MADRID 5 jun. (EUROPA PRESS) -
As consequências da hipotensão podem ser especialmente graves em órgãos sensíveis como os rins, o coração ou o cérebro, uma vez que essa condição pode favorecer o surgimento de alterações na função renal, danos cardíacos ou distúrbios neurológicos e costuma estar associada a uma internação hospitalar mais prolongada, segundo o chefe adjunto do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Universitário Fundação Jiménez Díaz, Arnoldo Santos Oviedo.
Nesse sentido, o Hospital Universitário Fundação Jiménez Díaz realizou recentemente a quinta edição do seu “Curso Multidisciplinar de Monitorização Hemodinâmica”, uma iniciativa que reuniu especialistas de diferentes áreas para abordar a relevância da hipotensão, os desafios que seu manejo apresenta e as novas ferramentas disponíveis para sua prevenção e tratamento.
Santos Oviedo explicou que a pressão arterial continua sendo uma das variáveis mais importantes no manejo de pacientes críticos porque “é necessária para garantir que os tecidos e órgãos recebam uma quantidade adequada de sangue e oxigênio”.
Quando a pressão arterial desce abaixo de determinados níveis e não é corrigida a tempo, pode ocorrer uma diminuição do fornecimento de sangue e oxigênio aos tecidos, um fenômeno conhecido como hipoperfusão. De fato, uma pressão arterial aparentemente adequada nem sempre garante uma perfusão correta dos órgãos.
Essa situação adquire uma “relevância especial” em pacientes com infecções graves, insuficiência respiratória aguda, cirurgias de grande porte ou doenças cardiovasculares e renais pré-existentes, especialmente vulneráveis a uma complicação que “continua exigindo vigilância rigorosa e ainda representa um importante desafio clínico, apesar dos avanços registrados nos últimos anos”.
MONITORIZAÇÃO CARDIOVASCULAR
A incorporação de novas tecnologias está permitindo melhorar a monitorização cardiovascular dos pacientes e avançar para uma abordagem cada vez mais preventiva, segundo afirmaram os especialistas participantes do curso.
Entre as ferramentas mais inovadoras, destacam-se sistemas capazes de prever, com 10 a 15 minutos de antecedência, a probabilidade de um paciente desenvolver um episódio de hipotensão, permitindo agir antes que o problema se manifeste. Da mesma forma, indicadores como o índice global de perfusão ajudam a identificar precocemente situações de risco relacionadas à diminuição do suprimento sanguíneo aos órgãos.
Essas soluções também contribuem para identificar a origem da alteração cardiovascular e orientar o tratamento, além de melhorar a avaliação de estruturas especialmente relevantes em pacientes críticos, como o ventrículo direito.
“A ciência de dados e a inteligência artificial estão nos ajudando a analisar uma quantidade de informações fisiológicas que, há apenas alguns anos, era impossível processar em tempo real. Essas ferramentas permitem detectar alterações precoces, identificar situações de risco e desenvolver estratégias cada vez mais proativas para o manejo dos pacientes”, destacou.
Embora os avanços tecnológicos tenham demonstrado sua capacidade de reduzir a duração e a intensidade dos episódios de hipotensão, os especialistas lembraram que seu impacto depende de “uma integração adequada na prática clínica”.
“A incorporação de novas ferramentas deve ser acompanhada de treinamento e de uma integração efetiva na assistência diária, pois tão importante quanto desenvolver tecnologia é garantir que os profissionais a utilizem de maneira adequada e possam aproveitar todo o seu potencial”, observou Santos.
Nesse contexto, a formação multidisciplinar desempenha um papel cada vez mais relevante, já que a crescente complexidade dos pacientes e a disponibilidade de novas opções diagnósticas e terapêuticas tornam necessário que profissionais de diferentes áreas compartilhem conhecimentos e estratégias de atuação.
“A colaboração entre especialidades é fundamental para oferecer o melhor atendimento possível. Esse tipo de encontro permite compartilhar experiências e construir respostas conjuntas diante de situações clínicas complexas, nas quais a rapidez na tomada de decisões pode ser determinante para a evolução do paciente”, afirmou o intensivista.
UMA MONITORIZAÇÃO MAIS PREDITIVA E PERSONALIZADA
O futuro da monitorização hemodinâmica caminha para uma maior capacidade de antecipação, uma melhor classificação dos pacientes de acordo com suas características fisiopatológicas e uma integração “cada vez mais estreita entre monitorização e tratamento”.
A possibilidade de analisar grandes volumes de dados em tempo real permitirá identificar com maior precisão situações de risco, personalizar as decisões clínicas e otimizar as terapias de forma contínua. Paralelamente, já estão sendo desenvolvidos sistemas capazes de ajustar automaticamente determinados tratamentos com base nas informações fornecidas pelos monitores.
Os especialistas também prevêem avanços na detecção precoce da instabilidade, na interpretação da enorme quantidade de informações geradas pelos sistemas de monitorização e no desenvolvimento de novos parâmetros capazes de identificar situações de risco com maior precisão.
Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático