Publicado 09/10/2026 08:25

Identificar a origem da ELA é fundamental para um diagnóstico mais precoce e para o desenvolvimento de biomarcadores e terapias

X Encontro Internacional de ELA na Espanha, realizado na Fundação Ramón Areces, organizado por essa instituição e pela Fundação Luzón
FUNDACIÓN LUZÓN

MADRID 9 out. (EUROPA PRESS) -

O professor de neurologia da Universidade de Tours (França), Philippe Corcia, afirmou que “identificar o evento biológico mais precoce na ELA é especialmente importante, pois poderia permitir um diagnóstico mais precoce e fornecer uma base racional para o desenvolvimento de biomarcadores e terapias direcionadas”.

Durante sua participação no X Encontro Internacional sobre ELA na Espanha, realizado na Fundação Ramón Areces e organizado por essa instituição e pela Fundação Luzón, ele lembrou que o início da doença pode ocorrer em diferentes pontos da rede motora, “entre eles o córtex, o neurônio motor, o axônio ou a junção neuromuscular, o músculo ou o compartimento glial”.

Este encontro científico abordou as evidências que apontam o neurônio motor como possível ponto de início da doença. Mais especificamente, a palestra de Corcia centrou-se nos mecanismos envolvidos na degeneração dessas células nervosas, responsáveis por transmitir os comandos do sistema nervoso aos músculos e que são fundamentais para o movimento.

Além de Corcia, participaram desta edição da Fundação Luzón e da Fundação Ramón Areces pesquisadores nacionais e internacionais para aprofundar os mecanismos envolvidos na origem e na progressão da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA).

PERSPECTIVAS SOBRE A DIVERSIDADE DA ELA

A doença apresenta grande heterogeneidade e, embora a degeneração dos neurônios motores constitua uma de suas principais características, o estudo de outros componentes do organismo está trazendo novas perspectivas para aprofundar os processos biológicos que intervêm em seu surgimento e desenvolvimento.

O encontro teve início com a palestra de Alberto García Redondo, pesquisador do Hospital Universitário 12 de Outubro, de Madri, que apresentou uma visão geral sobre a diversidade da ELA e sobre as principais hipóteses científicas relacionadas à sua origem e desenvolvimento.

Sua apresentação serviu para contextualizar as diferentes manifestações da doença e os mecanismos que a comunidade científica está estudando para compreender por que a ELA pode apresentar características diferentes de uma pessoa para outra.

“Os avanços na genética e na biologia molecular demonstraram que, por trás de um mesmo diagnóstico, existem diferentes alterações genéticas, mecanismos celulares e formas de evolução clínica. Pesquisas recentes identificaram alterações moleculares associadas à ELA em tecidos distintos do sistema nervoso, inclusive anos antes do aparecimento dos primeiros sintomas, embora ainda não saibamos seu significado em relação à origem da doença”, destacou.

Além disso, o encontro também dedicou espaço a outras hipóteses que ampliam o estudo da ELA para além do neurônio motor. Nesse contexto, José Luis González de Aguilar, pesquisador da Universidade de Estrasburgo (França), analisou as evidências e abordagens que apontam o músculo como possível fator no início e na progressão da doença.

“Existem evidências sólidas de que as células musculares apresentam alterações intrínsecas na ELA, embora isso não signifique necessariamente que sejam essas células as responsáveis pelo início da doença. Parece que a patologia muscular interage com a neuronal de diferentes maneiras, afetando tanto as fibras musculares quanto as sinapses neuromusculares e, portanto, o funcionamento dos neurônios motores”, destacou González de Aguilar.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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