Publicado 25/05/2026 10:13

Identificam um mecanismo de ativação do sistema imunológico que ajuda a compreender melhor a preparação contra infecções

Archivo - Arquivo - Bactéria que infecta a corrente sanguínea. Sangue, veias, corrente sanguínea
GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / RAYCAT - Arquivo

Se for possível “modular essa via”, seria possível “ativar” as defesas de forma controlada em terapias contra o câncer

MADRID, 25 maio (EUROPA PRESS) -

Uma equipe internacional liderada pela Universidade CEU San Pablo identificou um novo mecanismo de ativação do sistema imunológico mediado pela proteína STING, que permitirá melhorar a compreensão sobre a preparação do organismo para enfrentar infecções e, inclusive, abrir caminho para novas opções terapêuticas.

O estudo, publicado na revista “Cell Communication and Signaling”, demonstra que a proteína STING não é apenas capaz de reagir a infecções induzindo uma resposta antiviral, mas é um regulador que responde a variações de cálcio e ao estresse do retículo endoplasmático, ativando a imunidade inata antiviral, mesmo na ausência de infecções.

Segundo os autores do artigo, essa descoberta muda a forma como se entende uma parte da imunidade inata, a primeira linha de defesa do organismo, com a qual todos os seres vivos nascem e a principal garantia que evita a infecção diante dos agentes infecciosos do dia a dia.

Ao contrário da imunidade adaptativa, que gera anticorpos ou células T específicas contra o patógeno após dias ou semanas, a imunidade inata é que decide, em questão de minutos, se uma célula deve entrar em estado de alarme e se defender contra um patógeno invasor.

O trabalho liderado pelo CEU mostra que, além dos mecanismos habituais de ativação dessa resposta, existe uma ativação não ligada à detecção de moléculas do patógeno; uma ativação de processos puramente celulares, como os mecanismos de entrada de cálcio nas células, combinada com processos de estresse celular, como o que ocorre quando as células precisam produzir muitas proteínas no retículo endoplasmático.

Esses mecanismos foram observados experimentalmente por meio do uso de compostos totalmente alheios às infecções, como a tapsigargina, ou combinações de compostos como DTT juntamente com ionomicina, que criam estados antivirais nas células tratadas.

"O mais fascinante deste trabalho foi observar como, após eliminar por meio do CRISPR os sensores de infecções virais, as células continuavam respondendo, exceto quando se eliminava o STING, uma proteína mediadora da resposta a infecções após a detecção de DNA que não se encontra na célula onde deveria estar; algo que ocorre, por exemplo, durante infecções ou processos de instabilidade cromossômica, como no câncer”, explicou o primeiro autor do estudo, Sergio Rius-Rocabert.

VIA “ALTERNATIVA” E “DEPENDENTE DE STING”

Conforme ele destacou, essa descoberta indicou que se tratava de uma via de comunicação celular “alternativa, dependente de STING, e que havia passado despercebida”.

A relevância desse novo mecanismo vai muito além de uma curiosidade de laboratório, já que a imunidade inata, além disso, é responsável por “dar as ordens” à imunidade adaptativa. A abertura de canais de cálcio é fundamental na ativação de linfócitos, na sinalização nuclear ou na contração muscular, entre outros.

O estudo sugere que esse mecanismo mediado pelo cálcio poderia ajudar a estabelecer condições antivirais nessas células tão vitais. Além disso, poderia prepará-las de maneira especial para se protegerem de ataques de patógenos, já que o cálcio é um mensageiro fundamental na ativação dos linfócitos após a ligação a antígenos específicos, no tecido muscular (contração) e no tecido neuronal (sinapse).

A descoberta poderia ajudar a explicar por que certas doenças neuromusculares apresentam inflamação crônica sem que haja uma infecção ativa.

O diretor do grupo de Virologia e Imunidade Inata da Universidade CEU San Pablo, Estanislao Nistal Villán, destacou as possibilidades terapêuticas da descoberta. Segundo ele explicou, “ser capaz de modular essa via” permitiria “desativar” inflamações indesejadas em doenças autoimunes, bem como “ativar” as defesas de forma controlada em terapias contra o câncer ou no desenvolvimento de novos tratamentos contra infecções e vacinas mais eficazes.

O estudo é resultado de uma colaboração entre a Universidade CEU San Pablo, o Instituto de Saúde Carlos III, a Icahn School of Medicine at Mount Sinai de Nova York (Estados Unidos), o Centro Nacional de Biotecnologia pertencente ao Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CNB-CSIC) e a Universidade de Chicago (Estados Unidos).

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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