O anticorpo conjugado já está disponível na Espanha
MADRI, 15 set. (EUROPA PRESS) -
A diretora médica da empresa biofarmacêutica GSK, a Dra. Leticia de Luján, anunciou a disponibilidade na Espanha do medicamento “Blenrep”, cujo princípio ativo é o belantamab mafodotina e que constitui o primeiro anticorpo conjugado (ADC, na sigla em inglês) anti-BCMA em combinação para o tratamento de pacientes adultos com mieloma múltiplo a partir da primeira recidiva.
“Quase podemos dizer que estamos conseguindo transformar em uma doença crônica o que antes tinha um prognóstico ruim”, afirmou ela em relação ao medicamento, que está disponível no país desde 1º de agosto, em associação com bortezomibe mais dexametasona em pacientes que receberam pelo menos um tratamento prévio, e em combinação com pomalidomida mais dexametasona naqueles que tenham sido tratados com pelo menos uma terapia prévia que inclua lenalidomida.
A chefe da Unidade do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário de Salamanca, a doutora Victoria Mateos, afirmou, a respeito do “Blenrep”, que os médicos estão “felizes” com sua chegada, sendo os pacientes “os mais afortunados”, uma vez que “têm uma nova possibilidade de tratamento” para “o segundo câncer mais comum no sangue”.
Para explicar seu mecanismo de ação, ela primeiro aprofundou a discussão sobre a doença, que tem origem nas células plasmáticas, as quais se encontram na medula óssea e, “em condições normais”, produzem anticorpos e “protegem contra agressões externas”. “Nos pacientes, elas se tornam malignas e costumam estar presentes em grande quantidade”, produzindo apenas um anticorpo que “não funciona normalmente”, afirmou.
ANEMIA E LESÕES NOS OSSOS
O funcionamento anormal das células “resulta em anemia em mais de 80% dos pacientes com mieloma”, continuou ele, acrescentando que “lesões ósseas também estão presentes em mais de 70% a 80% dos pacientes”. Às vezes, ocorrem “verdadeiras fraturas”, indicou ele, ao mesmo tempo em que considera “menos frequentes” outras consequências, como “lesões renais ou insuficiência renal”.
Após explicar que há “entre três e quatro pacientes por cada 100.000 habitantes por ano”, com “mais de 3.000 novos casos na Espanha”, ele destacou que é difícil estimar o número de pessoas que sofrem da doença atualmente no país, “mas está aumentando”. De qualquer forma, ele comemorou o fato de que cada vez se sabe mais sobre a biologia da doença, o que resultou na chegada de “muitas inovações”, pois “nos últimos 20 anos, passou-se de uma sobrevida de três anos para, atualmente, poder oferecer sobrevidas comparáveis à expectativa de vida”.
Assim, em uma doença na qual “a idade média está acima de 65 anos”, Mateos destacou que, uma vez que ocorre a primeira recidiva — precedida por três tipos de tratamentos “muito eficazes” —, agora é atendida uma “necessidade médica” ao substituir a repetição desses compostos — porém de segunda geração — pela nova terapia com mecanismos de ação inovadores “com alvos diferentes”.
Especificamente, o anti-BCMA “Blenrep” atua “de maneira consistente e bastante específica” sobre a proteína, por isso é um mecanismo “único” ao se ligar a ela e liberar uma substância citotóxica “que destrói as células plasmáticas”, explicou ele, ressaltando que “é como um cavalo de Tróia”. Além disso, ele afirmou que o medicamento apresenta “efeitos colaterais que ajudam a melhorar a resposta”, já que tem “efeito sobre o sistema imunológico para potencializar a destruição tumoral”.
BENEFÍCIO SIGNIFICATIVO
No entanto, ele destacou que o medicamento traz “um benefício significativo” na sobrevida livre de progressão, bem como na sobrevida global, e permite levar em consideração “a preferência do paciente” e “seu estilo de vida”. Isso porque é “prático” de administrar, já que é oferecido “na clínica de dia por via intravenosa”, com duração de “não mais do que 30 minutos” e sem exigir “internação, pré-medicação ou tratamento de suporte”, ressaltou, acrescentando que “o paciente pode comparecer a cada oito semanas”.
Sobre isso, também se pronunciou o adjunto do Serviço de Farmácia Hospitalar do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón, de Madri, o Dr. Vicente Escudero, que destacou esse “momento tão especial” devido às diferentes opções de tratamento disponíveis, que permitem “levar em conta as características da doença, quais toxicidades o paciente apresentou” e “quais tratamentos recebeu e as características da pessoa”, entre outros aspectos.
“Essa diversidade dificulta muito a tomada de decisões”, reconheceu ele, por isso defendeu que “é importante o trabalho conjunto das equipes multidisciplinares lideradas pela Hematologia”. Agora, os profissionais das diferentes especialidades têm à disposição o ‘Blenrep’, que pode ser administrado “em qualquer hospital da Espanha” e apresenta “efeitos colaterais muito controláveis”, indicou, por sua vez, De Luján.
Dessa forma, observou-se nos ensaios clínicos sobre esse ADC que ele atua sobre o antígeno de maturação das células B; esses ensaios foram o ‘DREAMM-7’ e o ‘DREAMM-8’, ambos na Fase 3. O primeiro contou com quase 500 pacientes, enquanto o segundo contou com a participação de mais de 300.
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