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MADRID 23 jun. (EUROPA PRESS) -
A coordenadora do Comitê de Cuidados com a Saúde do Ministério da Saúde, Paloma Calleja, atribuiu a falta de profissionais de saúde na segunda-feira à "precariedade" do trabalho e à sua "invisibilidade", uma situação que, segundo ela, também ocorre com outros profissionais de saúde.
"Há uma escassez de profissionais de saúde e uma escassez de profissionais de saúde. Portanto, essas condições precárias (...) e essas condições de invisibilidade, precisamente, não são muito atraentes para incentivar as gerações mais jovens a ingressar nesse campo", disse Calleja durante a reunião anual do Comissário de Saúde e Assistência da Plataforma do Terceiro Setor.
Depois disso, ele enfatizou que esse problema não pode ser resolvido "apertando um botão", adicionando mais profissionais ou dobrando seus salários, mas sim "corrigindo" suas principais causas.
Por isso, Calleja lembrou os objetivos da saúde para alcançar maior sustentabilidade econômica e ambiental, promover a liderança dos profissionais de saúde, promover o autocuidado da população, favorecer a autonomia e a capacidade de decisão dos pacientes e apoiar o atendimento comunitário.
Por sua vez, o presidente da Plataforma do Terceiro Setor, Luciano Poyato, concordou com a precariedade desses trabalhadores, embora também tenha apontado a existência de um preconceito de gênero entre os cuidadores, que são formados principalmente por mulheres, que são as que estão "sempre" cuidando.
FEMINIZAÇÃO DO CUIDADO
Em relação a isso, Débora Quiroga, Técnica de Advocacia da Plataforma de la Infancia, enfatizou que 16,7% das mulheres espanholas estavam envolvidas em cuidados em 2024, em contraste com 0,3% dos homens.
Além da feminização do setor, Quiroga também lamentou as políticas de conciliação "insuficientes", que não levam em conta os cuidadores não profissionais, que também são "geralmente mulheres" e que "frequentemente" sacrificam suas carreiras profissionais para realizar esse tipo de cuidado.
Essa situação tem um impacto na saúde física, mental e social dos cuidadores, que podem sofrer "altos níveis" de estresse, ansiedade e até depressão, razão pela qual ela pediu às autoridades que reconheçam o cuidado como um direito social "básico", tanto para proteger os cuidadores quanto as pessoas que precisam desses serviços.
Ela também solicitou a promoção de uma lei de cuidados elaborada em conjunto com a sociedade civil, a promoção de um modelo comunitário desinstitucionalizado, a incorporação de políticas eficazes de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e o incentivo à colaboração com associações e sinergias entre ONGs e administrações públicas.
A coordenadora da Estratégia e Rede CuidAs do Ministério Regional de Direitos Sociais e Bem-Estar das Astúrias, Teresa Martínez, quis enfatizar a importância de atender "verdadeiramente" às necessidades das pessoas que precisam de cuidados, bem como às de suas famílias.
"Não só precisamos de mais recursos e serviços, mas também precisamos levar em conta como são esses serviços", explicou ela, afirmando que a abordagem atual é "muito clínica", que deixa a pessoa de lado.
Essa situação é agravada pela desigualdade de acesso ao atendimento entre as áreas urbanas e rurais, como explicou Tatiana Navas, gerente de Itinerário do Paciente e Atendimento Psicológico, razão pela qual ela considerou fundamental a criação de uma lei estadual de atendimento, bem como o fortalecimento da rede pública de atendimento e o reconhecimento das necessidades dos cuidadores, especialmente em termos de equilíbrio entre vida pessoal e profissional e saúde mental.
75% DAS PESSOAS RECONHECEM A PIORIA DE SUA SAÚDE MENTAL Durante a mesa redonda dedicada à saúde mental, foi declarado que 75% das pessoas pesquisadas pelo Comissário reconheceram que sua saúde mental piorou nos últimos anos, sendo as mulheres, os jovens e as pessoas com deficiências ou doenças crônicas os mais afetados.
Victoria Mon Troti, técnica do Escritório Técnico de Transição de Modelos de Saúde Mental da Comissão, explicou que atualmente há uma demanda crescente por ajuda psicológica, o que se deve em parte à insistência na importância de cuidar da saúde mental.
No entanto, ela afirmou que o modelo de saúde atual não tem capacidade para lidar com essa demanda, razão pela qual ela pediu uma reorientação do sistema para um modelo mais "abrangente" e "baseado na comunidade" que leve em conta o contexto social das pessoas que procuram esses serviços.
Para enfrentar esse desafio, a diretora técnica de Pesquisa e Projetos da Confederação de Saúde Mental, Esperanza Rubio, apresentou recomendações como o fornecimento adequado de recursos para a estratégia de Saúde Mental do Ministério da Saúde.
Ela também defendeu a inclusão de todas as pessoas com problemas de saúde mental em todos os níveis, exigindo que seja prestada uma assistência de saúde de qualidade e individualizada, com foco no nível comunitário, e enfatizando os grupos vulneráveis, como pessoas LGTBIQ+, migrantes ou cuidadores, e que eles possam participar da concepção e do desenvolvimento de todas essas ações.
Por fim, ele pediu o desenvolvimento de programas e recursos específicos que identifiquem as peculiaridades desses grupos específicos, bem como mais treinamento para profissionais de saúde que não são especializados em saúde mental, com o objetivo de fortalecer a prevenção e a detecção precoce.
A INDESEJADA SOLIDÃO AFETA 20% DAS PESSOAS
Tudo isso também está relacionado à solidão indesejada, uma situação que afeta 20% dos espanhóis, especialmente mulheres, jovens e pessoas com mais de 65 anos, e cujas "diversas causas" têm a ver com a falta de convivência, a precariedade, o isolamento devido ao cuidado ou a falta de apoio social ou familiar, conforme explicado pela Diretora de Relações Internacionais e Alianças da Fundação ONCE, Lourdes Márquez.
Para combater a solidão indesejada, Márquez defendeu a promoção de uma estratégia nacional contra a solidão, fortalecendo os serviços públicos por meio de uma abordagem preventiva e intergeracional, incentivando a prescrição social como uma alternativa à medicalização, promovendo o trabalho comunitário e a participação local e garantindo que as políticas públicas sejam "inclusivas" e coordenadas com a sociedade civil.
"A solidão não é um problema de cada pessoa, é um problema da sociedade", disse a diretora técnica de Bem-Estar Social, Benefícios e Voluntariado da Diretoria Geral da ONCE, María José Sánchez Lorenzo.
Depois disso, ela enfatizou que, embora a ação da administração seja necessária, ela também considerou que está nas "mãos" de cada pessoa mitigar a solidão indesejada, e aconselhou tentar socializar com os vizinhos ou não se fechar para conversar com pessoas no transporte público.
Por fim, a Secretária de Estado de Direitos Sociais, María Rosa Martínez Rodríguez, enfatizou que todas essas questões são uma "prioridade" para seu gabinete nesta legislatura, após o que ela lembrou que eles estão "muito próximos" de iniciar o processamento do projeto de lei para reformar as leis sobre deficiência e dependência.
Ela também falou sobre o processo de desenvolvimento da estrutura estratégica estadual para a solidão e sobre o trabalho conjunto com a Secretaria de Estado da Saúde para elaborar uma estrutura de referência estadual sobre coordenação social e de saúde.
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