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MADRID, 19 jun. (EUROPA PRESS) -
Cientistas da HatchTech BV (Países Baixos) demonstraram uma técnica não invasiva que utiliza luz para revelar o conteúdo oculto dos ovos de galinha, o que poderia ajudar a coibir a prática da indústria de carne de sacrificar bilhões de pintinhos machos logo após o nascimento.
O estudo, publicado na revista “Newton”, da Cell Press, descobriu que, quando a luz penetra na casca intacta de um ovo de ave, ela é refletida várias vezes, e os fótons percorrem até dois metros dentro do minúsculo interior de quatro centímetros do ovo.
Ao iluminar a parte interna dos ovos de galinha, os pesquisadores poderiam determinar o sexo de um embrião em desenvolvimento, avaliar a qualidade do interior do ovo e verificar se os ovos intactos foram fertilizados.
“Esse fenômeno, até então não observado, poderia ajudar a investigar o conteúdo do ovo de forma não invasiva, mesmo durante o desenvolvimento embrionário em ovos fertilizados e incubados, resolvendo assim o dilema ético do abate de pintinhos machos”, afirma Lennard van den Tweel, pesquisador da empresa de tecnologia de incubadoras HatchTech BV, na Holanda, e autor do estudo.
Como os pintinhos machos não podem botar ovos e não crescem rápido o suficiente para serem rentáveis, mais de 300 milhões são sacrificados a cada ano logo após o nascimento, apenas nas incubadoras europeias. Essa prática é amplamente rejeitada pelos defensores dos direitos dos animais, e muitos países estão promovendo leis para erradicá-la.
As técnicas de espectroscopia óptica, que revelam de forma não invasiva as propriedades físicas, químicas ou estruturais de uma amostra por meio da luz, têm sido tradicionalmente utilizadas na medicina, inclusive para mamografias e para monitorar a função pulmonar e cerebral, bem como para abordar questões agrícolas, como a medição de frutas e madeira, e aplicações ambientais, como o monitoramento da neve.
Embora essas técnicas baseadas na luz também tenham sido utilizadas para estudar as propriedades dos ovos, “a forma complexa como a luz se propaga através do ovo é amplamente desconhecida”, afirma van den Tweel.
Para investigar as propriedades ópticas desconhecidas dos ovos de galinha, os pesquisadores mediram o tempo que as partículas de luz, ou fótons, nos comprimentos de onda visíveis e infravermelhos próximos percorrem distâncias específicas ao atravessarem ovos inteiros, estudando o papel da casca como uma “esfera integradora” que retém os fótons dentro do espaço fechado. A equipe analisou o comportamento dos fótons à medida que a luz atravessa as cascas intactas, tanto antes da incubação quanto durante os oito dias de desenvolvimento embrionário.
“Dois metros é um comprimento de trajetória muito grande, difícil de ser igualado por outros materiais naturais. A descoberta do efeito de esfera integradora deu sentido imediato a vários estudos que mostravam caudas de emissão temporal que inicialmente haviam sido atribuídas à fluorescência”, comentam os pesquisadores.
No entanto, as propriedades ópticas “complexas e incomuns” dos ovos de galinha exigirão mais pesquisas utilizando outras abordagens para que os pesquisadores possam “desvendar” completamente seus dados e melhorar a sensibilidade da técnica desenvolvida neste estudo, ressalta van den Tweel.
Os pesquisadores também planejam estudar como os efeitos dos fótons que observaram se alteram ao longo do processo de desenvolvimento de um embrião de galinha e as propriedades ópticas de cada componente individual do ovo.
“A grande capacidade de dispersão da casca do ovo das aves pode ter evoluído para proteger o embrião da luz ultravioleta ou para reduzir a dissipação de calor quando os pais saem em busca de alimento”, concluem os especialistas.
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