Publicado 09/04/2025 12:20

O Hubble captura pela primeira vez a fusão de aglomerados de estrelas em galáxias anãs

A sequência começa com a migração de aglomerados globulares maciços em direção ao centro da galáxia.
POULAIN ET AL./NATURE

MADRID 9 abr. (EUROPA PRESS) -

Um novo estudo publicado na revista Nature relata a primeira observação direta da fusão de aglomerados de estrelas na região nuclear de galáxias anãs.

Essa detecção, obtida com o Telescópio Espacial Hubble, confirma a viabilidade dessa via de formação de núcleos em galáxias anãs, um tema de debate de longa data. O estudo foi liderado pela pesquisadora de pós-doutorado Mélina Poulain, da Universidade de Oulu, Finlândia.

As galáxias anãs são o tipo de galáxia mais abundante no Universo. Compostas por 100 vezes menos estrelas do que a Via Láctea, ou até menos, elas são os blocos de construção das galáxias mais massivas. Portanto, entender sua formação é fundamental para compreender a evolução galáctica.

Uma fração considerável das galáxias anãs abriga um aglomerado estelar compacto em seu centro, geralmente composto de centenas de milhares a centenas de milhões de estrelas. Conhecidos como aglomerados de estrelas nucleares, esses são o tipo mais denso de sistema estelar do Universo. A formação desses objetos extremos tem sido objeto de debate há várias décadas. Acredita-se que as galáxias anãs se formem a partir da fusão de aglomerados estelares menores, chamados de aglomerados globulares, depois de migrarem para o centro galáctico. Entretanto, até o momento, nenhuma dessas fusões de aglomerados globulares foi observada diretamente para confirmar essa teoria.

OBSERVAÇÃO DE CARACTERÍSTICAS INCOMUNS

Ao estudar observações de uma grande amostra de quase 80 galáxias anãs com o Telescópio Espacial Hubble, liderado pela professora Francine Marleau da Universidade de Innsbruck, na Áustria, um grupo de dez pesquisadores da colaboração internacional MATLAS observou várias galáxias com um aglomerado de estrelas nucleares de aparência incomum. Algumas mostravam um par de aglomerados estelares bem próximos um do outro, enquanto outras tinham uma característica semelhante a um fluxo fraco de luz ligado ao aglomerado estelar nuclear.

"Ficamos surpresos com as correntes de luz visíveis perto do centro das galáxias, pois nada semelhante havia sido observado no passado", explica Mélina Poulain.

Uma análise minuciosa das características mostrou que elas possuem propriedades semelhantes às dos aglomerados globulares já detectados em galáxias anãs. Isso sugere que as observações testemunham o crescimento do aglomerado estelar nuclear por meio da canibalização drástica de aglomerados globulares nos núcleos de tais galáxias.

OBSERVAÇÕES REPRODUZIDAS EM SIMULAÇÕES

Para confirmar a origem das tênues correntes de luz, foram implementadas simulações complementares de altíssima resolução para modelar o processo de fusão. Essa parte do trabalho, liderada pelo Dr. Rory Smith, da Universidad Técnica Federico Santa María, em Santiago do Chile, estabeleceu várias fusões entre aglomerados de estrelas com diferentes massas, dinâmicas e número de aglomerados envolvidos.

Os resultados confirmam que os fluxos de luz observados são criados quando dois aglomerados de estrelas com diferenças significativas de massa se fundem. Quanto maior a proporção de massa, maior a duração do fluxo. O processo geralmente é de curta duração, menos de 100 milhões de anos, e as características produzidas são visíveis por menos tempo ainda, o que explica a dificuldade de capturar esse fenômeno.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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