MADRID 7 jul. (Portaltic/EP) -
Os espanhóis integraram a inteligência artificial (IA) em seu dia a dia, ampliando seu uso a ponto de ela se tornar uma ferramenta que os acompanha na realização de qualquer tarefa, com 93,5% afirmando utilizar grandes modelos de linguagem (LLM) ou assistentes de IA regularmente, chegando até a utilizar três ferramentas ou mais ao mesmo tempo em 42% dos casos.
Essa adoção de tecnologias de IA na vida dos usuários reflete uma mudança de paradigma no mercado de consumo digital, que deixa para trás a “monogamia tecnológica” para passar a optar pelo uso de várias opções ao mesmo tempo, que atendam a necessidades específicas.
É o que constata o relatório intitulado “A IA é o novo intermediário para vender, contratar, financiar e prestar contas”, elaborado pela LLYC e pela Appinio, no qual foram entrevistados mais de 2.000 espanhóis durante o mês de abril, com idades entre 18 e 65 anos.
Especificamente, considerando que a maioria dos espanhóis usa IA, os resultados detalham que 42,8% dos entrevistados utilizam simultaneamente três ou mais modelos de linguagem distintos. O ChatGPT da OpenAI, o Gemini do Google e o Google Assistant são os mais utilizados.
Nesse sentido, é preciso levar em conta que, para os desenvolvedores e empresas de IA, a batalha já não se dá na tentativa de substituir os demais assistentes, mas sim em conquistar a preferência dos usuários para tarefas específicas do dia a dia, mesmo que isso signifique coexistir com outro assistente no mesmo dispositivo, conforme detalhou a consultoria em um comunicado.
Tendo isso em mente, o relatório destaca o papel da OpenAI, que teve uma velocidade de penetração na Espanha que “não tem precedentes históricos no ambiente digital”, segundo a LLYC. Isso se deve ao fato de que 84,1% da população da Espanha utiliza o assistente ChatGPT e apenas 3,2% afirmaram não conhecê-lo.
Esses dados ficam mais claros quando comparados ao uso de outras plataformas conhecidas, como a rede social de mensagens instantâneas WhatsApp ou o Instagram, da Meta. Em comparação com o WhatsApp, o ChatGPT alcançou, em menos de três anos, um nível de penetração superior a 80%, o que “levou anos para o WhatsApp conseguir”. Já o Instagram nunca alcançou tal penetração nesse mesmo segmento demográfico.
TRÊS ASSISTENTES OU MAIS PARA O DIA A DIA
Além do ChatGPT, o Gemini, do Google, vem logo atrás, com 67% dos usuários que o utilizam na Espanha e 6,8% que afirmam não conhecer o assistente de IA. Da mesma forma, o Google Assist, da mesma empresa, conta com 56,7% dos espanhóis que o utilizam e 9,4% que não o conhecem.
A Alexa, da Amazon (51,3%), e a Siri, da Apple (35,1%), completam a lista dos cinco assistentes de IA mais utilizados na Espanha, deixando de fora outros como o Copilot da Microsoft, o Perplexity ou o próprio Claude da Anthropic, que apresentam uma porcentagem mais elevada de desconhecimento, chegando a 51,4% que afirmam não conhecer o modelo neste último caso.
Outras opções de assistentes, como o chinês DeepSeek ou o Bixby, da Samsung, ficam relegadas entre as menos utilizadas na Espanha, com 17,8% e 15,7%, respectivamente. No entanto, o fato de várias opções de IA serem utilizadas, dependendo do uso que se pretende dar ou da disponibilidade dos assistentes, indica que os usuários já não estão na fase de “experimentar a novidade”, mas sim na de “otimizar seu uso diário”, como afirmou a diretora-geral da Appinio na Espanha, Teresa Martos.
“A IA assumiu um caráter puramente pragmático: o consumidor seleciona o modelo ideal de acordo com o desafio específico que precisa resolver em sua rotina diária”, acrescentou a executiva.
IA PARA BUSCAR NOTÍCIAS OU NO ÂMBITO COMERCIAL
Além da quantidade de modelos utilizados pelos usuários, o Relatório também revela que a IA é empregada para múltiplas e diversas tarefas, como a busca de notícias ou contexto sobre um tema, algo para o qual 37,9% dos espanhóis a utilizam.
Nessa mesma linha, 35,9% afirmam usar os assistentes para resolver dúvidas práticas do dia a dia e da vida doméstica. Por exemplo, procuram receitas de comida ou formas de preparar alimentos.
No entanto, um dos setores que se destaca no relatório é o comercial e de consumo, onde o uso dos assistentes de IA também atinge uma porcentagem elevada, com 34,2% dos usuários recorrendo a esses serviços para obter inspiração e buscar ideias de produtos.
Por fim, os espanhóis também recorrem aos assistentes para utilizar suas funções de processamento de linguagem, precisamente um “eixo fundamental” dessa tecnologia, conforme avaliou a LLYC. Isso se deve ao fato de que 31,7% utilizam a IA para redigir textos e e-mails, 31,8% para consultas profissionais ou acadêmicas e 27,6% como “alavanca de inspiração criativa”.
O ‘TRUST LOOP’
Além de tudo isso, o relatório traz à tona o mito sobre o “risco reputacional” de utilizar IA na comunicação corporativa. Essa ideia se refere à mentalidade de algumas marcas, que optam por ser cautelosas em relação ao uso da IA por medo de gerar rejeição.
No entanto, os resultados do relatório refletem que se trata de uma “premissa falsa”, já que 55,3% dos espanhóis afirmam que o uso da IA em serviços ou na comunicação de uma marca lhes inspira “mais confiança”, contra 11,5% que declaram o contrário. Mesmo na faixa etária “mais cética”, que vai dos 55 aos 65 anos, a percepção positiva da IA nesses casos supera a rejeição em quase cinco pontos percentuais.
Esse fenômeno é denominado “trust loop” ou ciclo de confiança, no qual o uso contínuo das ferramentas “derruba os preconceitos do usuário” e, ao contrário do “trust gap”, gera um ambiente de recomendação que “beneficia toda a categoria tecnológica”.
“O mercado espanhol não só está preparado, como também valoriza a transparência e a adoção tecnológica”, concluiu, a esse respeito, o diretor-geral de Estratégia de IA da LLYC, Jesús Moradillo.
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