Publicado 04/05/2026 07:17

O hidrogênio é fundamental na formação da poeira cósmica das estrelas gigantes vermelhas, segundo um estudo

Imagens de microscopia eletrônica de alta resolução mostrando nanopartículas individuais de carboneto de silício.
CSIC

MADRID 4 maio (EUROPA PRESS) -

O papel do hidrogênio é fundamental na formação da poeira cósmica das gigantes vermelhas, estrelas de massa baixa ou intermediária no final de sua vida, de acordo com um estudo liderado pelo Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC). Os resultados, obtidos por meio da máquina STARDUST — uma instalação do CSIC única no mundo, localizada em Madri —, foram publicados na revista Nature Astronomy.

O trabalho foi liderado pelo Instituto de Ciência dos Materiais de Madri (ICMM-CSIC) e pelo Instituto de Estrutura da Matéria (IEM-CSIC), com a participação do Instituto de Nanociência e Materiais de Aragão, do Instituto de Ciência e Tecnologia de Polímeros, do Instituto de Física Fundamental, do instituto francês IRAP-CNRS e da Universidade de Toulouse.

“A poeira cósmica é um dos ingredientes fundamentais do universo”, destacou o diretor do ICMM-CSIC e um dos principais pesquisadores do projeto, José Ángel Martín-Gago, que ressaltou que “essas minúsculas partículas sólidas desempenham um papel crucial na evolução das galáxias, na formação de estrelas e planetas e na química do meio interestelar”.

Para chegar a suas conclusões, a equipe combinou astroquímica experimental, espectroscopia, microscopia eletrônica e modelagem teórica. Utilizando a máquina STARDUST, projetada para reproduzir em laboratório as condições das atmosferas das gigantes vermelhas, conforme informa o CSIC, os pesquisadores geraram nanopartículas análogas às que se formam nos primeiros estágios do crescimento do pó no espaço.

“Investigamos a interação entre carbono atômico, silício atômico e hidrogênio molecular, três das espécies mais abundantes nessas estrelas”, explicou Martín-Gago.

O resultado central do estudo é a demonstração de que o hidrogênio atua como “promotor da formação de grãos de carboneto de silício”, conforme apontou outro dos principais autores do trabalho e pesquisador do IEM-CSIC, Gonzalo Santoro. O estudo comprova que, quando a densidade do hidrogênio molecular é alta, o carbono e o silício interagem em maior medida, dando início a uma cadeia de reações químicas.

Além disso, a pesquisa demonstrou que a molécula de dicarbeto de silício (SiC2), observada em gigantes vermelhas, é a molécula precursora do pó cósmico de carboneto de silício, algo que até agora era apenas uma especulação. José Ignacio Martínez, também do Instituto de Ciência dos Materiais de Madri e participante do trabalho, explicou que, além dos experimentos, a modelagem teórica do processo foi fundamental no estudo, pois permitiu compreender o papel do hidrogênio.

O CSIC precisou que observações astronômicas anteriores haviam registrado que as moléculas de dicarbeto de silício diminuíam à medida que os grãos de poeira se formavam, e este estudo sugere que tal molécula “se incorpora eficientemente ao material sólido”.

Segundo os pesquisadores, “a combinação eficiente de experimentos controlados, técnicas avançadas de caracterização e modelagem teórica abre novos caminhos para compreender como se formam os grãos de poeira que, milhões de anos depois, acabarão fazendo parte de planetas, meteoritos ou mesmo da matéria que compõe nosso próprio sistema solar”.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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