Joaquin Corchero - Europa Press
MADRID 19 jan. (EUROPA PRESS) -
A codiretora do Mestrado em Urgências e Emergências da Universidade Internacional de Valência (VIU), Elena Plaza, destacou a importância da “hora de ouro” em acidentes ferroviários como o de Adamuz, já que, em pacientes politraumatizados, os primeiros minutos após o acidente são fundamentais para salvar vidas, embora o risco dependa do tipo de lesão.
A “hora de ouro” enfatiza a gestão eficiente do tempo para o tratamento bem-sucedido do paciente traumatizado. Buscando, no menor tempo possível, realizar um diagnóstico aproximado e tratar as lesões que comprometem, conforme indica o Ministério da Saúde.
Nesse contexto, Plaza garante que, em situações como a de Adamuz, a atenção imediata pode fazer a diferença entre a vida e a morte. “Por exemplo, um paciente com hemorragia externa maciça por um corte nos braços ou nas pernas pode sangrar até a morte em cinco minutos se não for atendido imediatamente. A solução inicial é rápida, embora depois seja necessária uma cirurgia”, afirmou. No caso de traumatismos cranioencefálicos graves, a especialista alerta que a falta de ventilação atempada pode ser letal em questão de minutos. No entanto, algumas lesões internas graves, como hemorragias profundas, nem sempre permitem uma intervenção imediata ou um transporte seguro para o hospital. Plaza acrescenta que existem lesões cardíacas ou pulmonares que podem receber tratamento inicial no local do acidente, ganhando tempo para o transporte. Outras, como fraturas da pelve ou do fêmur, embora graves, permitem certa demora no atendimento, mas requerem classificação correta e medidas iniciais de estabilização, pois “os ossos sangram e podem desestabilizar o paciente com o tempo se não forem tratados adequadamente”.
A especialista ressalta que o segredo em emergências com múltiplas vítimas é priorizar o atendimento de acordo com a gravidade e o tipo de lesão, agindo rapidamente quando cada minuto conta e aplicando medidas de estabilização que permitam um transporte seguro para os hospitais. QUAIS PACIENTES SÃO ATENDIDOS PRIMEIRO
Plaza explicou que, em situações como a de Adamuz, a primeira coisa que os profissionais de saúde, e até mesmo os bombeiros e as Forças e Órgãos de Segurança do Estado, fazem é realizar o que se denomina triagem, que consiste em classificar as vítimas por meio de algoritmos rápidos de decisão que permitem atribuir uma cor associada à gravidade para realizar uma gestão correta dos recursos disponíveis.
“Existem vários tipos de classificação de 3, 4 ou 5 categorias. A mais comum é a que classifica as vítimas em quatro categorias”, destacou a especialista. Assim, a cor preta é atribuída aos pacientes falecidos e a cor verde àqueles que podem andar por conta própria, com lesões menores, que serão os últimos a serem atendidos. Já as cores amarela e vermelha são atribuídas aos pacientes mais graves.
“Os amarelos têm condições graves, com risco de vida se não forem tratados, mas os vermelhos são atendidos primeiro, pacientes graves com risco de vida que podem até precisar de algum tipo de manobra 'in situ', mas o que eles precisam rapidamente geralmente é do transporte para o hospital para tratar os ferimentos na sala de cirurgia”, explicou.
Uma vez realizada a triagem, as vítimas são transferidas para postos de saúde avançados, como pequenos hospitais de campanha ou pontos de atendimento. “As ambulâncias chegam no que é chamado de roda de evacuação e recolhem primeiro os vermelhos e, quando terminam, os amarelos. Os verdes também costumam receber atendimento por conta própria ou com a ajuda da polícia, voluntários ou ônibus”, explicou Plaza. INCIDENTE COM VÁRIAS VÍTIMAS
Nesse sentido, o professor do Mestrado em Direção e Gestão de Enfermagem da Universidade Internacional de Valência (VIU), Luis García, declarou que o acidente deste domingo é considerado um incidente com múltiplas vítimas, pois “é uma situação em que o número de pessoas afetadas excede a capacidade imediata de resposta dos serviços de saúde disponíveis no local”.
Por isso, García indicou que, no início da emergência, é mobilizado o maior número possível de recursos sanitários extra-hospitalares disponíveis para atender as vítimas no local do acidente. Após a triagem, os pacientes serão atendidos no local ou encaminhados para os hospitais mais próximos, distribuindo-os de forma a evitar o colapso de qualquer centro. “Esses pacientes serão encaminhados para os hospitais mais próximos, sendo distribuídos para tentar não saturar nenhum deles”, acrescentou.
Para minimizar o risco de saturação, García destacou a importância de instalar um hospital de campanha que permita atender aqueles que precisarem. Além disso, ele ressaltou que a coordenação direta entre os diferentes responsáveis é fundamental: “Nesse momento, o 112, o chefe coordenador presente no acidente e os chefes de plantão dos hospitais devem manter contato direto para garantir uma resposta ágil e organizada”.
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