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MADRID, 7 jul. (EUROPA PRESS) -
Homens com mais de 45 anos apresentam 31% a mais de mutações no esperma, de acordo com um estudo liderado pela Fundação IVI e apresentado na 42ª Reunião Anual da Sociedade Europeia de Reprodução Humana e Embriologia (ESHRE).
A pesquisa indica que os homens acumulam mutações no esperma com o passar do tempo, muitas delas invisíveis nas análises genéticas convencionais, mas que podem influenciar o desenvolvimento do embrião.
“Até agora, na prática clínica, partia-se do princípio de que as mutações presentes no sangue eram representativas de todo o organismo. No entanto, constatamos que nem sempre é assim. Existem mutações que estão exclusivamente no esperma e que não aparecem no sangue, o que significa que podem passar despercebidas nesses exames, mas podem ser transmitidas ao futuro bebê”, explicou Patricia Díaz-Gimeno, pesquisadora principal do IVI e coautora do estudo ao lado de Nicolás Garrido, diretor da Fundação IVI.
O trabalho surge de uma limitação fundamental nos métodos diagnósticos atuais. Os testes genéticos de portadores utilizados na prática clínica não analisam mutações específicas do esperma. Eles se baseiam em amostras de sangue e partem do princípio de que estas são representativas das mutações presentes em todo o organismo.
A idade paterna não era considerada, até agora, um fator de risco relevante para a saúde da prole, algo que os resultados desta pesquisa questionam. “Especificamente, os dados revelam que homens com mais de 45 anos apresentam 31% mais mutações no esperma do que aqueles com menos de 30. Existem mutações relevantes no esperma que não estão presentes no sangue em todas as idades, mas o aumento é claro em indivíduos de idade paterna avançada”, destaca Díaz-Gimeno.
A análise permitiu identificar alterações genéticas exclusivamente no esperma, com diferentes níveis de impacto, desde variantes de significado incerto até mutações em genes associados a patologias graves. “Detectamos mutações relacionadas ao sistema nervoso, ao espectro autista ou à deficiência intelectual, mas também a doenças cardiovasculares graves, patologias hepáticas, imunodeficiências severas ou até mesmo processos relacionados ao câncer”, detalha a pesquisadora.
ANÁLISE DE MUTAÇÕES NO ESPERMA
Na Espanha, a legislação estabelece o limite de 50 anos para a doação de sêmen. No entanto, alguns centros já adotaram critérios mais restritivos com base em evidências científicas. “No IVI, estabelecemos o limite em 44 anos, principalmente para evitar possíveis efeitos negativos sobre a prole associados à idade paterna avançada. Nossos resultados indicam que esse tipo de decisão tem base científica e que, no futuro, os limites estabelecidos poderão ser revistos”, explica a Dra. Díaz-Gimeno.
Além disso, o estudo levanta a necessidade de ir além dos protocolos atuais e abre caminho para uma mudança de paradigma na avaliação da fertilidade masculina: “Seria recomendável incorporar análises de mutações no esperma e não apenas no sangue, como se faz atualmente, independentemente da idade do homem em todos os casos e especialmente em contextos como os programas de doação. Além disso, à luz desses resultados, isso seria ainda mais recomendável em homens com mais de 45 anos”, conclui a pesquisadora.
NOVAS EVIDÊNCIAS NO DESENVOLVIMENTO EMBRIONÁRIO
Paralelamente, o estudo “Different secretome profiles characterize euploid and aneuploid human embryos cultured up to 14 days in advanced 3D endometrial co-culture”, apresentado no congresso, aprofunda a forma como as alterações genéticas podem influenciar o desenvolvimento do embrião.
O trabalho analisa as diferenças entre embriões euploides — com um número correto de cromossomos — e aneuploides — uma das principais causas de falha de implantação e aborto precoce — por meio das moléculas e proteínas que eles liberam durante suas primeiras fases de desenvolvimento.
Os resultados mostram que os embriões com alterações cromossômicas apresentam comportamentos distintos desde estágios muito iniciais, o que permite compreender melhor sua capacidade de evolução. “Temos cada vez mais evidências de que a qualidade genética do embrião é determinante desde o início. Esse tipo de análise nos ajuda a entender melhor quais têm mais probabilidades de se desenvolver corretamente”, destaca Domínguez, pesquisador principal do estudo.
Esse conhecimento poderia ser aplicado diretamente à prática clínica. O objetivo é melhorar a seleção embrionária e identificar com maior precisão os embriões com mais chances de resultar em uma gravidez que evolua normalmente. Além disso, o especialista destaca o avanço em direção a uma medicina mais personalizada: “Estamos avançando em direção a tratamentos cada vez mais adaptados ao perfil biológico de cada paciente, o que permitirá otimizar os resultados e reduzir a incerteza nos processos reprodutivos”, conclui.
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