MADRID, 6 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe do Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa (CBM-CSIC-UAM), em colaboração com o Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares (CNIC) e a área de Doenças Cardiovasculares do Centro de Pesquisa Biomédica em Rede (CIBERCV), identificou um mecanismo celular que promove a formação de aneurismas aórticos na síndrome de Marfan.
O estudo, publicado na revista “Nature Communications”, traz novas informações sobre os mecanismos que contribuem para a deterioração progressiva da parede aórtica na síndrome de Marfan, uma complicação para a qual ainda não há tratamentos disponíveis; por isso, a cirurgia preventiva continua sendo a principal estratégia para lidar com ela.
Segundo as descobertas dos pesquisadores, o acúmulo da proteína fibronectina (FN), induzido pelo versicano nas aortas dos pacientes, ativa uma cascata de sinalização que leva à superexpressão da via AKT-NOS2 e à doença aórtica.
A equipe de pesquisa explicou que a origem dessa deterioração está em alterações no material que envolve e dá suporte às células da parede da aorta, o que ativa uma série de sinais celulares que acabam afetando o funcionamento normal desse grande vaso sanguíneo.
Esse fenômeno foi observado tanto em modelos experimentais quanto em amostras de pacientes com síndrome de Marfan, graças à colaboração de grupos clínicos de diferentes hospitais, o que permitiu validar os resultados em tecido aórtico de pacientes com diferentes mutações no gene FBN1, ao mesmo tempo em que reforçou sua relevância para a doença.
Dessa forma, o trabalho identifica “pela primeira vez” as principais etapas desse processo e ajuda a explicar a origem dos aneurismas que podem se desenvolver em pessoas com síndrome de Marfan, uma doença hereditária rara para a qual não existem tratamentos eficazes.
ALVOS TERAPÊUTICOS
O estudo mostra que a modulação dessa via em modelos experimentais pode melhorar parâmetros associados à função vascular e reverter substancialmente o dano aórtico. Esses resultados sugerem que os componentes identificados poderiam se tornar futuros alvos terapêuticos para o tratamento da síndrome de Marfan.
“Os resultados reforçam a ideia de que intervir nos mecanismos moleculares envolvidos poderia ter um impacto relevante na evolução da doença”, destacou o pesquisador do CBM Juan Miguel Redondo.
As descobertas abrem novas linhas de pesquisa voltadas para o desenvolvimento de estratégias farmacológicas que permitam frear ou modificar a progressão da doença aórtica na síndrome de Marfan. “Esse tipo de estudo é essencial para avançarmos rumo a futuras opções terapêuticas que melhorem o prognóstico dos pacientes”, destacou o pesquisador do CBM Miguel R. Campanero.
O estudo contou com financiamento da Fundação La Caixa; do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades e da Agência Estatal de Pesquisa, com recursos do FEDER; do CSIC; da Fundação Pro CNIC; da Fundação La Marató; e do CIBERCV.
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