MADRID 24 ago. (EUROPA PRESS) -
A colocação de um implante coclear antes de completar um ano de idade melhora significativamente o desempenho médio desses dispositivos que, em muitos casos, resolvem os problemas auditivos dos pacientes e melhoram sua qualidade de vida, segundo revela um estudo do Departamento de Otorrinolaringologia da Clínica Universidade de Navarra.
O trabalho, publicado na revista “International Journal of Pediatric Otorhinolaryngology”, confirmou que o momento da intervenção é o fator mais determinante para obter melhores resultados, uma vez que aumenta a porcentagem de palavras que a criança compreende corretamente nos testes de audição em volume normal de conversa.
Todos os pacientes operados antes de completar um ano de idade — sem exceção —, que foram acompanhados por dez anos, compreendiam bem as palavras faladas uma década depois. Entre os que foram operados aos 9 ou 10 anos, apenas quatro em cada dez conseguiram isso, e três em cada dez continuavam sem entender nem um quarto das palavras.
Além disso, cada ano de atraso na cirurgia foi associado a uma perda de mais de três pontos percentuais na compreensão da fala aos 10 anos. “Operar no primeiro ano de vida não só garante melhores resultados, como também faz com que esses resultados sejam mais homogêneos e previsíveis. Isso nos permite acompanhar as famílias com expectativas muito mais confiáveis”, explicou o otorrinolaringologista da clínica, Manuel Manrique.
Os pesquisadores analisaram a evolução de 494 crianças operadas na clínica antes dos 10 anos — uma das maiores coortes pediátricas prospectivas com o mais longo período de acompanhamento já publicadas — e mediram, ao longo de uma década, a porcentagem de palavras que elas compreendiam em uma cabine à prova de som, em volume normal de conversa. Em seguida, compararam os resultados de acordo com a idade em que foram operados e analisaram quais outros fatores clínicos e técnicos realmente influenciavam.
Os resultados mostram também que o uso de aparelho auditivo antes da cirurgia melhora a compreensão da fala, embora o benefício demore a ser percebido. Por outro lado, os eletrodos colocados próximos ao nervo auditivo apresentam melhores resultados nos primeiros anos, e outros fatores, como sexo, o ouvido operado ou a causa da surdez, não influenciam o resultado final.
“O design do eletrodo e o uso prévio de um aparelho auditivo contribuem para os resultados, mas operar cedo é o fator decisivo: todas as crianças de nossa série que receberam o implante antes de completar um ano compreendiam bem a fala uma década depois”, ressaltou Manrique.
ESTRATÉGIA DE INTERVENÇÃO PRECOCE
De acordo com a Confederação Espanhola de Famílias de Pessoas Surdas, um em cada mil recém-nascidos na Espanha apresenta surdez grave ou profunda. Nesse contexto, os avanços nos programas de detecção precoce da hipoacusia, na tecnologia dos aparelhos e nas técnicas cirúrgicas levaram a uma redução progressiva da idade de implantação. No entanto, os autores defendem estratégias de intervenção precoce, otimizadas e individualizadas que permitam detectar e encaminhar os pacientes o mais rápido possível.
“Este estudo demonstra que, quanto mais cedo se intervir, melhor. Isso não significa que um implante coclear não seja eficaz em outras idades, mas sim que os resultados obtidos quando ele é colocado durante o primeiro ano de vida são melhores. Por isso, é necessário que sejam elaboradas estratégias que permitam atender rapidamente as crianças que nascem com surdez grave ou profunda”, destacou Manrique.
O Programa de Implantes Cocleares da Clínica Universidade de Navarra conta com 37 anos de experiência e já atendeu mais de 1.300 pacientes, com um alto índice de satisfação.
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