GRANADA 15 abr. (EUROPA PRESS) -
Um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) apresentou a análise mais completa até o momento do exoplaneta 'GJ 1214 b' em alta resolução, com base na combinação de oito trânsitos observados com o instrumento Crires+ do Very Large Telescope (VLT) da ESO.
Embora não tenha sido possível detectar moléculas diretamente, o trabalho permite delimitar com maior precisão a natureza de sua atmosfera e descartar diferentes cenários.
Este exoplaneta, um mini-Netuno proposto como possível planeta oceânico, tornou-se um dos objetos mais estudados de seu tipo. Descoberto há mais de uma década, seu raio, massa e parâmetros orbitais foram determinados com precisão graças a observações de trânsito e velocidade radial.
No entanto, sua atmosfera continua sendo extremamente difícil de decifrar; as observações, tanto terrestres quanto espaciais, mal permitiram revelar sua composição.
“Nossos resultados apontam para uma atmosfera muito rica em elementos pesados e/ou coberta por nuvens ou neblina em grande altitude, algo que se encaixa na imagem que começava a se delinear com observações recentes, mas que agora é reforçada por este estudo de alta resolução, o mais exaustivo até o momento”, destaca Alberto Peláez, pesquisador do IAA-CSIC e autor principal do estudo.
RESISTÊNCIA
O exoplaneta GJ 1214 b é quase um “clássico” da astronomia de exoplanetas: é observado há anos e várias de suas propriedades fundamentais são bem conhecidas, mas sua atmosfera continua sendo especialmente difícil de caracterizar, tanto do espaço quanto da Terra.
Parte dessa dificuldade reside na própria técnica utilizada para estudá-lo, baseada na análise de trânsitos planetários: quando o planeta passa à frente de sua estrela, uma pequena fração da luz estelar atravessa sua atmosfera antes de chegar à Terra.
Essa sutil filtragem contém os vestígios dos gases presentes, mas, no caso de GJ 1214 b, o sinal é especialmente fraco e, em grande parte, fica oculto pela presença de nuvens ou neblina nas camadas superiores de sua atmosfera.
“Isso torna este trabalho muito interessante: mesmo quando não encontramos uma detecção clara, essa ‘ausência’ também nos fornece informações muito valiosas”, explica Alberto Peláez (IAA-CSIC).
“Neste caso, após combinar oito noites de observação com o instrumento Crires+, isso nos indica que provavelmente estamos diante de uma atmosfera muito coberta por nuvens e muito rica em elementos pesados, ou seja, uma atmosfera compacta e difícil de sondar”.
O Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), que liderou o estudo — publicado na revista ‘Astronomy & Astrophysics’ —, contou com a colaboração do Instituto de Astrofísica das Canárias, onde foi realizada a redução dos dados, bem como com a visão especializada de colaboradores da Universidade de Oxford, do Space Telescope Science Institute e da Universidade Técnica da Dinamarca.
PRÓXIMA GERAÇÃO DE TELESCÓPIOS
Este trabalho não se concentra apenas no que é possível observar hoje, mas também no que poderá ser alcançado no futuro.
A equipe científica simulou como seria um trânsito de GJ 1214 b com o ANDES, o espectrógrafo de alta resolução que será instalado no Extremely Large Telescope (ELT) da ESO, ainda em construção.
Essas simulações permitem antecipar quais melhorias trarão os telescópios de nova geração. Em particular, elas mostram que certas moléculas, como o metano ou o dióxido de carbono, poderiam desempenhar um papel fundamental na caracterização dessas atmosferas, mesmo nos casos mais difíceis.
“Este trabalho conecta diretamente as observações atuais com as capacidades futuras do ELT”, destaca Alejandro Sánchez, pesquisador de pós-doutorado do IAA-CSIC contratado no âmbito do programa Severo Ochoa e responsável pelo desenvolvimento das simulações.
“Isso nos permite entender que tipo de atmosferas continuarão sendo difíceis de estudar e em que casos instrumentos como o ANDES farão uma diferença decisiva”.
Esses resultados abrem um caminho promissor para o estudo dos sub-Netunos e das super-Terras, os planetas mais abundantes da galáxia e, ao mesmo tempo, os mais desconhecidos, já que não têm equivalente em nosso sistema solar.
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