LIUDMILA CHERNETSKA/ISTOCK - Arquivo
MADRID, 9 jun. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe da Unidade Funcional de Pesquisas Crônicas (UFIEC) do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) identificou o eixo formado pelas proteínas neurocondrina (NCDN), podocalixina (PODXL) e ezrina (EZR) como um mecanismo molecular “relevante” na progressão tumoral e na colonização metastática no câncer colorretal.
O estudo se concentra na análise da NCDN, uma proteína pouco estudada até o momento, e demonstra que sua expressão está aumentada em células de câncer colorretal com maior capacidade metastática, enquanto seu silenciamento reduz propriedades tumorais como adesão, proliferação, crescimento tumoral e metástase hepática em modelos experimentais.
"Nossas descobertas posicionam a NCDN e suas proteínas desreguladas associadas como impulsionadoras da progressão do câncer colorretal e como alvos promissores para futuras pesquisas", destaca o trabalho publicado na revista 'Cell Death & Disease', que alerta para a prevalência e mortalidade dessa doença em nível mundial.
Outro estudo publicado recentemente pela mesma equipe na revista 'Journal of Proteome Research' identifica proteínas associadas ao risco de recidiva, entre elas MANF e CDCA2, e demonstra o valor de combinar a análise de tecido tumoral com biópsia líquida emparelhada para melhorar a estratificação dos pacientes, o que pode facilitar uma melhor seleção de tratamentos.
Este trabalho analisou amostras de tecido tumoral e vesículas extracelulares isoladas do plasma de pacientes com câncer colorretal em estágio II. Esse subtipo de tumor representa um importante desafio clínico, pois, embora a cirurgia geralmente seja curativa, entre 15% e 20% dos pacientes podem apresentar recorrência durante o acompanhamento.
“Nossas descobertas corroboram a utilidade de combinar análises proteômicas de tecido fixado em formalina e embebido em parafina (FFPE) e pequenas vesículas extracelulares (sEV) para identificar biomarcadores associados à recidiva”, destacam os autores em sua publicação.
Em conjunto, ambas as pesquisas trazem novos conhecimentos sobre os mecanismos moleculares que favorecem a recorrência e a progressão metastática da doença. Rodrigo Barderas, Ana Montero e María Garranzo, da Unidade de Proteômica Funcional da UFIEC-ISCIII, são os autores principais do ISCIII.
POTENCIAL DA PROTEÓMICA
Os autores principais explicaram que os dois trabalhos “destacam o potencial da proteômica para descobrir biomarcadores e novas vulnerabilidades terapêuticas no câncer colorretal”.
Além disso, destacaram a estreita colaboração multidisciplinar entre o ISCIII e pesquisadores clínicos dos hospitais Clínico San Carlos, Fundação Jiménez Díaz e Universitario La Paz, ambos em Madri, juntamente com pesquisadores básicos do IMDEA Food Institute e do Centro de Investigaciones Biológicas Margarita Salas do CSIC, para realizar o trabalho.
“Essa colaboração permitiu integrar amostras clínicas, modelos celulares e animais, análises bioinformáticas e tecnologias proteômicas de última geração para continuar avançando em conhecimentos que nos permitam enfrentar, no futuro, esse tipo de tumor com maiores chances de sucesso”, destacaram.
Dessa forma, as descobertas reforçam a importância da pesquisa translacional e colaborativa para avançar em direção a uma medicina mais personalizada no câncer colorretal, voltada para melhorar tanto a previsão da recorrência tumoral quanto a identificação de novos alvos para frear a progressão das metástases.
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