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MADRID 23 jul. (EUROPA PRESS) -
Uma equipe liderada pelo Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa (CBM-CSIC-UAM) analisou as bactérias que vivem sob as gengivas e identificou quais estão associadas ao risco de sofrer de periodontite, uma doença grave que afeta os tecidos ao redor dos dentes e pode causar danos irreversíveis.
Os pesquisadores do CBM-CSIC-UAM, em colaboração com a Science and Healthcare for Oral Welfare (França), elaboraram um mapa dessas bactérias que poderia ser usado para oferecer tratamentos mais personalizados no consultório do dentista.
A periodontite é uma infecção crônica que afeta os tecidos ao redor do dente (periodonto) e inicialmente causa inflamação das gengivas (gengivite). Se não for diagnosticada e tratada a tempo, pode levar à perda do dente e, em alguns casos, a diabetes, doenças cardiovasculares e até mesmo ao mal de Alzheimer. A doença periodontal grave, que afeta os tecidos que circundam e sustentam o dente, afeta quase 10% da população mundial, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).
As gengivas saudáveis, com gengivite ou periodontite, abrigam comunidades de bactérias que variam de acordo com o estado de saúde. Nesse estudo, publicado no Journal of Clinical Periodontology, os cientistas identificaram 394 grupos bacterianos, organizados em 10 grandes complexos que atuam como pequenas vizinhanças dentro da placa dentária.
O complexo 6 foi associado a gengivas saudáveis, com bactérias formando camadas estáveis e ordenadas. O complexo 10, por outro lado, foi identificado como um indicador de doença, com bactérias conhecidas por estarem associadas à periodontite, como a "Porphyromonas gingivalis" ou a "Treponema denticola".
Além disso, eles descobriram que a gengivite é um estado intermediário, no qual coexistem bactérias relacionadas à boa saúde e outras relacionadas à doença, mostrando que a periodontite não é uma mudança abrupta de bactérias "boas" para "ruins", mas um processo progressivo.
Para estudá-las, a equipe usou uma técnica chamada sequenciamento do gene 16S rRNA, que permite identificar com precisão quais bactérias estão em cada amostra. Para organizar a grande quantidade de dados obtidos por essa técnica, os pesquisadores usaram um método chamado atribuição taxonômica, que consiste em classificar cada bactéria detectada de acordo com sua espécie e seus parentes mais próximos, agrupando-as em categorias claras. Isso permite a criação de mapas bacterianos, que ajudam a ver quais comunidades estão associadas a uma boca saudável e quais estão associadas a uma boca doente.
"É como fazer um censo de um país: não apenas contar quantas pessoas existem, mas saber quem é quem e onde elas vivem. Assim, podemos identificar se em um bairro, que seria a nossa gengiva, tudo está em ordem ou se há sinais de que algo está errado", explica Julien Santi-Rocca, primeiro autor do estudo.
PISTAS PARA IDENTIFICAR A DOENÇA
A equipe destaca o potencial do uso da microscopia no consultório do dentista para observar essas bactérias em tempo real. Por exemplo, o estudo gravou vídeos que mostram a diferença entre uma gengiva saudável, com bactérias estáticas e limpas, e uma gengiva com periodontite, com bactérias em movimento rápido e em forma de espiral ("Treponema"), que são facilmente detectáveis ao microscópio. Graças a essas ferramentas, os dentistas puderam avaliar rápida e visualmente o nível de risco de cada paciente e antecipar a evolução da doença periodontal.
"Ser capaz de identificar essas pegadas bacterianas precocemente abre as portas para estratégias de prevenção e tratamentos personalizados. Isso nos permite intervir antes que ocorram danos graves, protegendo não apenas a saúde bucal, mas também a saúde geral das pessoas", diz Núria Gironès, principal autora do estudo.
De acordo com os pesquisadores, esse avanço na compreensão da ecologia bacteriana das gengivas é fundamental para que a periodontite deixe de ser uma doença silenciosa e crônica, transformando a maneira como ela é diagnosticada e prevenida nos consultórios dos dentistas.
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