MADRID 28 nov. (EUROPA PRESS) -
Um estudo realizado por especialistas ligados ao GeSIDA (Grupo de Estudos da AIDS da Sociedade Espanhola de Doenças Infecciosas e Microbiologia Clínica) identificou uma série de alterações imunológicas e virológicas que poderiam antecipar o desenvolvimento de câncer em pessoas que vivem com HIV, mesmo um ano antes do diagnóstico.
Apresentadas no XVI Congresso Nacional do GeSIDA, as descobertas desse trabalho abrem novos caminhos para melhorar a detecção precoce de tumores não definidores de AIDS (NADCs) nessa população por meio de um monitoramento imunológico mais personalizado.
O GeSIDA ressalta que, desde a introdução do tratamento antirretroviral, a expectativa de vida das pessoas com HIV aumentou significativamente. No entanto, alerta que houve um aumento de cânceres não diretamente relacionados à AIDS, cuja incidência e mortalidade permanecem mais altas do que na população em geral. Esse aumento do risco é atribuído ao envelhecimento acelerado do sistema imunológico e à redução da capacidade do corpo de detectar e eliminar células tumorais.
O estudo, realizado por pesquisadores do Hospital Clínic de Barcelona, analisou 110 pessoas com HIV, 55 das quais haviam sido diagnosticadas com câncer entre 2017 e 2023 e 55 atuaram como um grupo de controle sem histórico de tumores. Todos foram avaliados quanto aos níveis de inflamação crônica, marcadores de regulação imunológica ("pontos de verificação") e o tamanho do reservatório viral do HIV. Foram usadas técnicas avançadas de análise molecular e estudadas amostras de sangue obtidas na inclusão e de um subgrupo de pacientes 12 meses antes do diagnóstico de câncer.
Os resultados mostraram que as pessoas com HIV que desenvolveram câncer tinham quase o dobro da quantidade de vírus "integrados" em suas células do que aquelas sem câncer. Elas também apresentavam níveis mais altos de vários sinais imunológicos alterados, indicando que seu sistema de defesa estava mais ativado e fatigado do que o normal.
Esses sinais incluíam proteínas que regulam a resposta imunológica, como LAG3, PD-1, TIM-3 e CTLA-4, cuja ativação excessiva pode enfraquecer a capacidade do organismo de controlar o vírus e as células tumorais. Também foram detectados marcadores de inflamação, incluindo CD30, CD30L, GROa e TNF-RII, que refletem um estado inflamatório persistente no corpo e estão associados a um risco maior de desenvolver câncer.
De particular relevância, essas alterações já estavam presentes um ano antes do diagnóstico de câncer, sugerindo seu valor potencial como indicadores precoces do risco de câncer.
O estudo sugere que as pessoas com HIV que desenvolvem câncer apresentam um perfil imunológico e inflamatório alterado que pode ser detectado antes do início clínico do tumor. Entretanto, de acordo com os autores, esses dados devem ser considerados preliminares e confirmados com análises estatísticas mais precisas e séries maiores de pacientes antes de serem implementados na clínica.
"Esses resultados abrem a porta para o desenvolvimento de biomarcadores imunológicos no acompanhamento de rotina de pessoas com HIV, com o objetivo de favorecer a detecção precoce de cânceres não definidores de AIDS e melhorar seu prognóstico", concluem.
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