Publicado 30/06/2026 09:51

IA, educação digital e famílias diante do desafio de proteger os menores nas redes sociais

Menores de idade que utilizam redes sociais.
FREEPIK

MADRID 30 jun. (Portaltic/EP) -

As redes sociais se apresentam como um espaço no qual os menores necessitam de medidas de segurança específicas para evitar riscos como o assédio, a visualização de conteúdo explícito ou a promoção de comportamentos de risco; diante disso, a inteligência artificial (IA), a educação digital e o apoio familiar tornam-se ferramentas de proteção essenciais, segundo a Funditec Research.

O uso e a presença de menores nas redes sociais representam um debate complexo e aberto atualmente, com países que optam pela regulamentação dessas plataformas e, inclusive, pela proibição do acesso de menores a esse tipo de serviço, como é o caso da Austrália e do Reino Unido.

No entanto, na Funditec Research, considera-se que adotar essa postura de proibição em relação às redes sociais não resolve o problema de fundo, deixando em aberto a possibilidade de que os menores “encontrem maneiras de contornar a proibição” e fazendo com que os pais “tenham a falsa sensação de que alguém está cuidando do problema”.

Por ocasião do Dia Mundial das Redes Sociais, comemorado todo dia 30 de junho, a organização destacou como o uso de ferramentas de IA, a educação digital e o apoio familiar podem servir de base para detectar riscos e oferecer proteção aos menores nessas plataformas, em vez de se optar pela proibição.

Conforme expressou a esse respeito o diretor da Funditec Research e especialista em IA e segurança cibernética, Gonzalo Álvarez Marañón, em um comunicado, proibir é “a resposta mais fácil para um problema complexo, o que deveria nos deixar desconfiados”.

Em vez disso, o especialista esclareceu que promover outras estratégias de longo prazo é mais útil, como é o caso da alfabetização digital. Ou seja, ensinar aos menores como funcionam os algoritmos, o que as plataformas fazem com seus dados e como identificar situações de manipulação. Essa perspectiva “forma cidadãos mais resilientes do que qualquer proibição de acesso”, acrescentou ele.

Seguindo essa linha, Álvarez Marañón também destacou o papel essencial dos pais no que diz respeito às redes sociais, que é tão necessário quanto a aprendizagem, pois “nenhuma lei substitui a conversa entre pais e filhos”, como ele avaliou.

Nesse caso, o executivo afirmou que os menores que crescem com referências claras sobre tecnologia fornecidas por adultos acabam sendo “mais resilientes” do que aqueles que estão apenas “sob proteção legal”, pois, na verdade, o menor não compreende o que aconteceu e aprende a “contornar” a situação.

A IA COMO FERRAMENTA DE APOIO, APESAR DE SEUS RISCOS

Além disso, Álvarez Marañón também destacou o uso de ferramentas baseadas em IA como uma opção de apoio para detectar possíveis riscos nas redes sociais e, ao mesmo tempo, oferecer proteção aos menores.

Nesse sentido, ele indicou que a IA pode ser utilizada para “detectar padrões de assédio, conteúdo explícito ou comportamentos de risco com bastante eficácia” nas redes sociais. Um exemplo disso é o Meta, que utiliza sistemas avançados de IA para aplicar de forma proativa suas normas de conteúdo e identificar o conteúdo ilegal e mais grave em suas plataformas. Além dessas ferramentas de IA, elas também estão sendo aplicadas em serviços de supervisão parental, como lembrou a Funditec.

Apesar de ser uma tecnologia de grande utilidade, é preciso levar em conta que, às vezes, ela também atua como parte do problema, por exemplo, impulsionando o conteúdo falso distribuído nas redes sociais e gerado por IA, como os “deepfakes”.

Além disso, Álvarez Marañón também destacou que as ferramentas de IA podem se transformar em “vigilância generalizada se quem as operar não for a família, mas o Estado”.

Portanto, como especialista em segurança cibernética, o diretor da Funditec Research defendeu “regular o design das plataformas sem construir infraestruturas de identificação que coloquem em risco a privacidade de todos os cidadãos”, uma vez que a vigilância de menores não deve implicar a vigilância de todas as pessoas.

Assim, ele relembrou sua experiência anterior em projetos europeus de P&D e fez referência a propostas da União Europeia, como a EUDI Wallet, uma carteira de identificação digital que chegará a todos os cidadãos europeus ainda este ano, projetada para “comprovar a maioridade sem revelar nome, data de nascimento nem número de identidade”.

PROJETADAS PARA PRENDER OS USUÁRIOS

Por outro lado, a Funditec também enfatizou o design das próprias redes sociais, que é planejado para atrair os usuários sem que eles percebam, especialmente os perfis de menores.

Essa perspectiva é corroborada pelo último relatório “Impacto da Tecnologia na Infância e na Adolescência”, elaborado pela Unicef, que aponta que cerca de 9% dos menores de idade em todo o mundo, com idades entre 10 e 20 anos, dedicam mais de cinco horas por dia às redes sociais.

Álvarez Marañón explicou que isso se deve, em parte, ao fato de que o cérebro dos adolescentes está em pleno desenvolvimento, especialmente a parte responsável por regular os impulsos e avaliar os riscos. Portanto, as redes sociais se aproveitam dessa situação e projetam seus sistemas cientes dessa vulnerabilidade neurológica.

Isso é alcançado por meio de algumas ameaças principais, como o design viciante, a exposição a conteúdo prejudicial e sem filtros e “o assédio entre colegas amplificado pela visibilidade pública”, conforme avaliou o especialista.

“O ‘scroll’ infinito, as notificações, os sistemas de recompensa variável e os algoritmos que priorizam conteúdos que provocam emoções intensas são fruto de um design deliberado e não de acidentes tecnológicos”, afirmou Marañón a esse respeito.

Além disso, embora se trate de uma ameaça menos visível, o diretor da Funditec Research também destacou a exploração comercial dos dados de menores por parte das redes sociais e plataformas, uma prática que se inicia no momento em que a conta do usuário em questão é criada.

Como resultado, Álvarez Marañón lembrou que as plataformas de redes sociais controlam aspectos como as emoções inferidas pelo tempo de pausa diante de cada conteúdo, as relações sociais, a localização e “padrões de comportamento que revelam mais do que um diário secreto”.

“O problema não é a tecnologia em si, mas o modelo de negócios das grandes plataformas, que transforma a atenção das crianças em mercadoria”, afirmou o diretor da Funditec Research.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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