MADRI 18 jun. (EUROPA PRESS) -
A empresa biofarmacêutica GSK apresentou nesta quarta-feira o documentário “Os últimos habitantes”, dirigido por Ander Duque e protagonizado por pacientes com mieloma múltiplo da Espanha rural e despovoada.
Segundo informações da empresa, a incidência do mieloma múltiplo é estimada entre 2,5 e 3,5 casos para cada 100.000 habitantes, o que significa que, a cada ano, são diagnosticados cerca de 3.700 novos casos em nosso país. Isso representa também 1,8% de todas as mortes por câncer.
Trata-se de um câncer hematológico pouco frequente que se origina nas células plasmáticas da medula óssea e que tem um impacto significativo tanto por sua gravidade quanto por seu caráter crônico e pelas sucessivas recidivas. Além disso, estima-se que, a cada ano, sejam diagnosticados em áreas rurais cerca de 580 novos casos, nos quais as dificuldades de acesso a recursos de saúde e as longas viagens podem agravar ainda mais o impacto da doença na vida cotidiana dos pacientes e de suas famílias.
Em “Os últimos habitantes”, Duque volta seu olhar para a chamada “Espanha esvaziada”, retratando como o despovoamento e a distância em relação aos serviços de saúde transformam cada deslocamento ao hospital, cada consulta médica e cada tratamento em um desafio extraordinário.
Por meio de depoimentos reais e de uma narrativa sensível, o documentário mostra a vida daqueles que residem em pequenos municípios distantes dos grandes centros urbanos, enfrentando não apenas a doença, mas também o isolamento e o desafio logístico e familiar que muitas vezes representam as idas ao médico.
Durante a apresentação do documentário, realizada no Palácio da Imprensa, em Madri, destacou-se a necessidade de dar visibilidade ao impacto de conviver com uma doença complexa em áreas rurais, onde o acesso à assistência médica especializada pode se tornar um desafio adicional ao próprio diagnóstico.
Segundo Duque, “este documentário fala de pessoas que vivem longe de quase tudo, mas muito perto do essencial”. “Queríamos mostrar como uma doença como o mieloma múltiplo não apenas transforma a vida de quem a sofre, mas também sua relação com o entorno, com o tempo e com a distância”, destacou.
Na mesma linha, o diretor explicou como, em muitas cidades pequenas, ir ao hospital não é apenas uma consulta médica, mas “se torna um espelho que amplifica uma realidade mais ampla”. “Muitos pacientes, mesmo morando perto de centros hospitalares, experimentam uma sensação de isolamento semelhante: a doença redefine suas rotinas, seus relacionamentos e sua maneira de viver o mundo”, refletiu.
Embora a obra parta de um contexto geográfico específico, ela propõe uma reflexão universal sobre a distância emocional, social e vital vivida por muitas pessoas com doenças crônicas ou complexas.
Durante o colóquio após a exibição do mediometraje, foram abordadas questões relacionadas à saúde e à doença na Espanha rural, bem como o impacto emocional, social e logístico do mieloma múltiplo na vida das pessoas afetadas e de seu entorno.
Conforme mostrado no documentário, algumas pessoas afetadas precisam se deslocar mais de 70 quilômetros para receber tratamento ou comparecer a consultas médicas. Uma situação que afeta especialmente os idosos, que muitas vezes dependem de seus filhos ou de outros familiares para poder realizar esses deslocamentos.
A hematologista do Hospital Universitário de Salamanca e participante do documentário, Noemí Puig, destacou no colóquio após a estreia do filme que “essa doença obriga muitos pacientes a conviver com tratamentos prolongados e um acompanhamento médico constante”. “Quando a isso se somam a distância geográfica e a falta de recursos próximos, o impacto na qualidade de vida pode ser enorme. Este documentário ajuda a dar visibilidade a uma parte muito importante dessa realidade”, afirmou ela.
Na apresentação, os participantes concordaram que essa história não trata apenas de um território físico, mas de uma experiência vivida por muitas pessoas com mieloma, inclusive em contextos urbanos. Assim, Tibisay, paciente e participante do documentário, afirma que, no momento do diagnóstico, pensou em seus filhos e sentiu “muito medo”.
“Quando você ouve a palavra câncer, tudo de pior vem à sua cabeça. Mas, com o tempo, você aprende a conviver com a doença e a valorizar coisas que antes considerava naturais. Com o passar do tempo, você também percebe o carinho que recebe e a importância das pessoas que estão ao seu redor. Depois de tantos anos de tratamento e exames, você aprende a seguir em frente”, enfatizou.
COMPROMISSO ALÉM DO ÂMBITO TERAPÊUTICO
Para encerrar, a presidente da GSK Espanha, Florencia Davel, explicou que a empresa tem “um compromisso que vai além do desenvolvimento de inovações terapêuticas”.
“Trabalhamos também para contribuir com a melhoria da qualidade de vida dos pacientes e de suas famílias, e este documentário nos permite dar visibilidade a uma realidade que muitas vezes permanece em silêncio, como é a das pessoas que vivem com mieloma múltiplo em áreas rurais, e nos convida a refletir sobre a importância de acompanhá-las e atender às suas necessidades, independentemente de onde morem”, acrescentou.
O colóquio de apresentação de “Os últimos habitantes” foi moderado pela jornalista Helena Resano e contou ainda com a presença da especialista em hematologia e responsável pela unidade de mieloma do Hospital Universitário de Salamanca, María Victoria Mateos, e da presidente da Comunidade Espanhola de Pacientes com Mieloma Múltiplo, Teresa Regueiro, que quiseram demonstrar seu apoio ao projeto e às pessoas com essa doença.
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