Publicado 02/06/2026 10:36

Identificam a sequência terapêutica mais eficaz para o tipo mais comum de câncer colorretal metastático

Archivo - Arquivo - Gastroenterologista mostra o modelo do cólon humano.
LIUDMILA CHERNETSKA/ISTOCK - Arquivo

MADRID, 2 jun. (EUROPA PRESS) -

O Grupo Cooperativo Espanhol de Tratamento de Tumores Digestivos (TTD) divulgou os dados de um ensaio clínico que traz novas evidências sobre a ordem mais adequada de administração de terapias direcionadas em pacientes com câncer colorretal metastático (CCRm) do lado esquerdo, sem mutações no RAS e não tratados anteriormente.

Os pesquisadores apresentaram uma comunicação oral no congresso americano ASCO com os resultados do estudo 'CR-SEQUENCE', um ensaio clínico de fase III, multicêntrico, randomizado e aberto.

O perfil dos pacientes analisados no estudo 'CR-SEQUENCE' — câncer colorretal metastático do lado esquerdo e sem mutações no RAS — representa um dos subtipos mais frequentes dessa doença em estágio avançado. Na Espanha, são diagnosticados cerca de 44.000 novos casos de câncer colorretal a cada ano e, desses, entre 20% e 25% já apresentam metástases no momento do diagnóstico, enquanto outros as desenvolvem posteriormente.

Especificamente, com o subtipo abordado neste ensaio, estima-se que entre 3.000 e 5.000 pacientes na Espanha poderiam se beneficiar a cada ano.

Segundo os autores, até agora, as evidências científicas não haviam definido de forma categórica quais tratamentos poderiam ser utilizados na primeira linha, e havia uma maior variabilidade na escolha da segunda linha, o que deixava uma ampla margem para a prática clínica individual de cada especialista.

O objetivo do estudo “CR-SEQUENCE” foi justamente responder a essa questão: se é mais eficaz começar com um tratamento anti-EGFR seguido de um anti-VEGF, ou fazê-lo na ordem inversa, sempre em combinação com quimioterapia padrão.

“O ‘CR-SEQUENCE’ aborda uma questão muito prática: não apenas qual tratamento utilizar, mas em que ordem utilizá-lo. Nesse tipo de paciente, a ordem pode ser importante para conseguir um controle mais precoce da doença”, explicou o chefe do Serviço de Oncologia do Institut Català d'Oncologia e pesquisador principal do estudo, Ramón Salazar.

“Esses dados ajudam a organizar melhor a prática clínica e a maximizar o controle precoce da doença em um perfil muito específico de pacientes”, destaca Salazar.

MAIOR CONTROLE PRECOCE DA DOENÇA

O ensaio, no qual participaram mais de 400 pacientes, comparou duas estratégias terapêuticas. A primeira sequência consistia na administração de um anti-EGFR, o panitumumab, juntamente com FOLFOX na primeira linha, seguida de bevacizumab, um antiangiogênico, juntamente com FOLFIRI na segunda linha. A segunda sequência invertia essa ordem: bevacizumab com FOLFOX na primeira linha e panitumumab com FOLFIRI na segunda linha.

Os resultados mostram que não foram observadas diferenças estatisticamente significativas entre ambas as sequências na variável principal do estudo, que era a taxa de sobrevida livre de progressão aos 36 meses. No entanto, iniciar o tratamento com a estratégia anti-EGFR apresentou benefícios relevantes no controle precoce da doença, com uma maior taxa de resposta objetiva e uma melhor sobrevida livre de progressão na primeira linha, juntamente com um potencial de maior possibilidade de cirurgia de resgate.

“É importante transmitir a mensagem com precisão: o estudo não atingiu seu objetivo primário, mas nos oferece informações clinicamente valiosas. Iniciar com anti-EGFR permite reduzir mais cedo e de forma mais profunda o volume tumoral em determinados pacientes, algo que pode ter implicações na evolução posterior da doença”, destaca Salazar.

Os autores ressaltam que essa maior resposta inicial pode ser especialmente relevante nos casos em que uma redução significativa do tumor e das metástases abre a porta para avaliar tratamentos locais ou cirurgia de resgate com intenção curativa.

UMA ESTRATÉGIA QUE AJUDA A HOMOGENEIZAR A PRÁTICA CLÍNICA

Os pesquisadores ressaltam que um dos principais valores do estudo é que ele analisa prospectivamente as duas primeiras linhas de tratamento, algo especialmente relevante em um cenário em que, historicamente, a segunda linha nunca havia sido protocolizada.

“Este estudo contribui para homogeneizar a prática clínica porque obriga a pensar, desde o início, em toda a estratégia terapêutica do paciente, não apenas no primeiro passo”, destacou o oncologista do TTD, Professor Emérito da Universidade de Alcalá e pesquisador principal do estudo, Alfredo Carrato.

Nesse sentido, ele ressalta que o 'CR-SEQUENCE' permite avançar em direção a uma medicina mais planejada, na qual a escolha do primeiro tratamento também leve em conta qual será a melhor opção posterior caso a doença progrida.

“No câncer colorretal metastático, cada decisão condiciona a seguinte. Por isso é tão importante dispor de estudos prospectivos que comparem sequências completas e não apenas tratamentos isolados", declarou Carrato.

MEDICINA DE PRECISÃO E BIOPSIA LÍQUIDA

O estudo incorpora, além disso, um componente relevante de pesquisa translacional. Durante o ensaio, foram coletadas amostras de sangue em diferentes momentos do processo para analisar o DNA tumoral circulante por meio de biópsia líquida.

Essa abordagem permitirá estudar a evolução molecular da doença e avançar na identificação de biomarcadores que ajudem a selecionar melhor quais pacientes podem se beneficiar mais de cada sequência terapêutica.

“O próximo passo será aprofundar a hiperseleção molecular por meio do ctDNA. Ou seja, entender melhor quais características biológicas de cada tumor podem nos ajudar a decidir a melhor sequência para cada paciente”, concluiu Salazar.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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