MADRID 15 jul. (EUROPA PRESS) -
O Centro Integral de Neurociências Abarca Campal HM CINAC, em Móstoles (Madri), liderou um estudo que demonstrou, em primatas não humanos, que é possível administrar terapia gênica cerebral sem a necessidade de cirurgia para o tratamento de doenças neurológicas.
Este trabalho, publicado na revista especializada “Advanced Science”, concentrou-se, portanto, no desafio de fazer com que essa terapia chegue ao cérebro de forma eficaz e sem recorrer a procedimentos neurocirúrgicos invasivos. Com isso, essa possibilidade foi comprovada nos animais mencionados, por meio do cerebelo, utilizando ultrassons focalizados de baixa intensidade.
Para isso, o grupo de saúde HM Hospitales combinou microbolhas administradas por via intravenosa e vetores de terapia gênica, o que permitiu atravessar de forma temporária e controlada a barreira hematoencefálica, que é a estrutura que protege o cérebro e impede a passagem da maioria dos medicamentos. O objetivo foi direcionar o tratamento com grande precisão para regiões cerebrais profundas.
De fato, e na opinião dos especialistas dessa entidade, esse avanço “abre novas perspectivas para o desenvolvimento de terapias direcionadas a doenças neurodegenerativas, especialmente aquelas que afetam o cerebelo e para as quais, atualmente, não existem tratamentos capazes de alterar o curso da doença”. Nesse sentido, seu presidente, o Dr. Juan Abarca Cidón, destacou que “a pesquisa só alcança seu verdadeiro sentido quando consegue transformar o conhecimento científico em novas oportunidades para os pacientes”.
“Este trabalho reflete o modelo que promovemos na HM Hospitales, onde assistência, pesquisa e ensino fazem parte de uma mesma estratégia para acelerar a incorporação de inovações capazes de mudar a forma de diagnosticar e tratar doenças especialmente complexas”, continuou ele, enquanto o diretor do HM CINAC e um dos diretores deste estudo, o professor José A. Obeso, afirmou que o estudo “demonstra que é possível administrar terapia gênica em regiões profundas do cérebro sem recorrer a procedimentos neurocirúrgicos invasivos”.
ATRAVESSAR A BARREIRA HEMATOENCEFÁLICA
Nesse contexto, ele destacou que “ter conseguido atravessar de forma controlada a barreira hematoencefálica por meio de ultrassom focalizado representa um avanço muito relevante para o desenvolvimento de futuras terapias contra doenças neurodegenerativas”. “Nosso objetivo é continuar aproximando essas tecnologias da prática clínica para oferecer novas oportunidades aos pacientes que hoje dispõem de muito poucas alternativas terapêuticas”, explicou.
Aprofundando essa pesquisa, que também foi dirigida pelo Dr. Javier Blesa e liderada pelo Dr. José Pineda, esta instituição destacou a administração altamente precisa dos vetores de terapia gênica nas regiões cerebelosas selecionadas, conseguindo uma expressão eficiente do material genético em um grande número de neurônios dos núcleos cerebelosos profundos tratados.
Tudo isso em relação a um tipo de terapia que “representa uma das estratégias mais promissoras para tratar doenças do sistema nervoso central”, indicaram, ao mesmo tempo em que observaram que, “no entanto, sua aplicação clínica continua limitada pela dificuldade de fazer com que os vetores terapêuticos cheguem ao cérebro, devido à barreira hematoencefálica”.
Por fim, eles enfatizaram que “essa abordagem poderia contribuir, no futuro, para o desenvolvimento de tratamentos mais precisos, personalizados e menos invasivos para patologias neurodegenerativas complexas, reduzindo os riscos associados à cirurgia intracraniana e ampliando as possibilidades da medicina de precisão”.
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