MADRID, 14 ago. (EUROPA PRESS) -
O Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón, de Madri, projetou e fabricou a primeira prótese óssea personalizada do mundo feita de metamaterial, que foi implantada por cirurgiões oncológicos do centro em um paciente de 38 anos com um sarcoma ósseo de alto grau na tíbia.
O novo metamaterial é resultado da aplicação de tecnologia aeroespacial para criar estruturas milimétricas de titânio capazes de reproduzir as funções mecânicas do osso. A prótese foi projetada e fabricada em uma liga de titânio por meio de impressão 3D no próprio hospital. A decisão foi tomada devido à inexistência no mercado de qualquer prótese capaz de salvar a perna do paciente sem comprometer a mobilidade do joelho.
“Esse tipo de engenharia aeroespacial transformada em engenharia clínica representa um marco nos âmbitos científico, clínico e hospitalar. Conseguimos evitar a amputação da perna do paciente ou a necessidade de um implante de joelho, o que teria significado sacrificar toda a articulação”, explicou Rubén Pérez, cirurgião especialista em sarcomas do Hospital Gregorio Marañón.
O resultado foi um implante que não substitui o osso, mas o imita. Assim, ele é capaz de absorver a força, evitando que o osso ao redor se enfraqueça por falta de uso. Além disso, essa estrutura de 300 gramas suporta um peso superior a 500 quilos.
“Um implante pode chegar a pesar dois quilos e ser maciço, suportando entre 100 e 150 quilos. Conseguimos que ele pesasse 300 gramas e que, de acordo com os modelos de simulação, suportasse até 500 quilos”, destacou Rubén Pérez, cirurgião especialista em sarcomas do Hospital Gregorio Marañón.
Quase um ano após a cirurgia à qual foi submetido para a colocação do dispositivo, o paciente não apresentou infecção nem complicações relacionadas ao procedimento. Dessa forma, ele mantém o alinhamento e a mobilidade do joelho, e sua recuperação tem sido satisfatória, a ponto de já poder andar, em muitos casos sem muletas.
“A amputação foi descartada e surgiu a opção de implantar uma prótese 3D. Tudo correu bem, o que é o mais importante. Há alguns meses já consigo começar a apoiar a perna e, finalmente, vou voltar a andar depois de quase dois anos sem apoiá-la. Há algumas semanas, já pude deixar as muletas em casa”, explicou o paciente, Pierre Chazel.
Outra novidade deste caso é que a prótese foi preenchida com osso esponjoso proveniente do Banco de Ossos e Tecidos Osteotendinosos do Hospital Gregorio Marañón. Assim, o enxerto ficou entrelaçado dentro da estrutura metálica, favorecendo a integração óssea e a fixação do implante. A cirurgia transcorreu sem dificuldades e os exames de imagem posteriores confirmaram a adaptação favorável desses elementos.
UM IMPLANTE CONVENCIONAL NÃO SERIA ADEQUADO
No caso desse paciente, após uma infecção e uma redução severa da densidade óssea da tíbia, o osso não tinha capacidade para suportar um implante convencional. Por isso, os médicos do centro de saúde avaliaram a possibilidade de um implante personalizado, adaptado não apenas à sua anatomia, mas também à função do membro afetado.
Seu projeto foi elaborado a partir das imagens radiológicas do paciente, com as quais foi construído um gêmeo digital de sua perna saudável. Nesse modelo, foram simuladas as cargas reais que uma tíbia suporta ao caminhar, subir escadas ou tropeçar e, com essas informações, calculou-se, ponto a ponto, como deveria ser a estrutura interna da peça para que o peso fosse transmitido exatamente onde o osso pudesse suportá-lo. Graças a isso, os parafusos de fixação foram direcionados para as áreas de melhor qualidade óssea e a cirurgia pôde ser planejada com precisão milimétrica.
Após a intervenção, os centros trabalham em conjunto para ampliar o uso desse tipo de prótese a outros pacientes. “Isso abriu caminho para mudar um pouco essa cultura. Já operamos mais dois pacientes com tecnologia semelhante e queremos desenvolver um protocolo, um programa padronizado que permita atender a um volume maior de pacientes”, concluiu Pérez.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático