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MADRID, 8 ago. (EUROPA PRESS) -
O governo do Iêmen confirmou o início, nesta tarde, de uma nova ofensiva da insurgência huti contra a cidade de Marib, no oeste do país, capital da província homônima e reduto das forças iemenitas mais próximo da capital, Sanaa, há mais de uma década sob controle do movimento rebelde, aliado irredutível do Irã e elemento estratégico de grande importância no atual conflito na região.
“A milícia terrorista huti retomou o bombardeio de bairros civis na cidade de Marib com mísseis e drones”, anunciou o Exército do Iêmen nas redes sociais, enquanto o Ansarolá, o braço político do movimento huti, defendia as operações das últimas 72 horas como “medidas preventivas destinadas a frustrar os planos” do grande aliado do governo iemenita, a Arábia Saudita, especialmente em um acampamento militar na região.
“Reiteramos nosso conselho aos filhos do nosso país que foram enganados e ludibriados para que abandonem os acampamentos do inimigo saudita e retornem às suas regiões antes que seja tarde demais”, alertou na sexta-feira o porta-voz das forças huti, Yayha Sarea, “e pedimos que não se tornem combustível para entidades traidoras”, em referência ao governo de Áden, “que hipotecaram seu destino ao exterior enquanto traficam com eles e com seu sangue”.
Além dos bombardeios em Marib, há que acrescentar que onze pessoas ficaram feridas na região de Najrán, no sul da Arábia Saudita, após um ataque atribuído às milícias huti na última quinta-feira, o ápice de aproximadamente um mês de escalada da violência em um conflito que se acalmou nos últimos anos, mas que está longe de ter sido extinto, como demonstraram as crises recentes entre os separatistas do sul do país e o governo iemenita em Aden, unidos em uma frágil aliança contra os houthis
Em resposta, o Exército do Iêmen anunciou a realização de uma operação militar contra posições, efetivos e recursos dos rebeldes huti em vários pontos das linhas de contato, especialmente na cidade de Hodeida, sob controle dos insurgentes. Além disso, e segundo a radiotelevisão oficial do Irã, o chefe do Estado-Maior do Exército iemenita, o general Saghir bin Aziz, morreu em um dos ataques huti em Marib, embora, por enquanto, não haja confirmação oficial a esse respeito.
Diante dessa situação, o Conselho de Segurança das Nações Unidas manifestou nesta sexta-feira sua preocupação com o aumento das tensões no Iêmen e instou a evitar qualquer ação que possa colocar em risco os esforços diplomáticos para alcançar a paz ou que comprometa a segurança regional e internacional.
O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, alertou para o risco de uma retomada do conflito em grande escala no país, no que seria o momento de maior perigo desde a trégua promovida pela ONU em abril de 2022, devido principalmente às explosões de violência em Gaza e no Irã, que levaram os houthis a realizar ataques contra Israel e a navegação comercial como gesto de apoio à causa palestina e às autoridades iranianas.
Tudo isso ocorre em meio a uma das piores crises humanitárias do mundo. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) descrevem o Iêmen como um “ponto crítico”, comparável a outras situações humanitárias críticas, como as que prevalecem em Gaza ou no Sudão.
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) alertou nesta quinta-feira que “milhares de famílias” no Iêmen perderam “seus lares e o acesso a serviços básicos” devido a inundações, deslocamentos e dificuldades econômicas que continuam assolando o país, onde a previsão é de que “mais de 22 milhões de pessoas — cerca de metade delas mulheres e meninas — precisarão de assistência humanitária e proteção” em 2026.
A situação é tal que, segundo os números fornecidos pela própria OIM, “em 2026, mais de 22 milhões de pessoas — entre elas, 10,95 milhões de mulheres e meninas — precisarão de assistência humanitária e serviços de proteção”. “Essa população inclui 5,2 milhões de deslocados internos, 329 mil migrantes e 63 mil refugiados e requerentes de asilo”, precisou a organização.
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