Publicado 25/07/2026 12:15

Guterres denuncia na Síria as “violações constantes” do território por parte de Israel

O secretário-geral da ONU volta a lamentar que a composição atual do Conselho de Segurança impeça uma solução na região do Golã

25 de julho de 2026, Síria, Damasco: O ministro das Relações Exteriores da Síria, Asaad al-Shaibani, e o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, realizam uma coletiva de imprensa conjunta em Damasco. Foto: Mohammed Al-Rifai/dpa
Mohammed Al-Rifai/dpa

MADRID, 25 jul. (EUROPA PRESS) -

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, denunciou, durante sua visita histórica deste sábado à Síria, que Israel está cometendo “violações contínuas” à integridade territorial do país, ao mesmo tempo em que lamentou que a composição atual do Conselho de Segurança — no qual os Estados Unidos, aliados de Israel, mantêm o direito de veto — esteja impossibilitando uma solução para o conflito histórico nas Colinas do Golã.

Os Altos do Golã são um território que Israel tomou da Síria durante a Guerra dos Seis Dias (1967) e a Guerra do Yom Kippur (1973) e que anexou efetivamente em 1981, uma ação não reconhecida pela comunidade internacional.

Além disso, em dezembro de 2024, Israel violou o Acordo de Separação com a Síria ao entrar na parte dos Altos do Golã sob supervisão da ONU, aproveitando-se do colapso do regime de Bashar al Assad. O governo israelense justificou a medida por motivos de segurança, dada a incerteza do momento, mas continua sem se retirar, apesar da formação de um novo governo sob o comando do ex-líder jihadista Ahmed al Shara, reconhecido pelos Estados Unidos.

Guterres, na primeira visita de um secretário-geral da ONU à Síria desde 2009, insistiu que a posição da instituição internacional continua sendo “muito clara” contra “qualquer violação da integridade territorial” de qualquer país. As ações de Israel na Síria têm caráter “permanente”, em sua opinião. “As Colinas do Golã pertencem à Síria, e essa é uma posição que as Nações Unidas defendem sem qualquer tipo de restrição”.

Diante da situação, Guterres considerou que a comunidade internacional deve assumir “um papel mais proativo” diante de uma situação “intolerável” que “precisa acabar”.

Guterres, que não pode resolver essa crise “estalando os dedos”, apontou para o Conselho de Segurança. “Sejamos claros: aqui nos deparamos com uma dificuldade, pois o órgão que deveria tratar dessas questões é, de fato, o Conselho de Segurança, e o Conselho de Segurança apresenta divisões geopolíticas que são de conhecimento geral”.

O secretário-geral da ONU acrescentou outro problema no Conselho, que é sua “legitimidade”, pois “sua composição já não corresponde às realidades do mundo atual” e o uso do poder de veto “impediu, em muitas circunstâncias, as ações que seriam necessárias para garantir o respeito ao direito internacional”.

No entanto, Guterres declarou que não tem intenção de desistir dessa questão. “Não vamos desistir. E manteremos firmemente nossa posição e nossa defesa firme de que a comunidade internacional reconheça que o que é da Síria pertence à Síria, e ninguém pode tirar isso dela”, concluiu.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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