MADRID 29 maio (Portaltic/EP) -
A inteligência artificial agênica surge como a próxima grande evolução tecnológica: um cenário em que a IA deixará de se limitar a responder a instruções para passar a agir de forma autônoma e proativa. Uma mudança que promete transformar a relação entre humanos e máquinas e que, segundo os especialistas, obrigará as empresas a repensar processos, estruturas e modelos de governança.
Esse é o panorama apresentado por Josep Hilari, diretor de Marketing e Inovação Digital da Ingram Micro Iberia, que vê as grandes empresas de tecnologia avançando nessa direção. Um exemplo é a Microsoft, que integrou o Copilot em boa parte de seus serviços e lhe conferiu capacidades para executar ações diretamente pelo usuário. Seus agentes podem gerenciar e-mails, coordenar reuniões ou automatizar fluxos de trabalho, aproximando a ideia de sistemas capazes de tomar decisões operacionais de forma autônoma.
Em declarações à Europa Press, Hilari considera que essa mudança representa um ponto de inflexão na evolução da inteligência artificial. “Já sabíamos que a IA havia chegado para mudar tudo, mas agora ela está prestes a deixar de ser uma ferramenta reativa a serviço de um usuário proativo para se transformar em uma ferramenta proativa a serviço do usuário”, afirma. Em sua opinião, esse salto “representa uma reformulação absoluta da forma como nós, humanos, nos relacionamos com as máquinas”.
DO ASSISTENTE AO AGENTE AUTÔNOMO
Embora a IA agênica ainda se encontre em fase de desenvolvimento, suas aplicações começam a se definir com clareza. Uma das áreas onde se prevê um maior impacto é a segurança cibernética. Graças à sua capacidade de monitorar infraestruturas, analisar comportamentos e agir sem intervenção humana, esses agentes poderiam se tornar uma ferramenta fundamental para desenvolver modelos de segurança mais proativos.
Um sistema desse tipo, por exemplo, poderia detectar um e-mail suspeito, verificar se ele chegou a outros funcionários, bloqueá-lo automaticamente e alertar tanto os responsáveis pela segurança quanto as pessoas potencialmente afetadas, tudo isso sem a necessidade de intervenção humana. Trata-se de capacidades que inúmeros fornecedores de tecnologia já estão explorando e começando a incorporar em suas soluções, como sabe em primeira mão o atacadista Ingram Micro.
Além da segurança, a IA agênica também visa transformar áreas como o atendimento ao cliente, onde permitirá reduzir tempos de resposta e automatizar incidentes simples; os recursos humanos, filtrando perfis e organizando entrevistas; ou setores como o da saúde e o financeiro, aliviando os profissionais humanos de tarefas administrativas.
O objetivo, segundo Hilari, não deve ser substituir completamente as pessoas. “O objetivo não deve ser automatizar tudo para que os humanos não façam nada, mas sim aproveitar as capacidades desses agentes para multiplicar nossas próprias capacidades como profissionais”, afirma.
UM NOVO PAPEL PARA O TRABALHADOR
A expansão da IA agênica também obrigará a redefinir o papel dos funcionários dentro das organizações. Nesse novo modelo, o ser humano passará a desempenhar uma função de supervisão, validação e coordenação diante de sistemas capazes de executar tarefas complexas de forma autônoma.
“O debate não deveria ser se a IA nos substituirá, mas como reimaginamos nosso papel em um ambiente onde humanos e agentes trabalham em equipe”, explica Hilari. Na opinião dela, “quem entender isso deixará de ver a tecnologia como uma ameaça e começará a usá-la como realmente é: um multiplicador de capacidades”.
Essa mudança exigirá que as empresas revisem desde a base sua estrutura operacional e definam até que ponto desejam conceder autonomia a esses sistemas, especialmente nas primeiras fases de implantação. A coexistência entre humanos e agentes de IA com capacidade de tomar decisões que afetam diretamente os negócios traz novos desafios relacionados à governança, supervisão e responsabilidade.
“O que está claro é que a janela de oportunidade para se preparar está se fechando. As empresas que começarem hoje a definir seu modelo de governança, a identificar quais processos podem — e devem — ser automatizados e a treinar suas equipes para trabalhar em conjunto com agentes de IA serão as que liderarão a transição. Aquelas que esperarem até que a tecnologia se torne uma realidade comumente aceita chegarão tarde”, conclui o executivo da Ingram Micro.
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