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Alerta que a “decapitação do governo não protege os venezuelanos de novos abusos” MADRID 7 jan. (EUROPA PRESS) -
A ONG Human Rights Watch (HRW) alertou nesta quarta-feira que o ataque “descarado” perpetrado pelo Exército dos Estados Unidos contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, poderia provocar “outro desastre humanitário” em um país que já se encontra mergulhado em uma grave crise.
“Os venezuelanos têm o direito de escolher livremente seus próprios líderes e decidir o futuro de sua nação”, declarou a diretora para as Américas da organização, Juanita Goebertus. “Ao contrário, os Estados Unidos parecem dispostos a promover a continuidade do aparato repressivo de Maduro, enquanto este favorecer seus interesses políticos e econômicos”, lamentou, segundo um comunicado.
Nesse sentido, ela instou os governos estrangeiros a “se concentrarem em proteger os direitos dos venezuelanos que sofreram durante uma década nas mãos do governo de Maduro”. “A decapitação do governo por parte de Trump não protege os venezuelanos de novos abusos”, acrescentou.
A ONG, que indicou que o ataque teve como alvo instalações militares e causou a morte de dezenas de pessoas, enfatizou que, “durante os preparativos”, os Estados Unidos “executaram extrajudicialmente pelo menos 115 pessoas em embarcações que traficavam drogas no mar do Caribe e no oceano Pacífico”.
“Trump também afirmou que os Estados Unidos administrarão a Venezuela até que ocorra uma transição sensata. O governo americano não especificou quando nem como a transição seria realizada, nem se tal processo incluirá eleições livres e justas, a libertação de presos políticos e outras reformas fundamentais em matéria de direitos humanos”, diz o documento.
Mais de 860 presos políticos permanecem na prisão na Venezuela, de acordo com o grupo pro bono Foro Penal. O Ministério Público do Tribunal Penal Internacional tem uma investigação aberta por possíveis crimes contra a humanidade cometidos na Venezuela desde 2014. “Por mais de uma década, os venezuelanos têm sofrido uma crise humanitária, que inclui uma grave escassez de alimentos e medicamentos. Sete milhões de venezuelanos fugiram do país e outros 14,2 milhões têm graves necessidades humanitárias”, afirmou a HRW.
É por isso que pediu aos líderes de todo o mundo que “impulsionem uma transição democrática na Venezuela, exijam a libertação dos presos políticos e promovam a prestação de contas pelas graves violações dos direitos humanos cometidas pelo governo”. Além disso, exigiu que os Estados Unidos “cumpram suas obrigações nos termos do Direito Internacional”.
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