Publicado 29/04/2026 08:45

Identificada uma molécula que protege o pâncreas da toxicidade associada ao diabetes tipo 2

Identificada uma molécula que protege o pâncreas da toxicidade associada ao diabetes tipo 2
CSIC

MADRID 29 abr. (EUROPA PRESS) -

Um estudo internacional liderado pelo Centro de Neurociências Cajal do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CNC-CSIC) identificou uma pequena molécula que protege o pâncreas da toxicidade associada ao diabetes tipo 2; o QBP1 é capaz de frear um processo inicial de agregação de proteínas que contribui para a deterioração desse órgão quando se sofre da referida doença.

Conforme evidenciado por este trabalho, em modelos celulares, esse peptídeo formado por oito aminoácidos evita a formação de agregados tóxicos da proteína amilina, que danificam as células produtoras de insulina. Além disso, ele demonstra um potencial polivalente, pois parece reconhecer um determinado tipo de estrutura em vez de uma sequência específica, o que permite que iniba outras proteínas amilóides.

“Essa abordagem, portanto, poderia ser estendida a outras doenças nas quais a agregação de proteínas amilóides desempenha um papel fundamental, como o Parkinson e a esclerose lateral amiotrófica (ELA)”, indicaram os cientistas que participaram desta pesquisa, cujo autor principal é o membro do CNC-CSIC, Mariano Carrión, que destacou que “o peptídeo QBP1 atua como um potente modulador da forma da amilina para limitar sua transição para estruturas tóxicas”.

Tudo isso retarda “a formação de amiloide” e reduz “a geração de espécies potencialmente nocivas”, continuou ele, acrescentando que “esse efeito está associado à proteção das células B pancreáticas, ao diminuir o acúmulo de agregados e o dano celular associado”. Chegou-se a essa conclusão por meio de um trabalho colaborativo com os institutos de Química Física Blas Cabrera (IQF-CSIC) e de Pesquisas Biomédicas Sols-Morreale desta instituição e da Universidade Autônoma de Madri (IIBM-CSIC-UAM).

Além disso, participaram o Centro de Investigação Biomédica em Rede de Diabetes e Doenças Metabólicas Associadas (CIBERDEM) e o Instituto de Física da Academia Polonesa de Ciências (IFPAN), com o objetivo de abordar os depósitos tóxicos que destroem as células B, responsáveis pela produção de insulina. Em condições normais, a amilina pode assumir diferentes formas de dobramento, com efeitos distintos sobre as células do pâncreas.

POTENCIAL COMO CANDIDATO TERAPÊUTICO

Assim, “quando se dobram de forma anômala, elas começam a se aglomerar e formam agregados tóxicos que impedem o funcionamento correto das células produtoras de insulina”, afirma este estudo, que também mostra que a atividade do QBP1 é comparável à de outros inibidores descritos, mesmo trabalhando com doses inferiores, o que reforça seu potencial como candidato terapêutico para o desenvolvimento de estratégias direcionadas ao diabetes tipo 2.

Além disso, os especialistas apontaram que são fornecidas informações relevantes sobre os mecanismos moleculares envolvidos em sua ação, “proporcionando uma base sólida para futuros desenvolvimentos pré-clínicos e para a otimização do peptídeo, caso seja necessário”. Isso foi possível graças à combinação de ressonância magnética nuclear e espectroscopia de dicroísmo circular, que permitiram analisar, em nível molecular, como esse peptídeo interfere na agregação da amilina.

Em seguida, por meio de simulações computacionais, foi identificado o tipo de forças que estabilizam a ligação entre o fármaco e seu alvo. Por fim, os modelos celulares permitiram comprovar que, na presença do peptídeo, as células pancreáticas melhoram sua viabilidade e mantêm sua função em um contexto relevante para a doença.

“A pesquisa superou com sucesso a fase in vitro, encontrando-se atualmente em sua fase pré-clínica inicial, com um claro potencial de transposição para o âmbito biomédico a médio-longo prazo”, explicou Carrión, acrescentando que “os modelos celulares demonstraram a eficácia do QBP1 na modulação do processo de agregação da amilina e na proteção contra o dano celular associado”, o que representa “um aspecto relevante para o desenvolvimento de futuras estratégias terapêuticas para o diabetes tipo 2, tanto para a prevenção quanto para o tratamento”.

Por fim, e após destacar que este trabalho já iniciou sua validação em camundongos, o CSIC informou que a aplicação médica do QBP1 já conta com uma patente internacional. Os direitos serão adquiridos pela DisruPep, uma “spin-off” do próprio grupo de pesquisa que atualmente busca investidores para levar esse candidato a medicamento ao ponto em que se possam iniciar os ensaios clínicos em humanos.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

Contador

Contenido patrocinado