Publicado 03/06/2026 06:50

O IAA-CSIC apresenta o estudo mais completo até o momento sobre a megaexplosão do cometa 17P/Holmes

Imagem do cometa 17P/Holmes vista da Terra, capturada em 1º de novembro de 2007 pelo astrofotógrafo Alan Dyer. Créditos: NASA, ESA e A. Dyer.
IAA-CSIC / ALAN DYER

GRANADA 3 jun. (EUROPA PRESS) -

Um estudo liderado pelo Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) apresenta uma nova reconstrução física da megaexplosão do cometa que surpreendeu o mundo em 2007, o 17P/Holmes. Trata-se, além disso, do primeiro estudo que apresenta uma compilação completa de todas as explosões documentadas desse cometa desde sua descoberta em 1892.

Em outubro de 2007, ocorreu um dos eventos cometários mais espetaculares já observados: a megaexplosão do cometa 17P/Holmes. Um aumento repentino de quase meio milhão de vezes em seu brilho tornou-o visível a olho nu, e sua coma em expansão (a nuvem de gás e poeira que envolve o núcleo do cometa) chegou temporariamente a atingir um tamanho aparente maior do que o do Sol.

Quase duas décadas depois, o Instituto de Astrofísica da Andaluzia lidera um estudo, publicado recentemente na revista 'Monthly Notices of the Royal Astronomical Society', que oferece uma nova reconstrução física daquele evento. O trabalho permite estimar quanta matéria foi ejetada, quantas partículas foram liberadas e qual era o tamanho delas.

“Este é também o primeiro estudo que oferece um resumo histórico completo de todas as explosões documentadas do 17P/Holmes, abrangendo mais de 130 anos desde a descoberta do cometa em 1892”, destaca Maria Gritsevich, pesquisadora do IAA-CSIC que lidera o trabalho.

UM AUMENTO INESPERADO DE BRILHO

As explosões cometárias, também conhecidas como “cometary outbursts”, são aumentos repentinos e imprevisíveis do brilho e da atividade de um cometa, durante os quais grandes quantidades de poeira e gás são ejetadas para o espaço. Embora sejam fenômenos recorrentes e amplamente estudados, os processos físicos que os desencadeiam ainda não são totalmente compreendidos.

No caso da megaerupção de 2007, as numerosas pesquisas observacionais e teóricas realizadas até agora não haviam conseguido explicar algumas propriedades fundamentais do material ejetado pelo 17P/Holmes. As observações mostram que a nuvem de poeira e gás não se expandiu de forma simples e uniforme, mas de maneira muito mais complexa, com partículas se movendo a velocidades diferentes e em direções distintas.

Com esse objetivo, a equipe de pesquisa, liderada pelo grupo ARAE do IAA-CSIC, analisou observações históricas do cometa realizadas entre 1892 e 2021, com especial atenção ao espetacular evento de 2007, para reconstruir como se comporta o material ejetado durante esses episódios.

A partir das variações de brilho registradas em diferentes explosões, a equipe estimou a quantidade de poeira liberada, o tamanho das partículas e a forma como elas se expandiram no espaço.

“Nossos resultados indicam que as grandes explosões cometárias podem ser explicadas pela expulsão de enormes quantidades de poeira extremamente fina e porosa”, explica Gritsevich. “Esse material dispersa a luz solar com grande eficácia, fazendo com que o cometa aumente repentina e drasticamente seu brilho, a ponto de se tornar visível a olho nu”, acrescenta.

O estudo mostra, assim, que episódios tão extremos quanto o de 2007 podem surgir naturalmente pela liberação de enormes quantidades de partículas muito pequenas, e não necessariamente porque o cometa expulse uma massa excepcionalmente grande de material.

“Os resultados também fornecem informações essenciais para futuras simulações de rastros de poeira cometária e são relevantes para o planejamento de futuras missões a cometas”, acrescenta Alberto J. Castro-Tirado, professor de pesquisa do IAA-CSIC e coautor do estudo.

Em alguns casos, o material ejetado durante grandes explosões cometárias pode acabar cruzando a órbita da Terra e dar origem a chuvas de meteoros. Embora atualmente 17P/Holmes não esteja associado a nenhuma chuva de estrelas visível a partir do nosso planeta, seu estudo ajuda a compreender como os cometas alimentam as correntes de meteoroides e contribuem com partículas de poeira recém-ejetadas para o espaço interplanetário após episódios de atividade extrema.

“De forma mais ampla, este trabalho poderá nos ajudar no futuro a identificar e analisar material liberado por cometas que apenas atravessaram transitoriamente o Sistema Solar ou mesmo por cometas que já não existem porque se desintegraram completamente”, conclui Gritsevich.

Além do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC), participaram do estudo pesquisadores e pesquisadoras do Institut de Ciències de l'Espai (ICE-CSIC), do Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha (IEEC), da Universidade de Málaga (UMA) por meio de sua Unidade Associada ao CSIC pelo IAA, da Universidade de Helsinque, da associação astronômica Ursa Astronomical Association (Finlândia), da Universidade Federal dos Urais (Rússia) e da Universidade de Rzeszów (Polônia).

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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