MADRID, 24 nov. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe multidisciplinar do Instituto de Saúde Carlos III (ISCIII) identificou pela primeira vez, em estudos realizados in vitro com modelos celulares e moleculares, os mecanismos pelos quais os nanoplásticos alteram a função da tireoide. Essas alterações, dependendo do tempo e dos níveis de exposição, podem representar riscos à saúde.
O estudo, que foi publicado no Journal of Hazardous Materials, é liderado pelo Centro Nacional de Saúde Ambiental (CNSA) e pela Unidade Funcional de Pesquisa em Doenças Crônicas (UFIEC) pelos pesquisadores Mónica Torres Ruiz (CNSA) e Antonio De la Vieja (UFIEC).
Os nanoplásticos surgem da degradação de plásticos maiores para gerar partículas menores que um mícron. Devido ao seu tamanho minúsculo, eles têm um risco potencial maior para a saúde, pois podem facilmente atravessar diferentes barreiras biológicas e se acumular nos tecidos humanos.
A pesquisa analisa, usando modelos de células de laboratório, o impacto nas vias celulares da tireoide de nanopartículas de poliestireno, um dos plásticos mais comumente usados e com maior presença no meio ambiente (água, terra e ar). Essas células são responsáveis pela síntese dos hormônios da tireoide (T3 e T4), que são essenciais para a sinalização em todas as células do corpo e são particularmente importantes durante o desenvolvimento fetal e a lactação.
A equipe do ISCIII observou in vitro que as partículas nanoplásticas, com apenas 30 nanômetros de tamanho, se acumulam muito rapidamente dentro das células - especialmente nos lisossomos e no retículo endoplasmático - e causam alterações em genes e proteínas essenciais para a produção e o transporte dos hormônios da tireoide. As descobertas mais relevantes incluem uma diminuição na expressão de moléculas importantes, como o transportador de iodo (NIS) e a tireoglobulina (Tg), bem como um aumento geral no estresse oxidativo celular.
LIMIARES DE EXPOSIÇÃO: TEMPO E QUANTIDADE SÃO FUNDAMENTAIS
Além disso, o estudo estabelece, usando técnicas de avaliação de risco de nova geração, um limite de exposição de 11 partículas por célula acima do qual ocorrem efeitos de desregulação endócrina. No presente estudo, já foram observados efeitos nessas concentrações em alguns dos genes estudados.
De acordo com os autores, os resultados demonstram, em modelos celulares, que os nanoplásticos podem alterar a homeostase da tireoide em modelos "in vitro". A partir disso, conclui-se que eles poderiam contribuir para o desenvolvimento de doenças como hipotireoidismo ou distúrbios do neurodesenvolvimento em pessoas expostas a esses poluentes, embora sejam necessários mais estudos sobre a presença dessas partículas em nossos corpos, suas concentrações e sua localização.
O trabalho destaca a necessidade de incluir micro e nanoplásticos nas avaliações de risco químico e propõe o uso de novas metodologias de avaliação toxicológica para estimar seu possível impacto na saúde humana.
Esse é um trabalho multidisciplinar dentro do ISCIII que inclui os pesquisadores Patricia Iglesias Hernández e Antonio De la Vieja, da Unidade de Tumores Endócrinos (UFIEC); Mónica Torres-Ruiz e Ana I. Cañas Portilla, da Unidade de Toxicologia Ambiental (CNSA); José Vicente Tarazona, da Unidade de Avaliação de Riscos (CNSA); Juliana Manosalva e Diego Megías, da Unidade de Microscopia Óptica, e Félix Docando, da Unidade de Microscopia Eletrônica.
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