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MADRID, 6 abr. (EUROPA PRESS) -
Pesquisadores da Universidade de Anglia Oriental, em colaboração com a Universidade Queen Mary de Londres (Reino Unido), identificaram metabólitos derivados de microrganismos ligados à microbiota intestinal que poderiam ajudar a detectar a demência anos antes de um diagnóstico tradicional.
O estudo, publicado na revista “Gut microbes” e parcialmente financiado pela Alzheimer’s Research UK, reforça a ideia de que a conexão intestino-cérebro desempenha um papel importante nas alterações precoces da memória, e seus autores acreditam que as descobertas possam, algum dia, transformar a forma como a demência é detectada.
Essa doença, que afeta 55 milhões de pessoas no mundo, “é um dos maiores desafios de saúde pública”, alertou o pesquisador principal, David Vauzour. “Com a projeção de que os casos aumentarão drasticamente à medida que as populações envelhecem, a urgência de uma detecção mais precoce, um melhor apoio e estratégias de prevenção significativas nunca foi tão grande”, destacou.
A pesquisa analisou amostras de sangue e fezes de 150 adultos com 50 anos ou mais, que variavam de indivíduos saudáveis até aqueles com comprometimento cognitivo leve, que muitas vezes é um precursor da demência. Também foram incluídas pessoas que apresentam lapsos de memória subjetivos, que ainda têm desempenho normal em testes cognitivos padrão, mas sentem que algo “não está totalmente certo”.
Os cientistas examinaram as amostras de sangue em laboratório para analisar 33 metabólitos-chave produzidos pela microbiota intestinal. A partir das fezes, mapearam as comunidades únicas de bactérias que vivem nos sistemas digestivos dos participantes.
Graças a modelos computacionais avançados e ao aprendizado de máquina impulsionado por inteligência artificial (IA), exploraram se combinações específicas desses metabólitos poderiam diferenciar pessoas saudáveis daquelas que apresentam deterioração cognitiva precoce.
RESULTADOS
“O que descobrimos foi realmente surpreendente. Mesmo em pessoas que estavam apenas começando a notar leves alterações na memória, observaram-se mudanças claras tanto em suas bactérias intestinais quanto nos metabólitos que elas liberam na corrente sanguínea”, detalhou Vauzour.
Um modelo de aprendizado de máquina construído com base em apenas seis desses metabólitos (sulfato de indoxilo, colina, ácido 5-hidroxiindolacético, ácido 3-indolpropiónico, ácido quinurênico e quinurenina) conseguiu classificar as pessoas nos três grupos com 79% de precisão e distinguiu adultos saudáveis daqueles com deterioração cognitiva leve com mais de 80% de precisão.
Os pesquisadores esperam que essas descobertas permitam, no futuro, desenvolver exames de sangue simples e não invasivos capazes de identificar as pessoas com maior risco de demência anos antes do diagnóstico, com base na presença dos metabólitos identificados.
O estudo também destaca o potencial do microbioma intestinal como alvo para proteger a saúde cerebral. “Se certas bactérias intestinais ou as substâncias químicas que elas produzem contribuem para o declínio cognitivo precoce, tratamentos que incluem dieta, probióticos, terapias baseadas no microbioma ou nutrição personalizada poderiam, algum dia, fazer parte das estratégias de prevenção da demência”, explicou o Dr. Vauzour.
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