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MADRID 24 fev. (EUROPA PRESS) -
Um estudo internacional liderado pelo Instituto de Biologia Integrativa de Sistemas (I2SysBio) do CSIC-UV e pelo Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês) dos Estados Unidos identificou pontos fracos comuns a diferentes enterovírus que podem ser fundamentais para o desenvolvimento de antivirais universais.
O trabalho, publicado na revista Nature Ecology & Evolution, revela um núcleo estável em dois enterovírus (Enterovírus A71 e Coxsackievírus B3) e uma região com poucas variações na proteína 2C, fundamental para a replicação de vários desses patógenos responsáveis por milhões de infecções a cada ano. Os resultados posicionam essas regiões como futuros alvos terapêuticos para o desenvolvimento de antivirais de amplo espectro. Os enterovírus constituem uma ampla família de patógenos responsáveis por infecções virais em humanos que podem causar desde quadros leves de resfriados até doenças como meningite, paralisia ou inflamação cardíaca. Apesar de seu impacto, “o desenvolvimento de vacinas e antivirais é dificultado por sua extraordinária capacidade de mutação e por seus diversos mecanismos de interação com as células”, alertam os pesquisadores.
Neste estudo, foram mapeadas mais de 80.000 mutações, com uma resolução sem precedentes, para analisar como as mutações afetam o funcionamento de dois enterovírus humanos de grande relevância para a saúde: o Enterovírus A71 (EVA71), causador de diversas patologias neurológicas, como encefalite ou meningite; e o Coxsackievírus B3 (CVB3), que pode causar pancreatite ou miocardite. “Este mapeamento foi realizado utilizando um método de triagem genética ultrarrápida conhecido como deep mutational scanning, que permite avaliar simultaneamente o efeito de dezenas de milhares de mutações diferentes”, explica Beatriz Álvarez, pesquisadora do I2SysBio e autora do artigo.
Os resultados permitiram identificar quais regiões do vírus são universais, essenciais e invariáveis, e quais variam de acordo com o tipo de vírus — seja o EVA71, que afeta o cérebro, ou o CVB3, fundamental em complicações cardíacas — e sua estratégia adaptativa para enganar o sistema imunológico do hospedeiro. Esta descoberta é fundamental para compreender as pressões seletivas básicas que estes vírus enfrentam dentro das células, que determinam quais variantes evoluem para se replicarem com sucesso. Este conhecimento permite orientar a conceção de novos antivirais para essas zonas estáveis que permitem bloquear a capacidade do vírus de escapar através de mutações, evitando assim o aparecimento de resistências aos medicamentos.
Por outro lado, “descobrir as regiões que mudam ao longo da evolução viral permite compreender como surgem novas funções nos vírus e como se desenvolvem as interações com os hospedeiros ao longo do tempo”, acrescenta Álvarez.
A pesquisa revela que tanto o EVA71 quanto o CVB3 compartilham um “núcleo” estável que inclui as peças fundamentais que permitem ao vírus se replicar e montar sua cápside, a cápsula proteica que envolve e protege o material genético do vírus. Essas partes mal toleram mudanças e acabam sendo pontos fracos ideais. “Se forem atacadas com um antiviral, é muito difícil que o vírus consiga escapar por meio de mutações sem perder sua capacidade de infectar”, detalha Ron Geller, um dos principais autores do estudo e líder do grupo de Biologia Viral no I2SysBio.
Outro resultado importante do estudo é a identificação de uma nova bolsa estrutural na proteína 2C, uma região fundamental para a replicação do vírus. Trata-se de uma cavidade em sua superfície projetada para interagir com outras moléculas, o que facilita o desenvolvimento de medicamentos capazes de se encaixar nessa cavidade para alterar a estrutura da proteína e, assim, anular sua função biológica.
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