Publicado 31/03/2026 06:31

Identificam uma estrela mais evoluída do que a fonte principal da região IRAS 18162-2048

Archivo - Arquivo - Região IRAS18162-2048 no infravermelho próximo. A fonte principal no interior do círculo branco é invisível nessas comprimentos de onda. A fonte IRS7/SC é brilhante no infravermelho e especialmente na linha de recombinação do h
RUBÉN FEDRIANI / IAA-CSIC - Arquivo

GRANADA 31 mar. (EUROPA PRESS) -

O Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) liderou um estudo, publicado nesta terça-feira na revista 'Astronomy & Astrophysics' (A&A), no qual foram realizadas observações da região IRAS 18162-2048 tanto no infravermelho próximo quanto no rádio, e que revelou indícios de uma fonte de fótons ionizantes distinta da principal: IRS7, também conhecida como “condensação estática” (SC, na sigla em inglês), uma estrela jovem do tipo B2-B3.

Nesse sentido, informou o Instituto de Astrofísica da Andaluzia, que em um comunicado explica que a região IRAS 18162-2048 é um dos exemplos mais estudados de formação de estrelas massivas em nossa galáxia. Em seu interior, ela abriga uma protoestrela central de grande massa, responsável pelo icônico jato protoestelar HH 80-81. “O espetáculo e a energia desse sistema têm atraído a atenção da comunidade científica desde sua descoberta na década de 1980, relegando a segundo plano outras fontes presentes na região”, expõem.

Assim, quanto à identificação do IRS7, Rubén Frediani, pesquisador do IAA-CSIC e primeiro autor do referido trabalho, destaca: “O mais relevante de nossos resultados é que eles revelam que o IRS7 poderia estar mais evoluído do que a fonte principal do IRAS 18162-2048, apesar de ser menos massivo”. “Isso coloca essa fonte, historicamente pouco estudada, como um alvo-chave para futuras observações com telescópios como o James Webb ou o ALMA”.

Quanto ao estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia, ele consistiu na observação da região IRAS 18162-2048 no infravermelho próximo (capaz de penetrar a poeira) com o VLT (Very Large Telescope) do Observatório Europeu Austral (ESO) no Chile, e no rádio, por meio de observações com o interferômetro VLA (Very Large Array) e o radiotelescópio ALMA (Atacama Large Millimeter Array, também no país andino).

“Esta região é um excelente laboratório para estudar os primeiros estágios da formação de estrelas massivas, pois, além de sua protoestrela central, abriga numerosos objetos protoestelares de menor massa ao seu redor, cujo processo evolutivo poderia ser alterado pela presença dessa gigante central”, destaca Guillem Anglada, pesquisador do IAA-CSIC e membro da equipe.

As observações, realizadas em escalas de algumas milhares de unidades astronômicas, concentram-se no entorno imediato da fonte principal da região, impulsionadora do icônico jato HH 80-81. Essa fonte permanece completamente invisível no infravermelho próximo até, pelo menos, 2,5 mícrons. Nem mesmo os comprimentos de onda mais longos nessa faixa (os mais eficazes para atravessar a poeira) conseguem detectá-la, o que indica que o material que a rodeia continua extremamente denso e a mantém oculta.

No entanto, essas observações permitiram identificar outra fonte na região que, embora já tivesse sido detectada na década de 1990, havia passado despercebida diante do brilho da principal. Trata-se do IRS7, também conhecido como “condensação estática”, pois, ao contrário dos jatos associados a HH 80-81 (que atingem velocidades superiores a 1.000 quilômetros por segundo), essa fonte não apresenta movimento perceptível. “O que observamos no infravermelho, tanto espectralmente quanto por meio de imagens, é a linha Brackett gama (Bry), uma linha de recombinação do hidrogênio”, explica Fedriani (IAA-CSIC).

“Quando essa linha aparece, é porque o hidrogênio se ioniza (perde elétrons) e, posteriormente, se recombina, emitindo uma radiação muito característica que corresponde a esse comprimento de onda”. Esse sinal constitui uma evidência direta de gás quente e ativo no entorno de uma estrela jovem. Ao analisar o perfil — forma e largura — da linha, a equipe conclui que se trata de uma estrela recém-nascida do tipo B2-B3: muito quente, luminosa e relativamente massiva, embora menos do que a fonte principal da região.

Esse resultado é corroborado por observações em rádio, que apontam para uma menor quantidade de poeira ao redor dessa fonte, o que está de acordo com a emissão esperada de uma estrela B2-B3 recém-nascida nessas comprimentos de onda.

INDÍCIOS DE UMA MAIOR EVOLUÇÃO

Os resultados sugerem ainda que o IRS7 poderia abrigar uma região H II incipiente, ou seja, uma zona de gás ionizado gerada pela radiação de uma estrela jovem e quente. Da mesma forma, foi detectado hidrogênio molecular (H2) excitado em suas proximidades, provavelmente devido à fotoionização da própria fonte.

Essa descoberta é especialmente relevante, pois indica que o IRS7 (juntamente com sua região H II em formação) se encontra em uma fase evolutiva mais avançada do que a protoestrela principal da região, cuja massa é superior a vinte vezes a do Sol. Em conjunto, esses resultados sugerem que a região IRAS 18162-2048 abriga uma população estelar multigeracional, com objetos em diferentes estágios de evolução.

“Para confirmar essas conclusões, serão necessárias novas observações com telescópios como o James Webb Space Telescope, que permitirão estudar a região com maior detalhe em diferentes comprimentos de onda, especialmente no infravermelho, e assim revelar a complexa estrutura que permanece oculta por trás da poeira”, conclui Rubén Fedriani.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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