo e tentar agir de acordo com ele é importante para nossa saúde”, acrescentou.

Durante o descanso noturno, consolidam-se processos essenciais como a memória, a regulação emocional e a eliminação de substâncias neurotóxicas no cérebro. Por outro lado, a falta de sono prolongada no tempo tem sido associada a um aumento do risco de patologias neurológicas e psiquiátricas.

RISCO DE DETERIORAMENTO COGNITIVO E DE DOENÇAS NEUROLÓGICAS

Nesse contexto, diversos estudos demonstraram que dormir menos de 6 horas por dia de forma habitual aumenta em até 30% o risco de deterioração cognitiva e está associado a um maior risco de doenças neurológicas e neurodegenerativas, como o Alzheimer, além de depressão ou transtornos de ansiedade. Além disso, o déficit de sono altera a plasticidade cerebral e compromete funções executivas essenciais, como a tomada de decisões ou a atenção sustentada.

Da mesma forma, o déficit de sono também aumenta o risco cardiovascular, favorece a resistência à insulina e contribui para o ganho de peso, com as “inúmeras implicações que esses fatores representam para a saúde”.

Por tudo isso, a SEN lembrou que adotar hábitos baseados em tendências virais pode ser “contraproducente se não se adaptarem às características individuais”, pois o sono de cada pessoa deve se adaptar ao seu cronótipo, ao seu contexto de trabalho e ao seu estado de saúde.

“A produtividade não depende da hora em que acordamos, mas da qualidade do descanso e de sua adequação à nossa biologia. A tendência de acordar muito cedo pode ser válida para alguns perfis, mas generalizá-la como modelo universal não só é errado, como também potencialmente prejudicial”, afirmou a neurologista.

A otimização do sono deve basear-se no conhecimento do próprio organismo e em hábitos saudáveis adaptados a cada pessoa, não na “imitação de rotinas populares sem respaldo científico”.

Por fim, a SEN destacou a importância de que qualquer dificuldade relacionada ao sono — como insônia, sonolência diurna, despertares frequentes ou sensação de descanso não reparador — seja abordada a partir de uma abordagem médica especializada.

Uma avaliação individualizada é “fundamental para identificar possíveis causas subjacentes”, que podem abranger desde distúrbios respiratórios do sono até alterações neurológicas ou psiquiátricas, estabelecer um diagnóstico preciso — às vezes apoiado por exames objetivos, como estudos do sono ou do ritmo circadiano — e definir o tratamento mais adequado.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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