Publicado 28/05/2026 07:15

Identificam maior resistência metabólica do ventrículo direito em comparação com o esquerdo em uma parada cardíaca por fibrilação ve

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MADRID 28 maio (EUROPA PRESS) -

Um estudo liderado pelo Centro Nacional de Pesquisas Cardiovasculares Carlos III (CNIC) revela diferenças entre os dois ventrículos do coração em sua capacidade de resistência aos efeitos de uma parada cardíaca; especificamente, observou-se maior resistência metabólica do ventrículo direito em comparação com o esquerdo no contexto de uma parada cardíaca por fibrilação ventricular (FV).

A pesquisa, publicada na revista 'Cardiovascular Research', demonstra que os sinais elétricos do coração durante uma parada cardíaca por fibrilação ventricular contêm informações essenciais sobre os danos sofridos tanto pelo coração quanto por alguns órgãos críticos, como o cérebro.

A fibrilação ventricular é uma das principais causas de morte súbita cardíaca. Estima-se que, na Espanha, ocorram 17.000 mortes súbitas cardíacas por ano, sendo as arritmias malignas, como a fibrilação ventricular, uma das principais causas.

A maioria desses episódios ocorre fora do hospital, onde as chances de sobrevivência são significativamente menores, situando-se abaixo de 10%, devido ao fato de que a atividade elétrica desorganizada dos ventrículos interrompe imediatamente o bombeamento eficaz de sangue, causando isquemia global e, se não for revertida, a morte em poucos minutos.

O trabalho, liderado pelo Dr. David Filgueiras Rama, chefe do grupo de Desenvolvimento Avançado em Mecanismos e Terapias de Arritmias do CNIC, revela também que o ventrículo direito apresenta maior resistência do que o esquerdo à falta de perfusão sanguínea e oxigênio durante a parada cardíaca.

“Essa diferença gera gradientes na ativação elétrica do coração que refletem a evolução do dano subjacente. Além disso, o uso do sinal elétrico de superfície no contexto de uma parada cardíaca por fibrilação ventricular permite prever as probabilidades de recuperação neurológica após a internação hospitalar”, explica o Dr. Filgueiras Rama.

O estudo identifica que essas diferenças são mais acentuadas entre o epicárdio (superfície externa) e o endocárdio (superfície interna), embora as discrepâncias se mantenham entre o epicárdio do ventrículo direito e do esquerdo. A maior resistência do ventrículo direito traduz-se na manutenção de sua atividade elétrica por mais tempo, o que se deve a uma melhor preservação metabólica e maior tolerância à isquemia. Esses dados foram confirmados por meio de simulações computacionais desenvolvidas em colaboração com a Universidade Politécnica de Valência.

“Os resultados no âmbito clínico corroboram o valor prognóstico do eletrocardiograma de superfície no contexto de uma parada cardíaca por fibrilação ventricular. Isso permite identificar os pacientes com maior probabilidade de recuperação sem sequelas neurológicas graves”, destaca Filgueiras Rama.

Por sua vez, o Dr. Jorge García Quintanilla, pesquisador sênior do grupo do CNIC e também pesquisador do CIBERCV, destaca que “essas descobertas fornecem pistas fundamentais para o desenvolvimento de terapias destinadas a proteger o ventrículo esquerdo e melhorar sua resistência à isquemia durante a parada cardíaca”.

Na mesma linha, o Dr. Andrés Redondo Rodríguez, primeiro autor do trabalho e também membro do grupo do CNIC e pesquisador do CIBERCV, ressalta a importância de uma abordagem multidisciplinar para lidar com problemas arrítmicos complexos como a fibrilação ventricular, o que permitirá desenvolver novas terapias em um campo com avanços limitados nas últimas décadas.

A pesquisa foi realizada com a colaboração de instituições nacionais, como o Instituto de Pesquisa em Saúde do Hospital Clínico San Carlos (IdISSC); o Centro de Pesquisa Biomédica em Rede de Doenças Cardiovasculares (CIBERCV); o Instituto de Investigação Sanitária da Fundação Jiménez Díaz, o Centro de Investigação e Inovação em Bioengenharia (Ci2B) da Universidade Politécnica de Valência, a Fundação Interhospitalar para a Investigação Cardiovascular (FIC) e a Universidade Complutense de Madrid.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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