Publicado 20/01/2026 10:13

A gravidade do AVC é condicionada pela hora do dia em que ocorre, de acordo com um estudo

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GETTY IMAGES/ISTOCKPHOTO / STOCKDEVIL - Arquivo

MADRID 20 jan. (EUROPA PRESS) -

A hora do dia em que ocorre o AVC condiciona sua gravidade e a recuperação do paciente, de acordo com um estudo liderado por pesquisadores do Centro Nacional de Investigaciones Cardiovasculares (CNIC), que revela descobertas sobre a regulação exercida pelo relógio biológico interno nos neutrófilos, células imunes que podem agravar a lesão isquêmica ao se infiltrarem no cérebro.

O AVC isquêmico é uma das principais causas de morte e incapacidade no mundo. Apesar dos avanços no tratamento agudo, a evolução dos pacientes continua sendo muito variável, o que indica a existência de mecanismos biológicos ainda pouco compreendidos. Este trabalho, publicado na revista Circulation Research, identifica a regulação circadiana da resposta imunológica como um deles.

A pesquisadora principal do projeto e diretora do Laboratório de Fisiopatologia Neurovascular do CNIC, María Ángeles Moro, explicou que essas mudanças influenciam diretamente a circulação colateral, a perfusão cerebral e a extensão do dano após a interrupção do fluxo sanguíneo, por meio de processos de imunotrombose.

“Nossos resultados mostram que o AVC não é um evento biologicamente homogêneo: o estado do sistema imunológico no momento em que ocorre pode determinar diferenças importantes na gravidade e na recuperação”, destacou. Para chegar a essas conclusões, a equipe de pesquisa trabalhou com modelos experimentais em ratos e dados clínicos de mais de 500 pacientes. Assim, descobriu que, em determinadas fases do dia, os neutrófilos adotam um perfil mais pró-inflamatório e liberam com maior intensidade armadilhas extracelulares de neutrófilos (NETs), estruturas que podem obstruir a microcirculação cerebral, causar imunotrombose e agravar a lesão.

Assim, quando os neutrófilos liberam mais NETs, a circulação nos pequenos vasos é comprometida e o dano cerebral é maior, conforme detalhou a pesquisadora do CNIC Sandra Vázquez-Reyes, atualmente no Hospital Geral de Massachusetts, afiliado à Faculdade de Medicina de Harvard (Estados Unidos).

Por outro lado, em outras fases do ciclo circadiano, os neutrófilos apresentam um comportamento menos prejudicial, o que permite uma melhor perfusão e limita a progressão do AVC. “Isso ajuda a entender por que pacientes com características clínicas semelhantes podem evoluir de maneira muito diferente”, destacou a pesquisadora da Universidade Complutense de Madri, Alicia García-Culebras.

O estudo introduz o conceito de inflamação vascular regulada pelo relógio circadiano e confirma que esses mecanismos também estão presentes em pacientes com AVC. “Os marcadores inflamatórios e de atividade dos neutrófilos no sangue seguem ritmos diários e estão associados tanto à gravidade do AVC quanto à qualidade da circulação colateral”, apontaram o pesquisador do Instituto de Pesquisa em Saúde do Hospital 12 de Outubro (i+12) e da Faculdade de Medicina da UCM, Ignacio Lizasoain, e a neurologista da Unidade de AVC do Serviço de Neurologia do mesmo hospital, Patricia Calleja. Os autores concluíram que levar em consideração a hora do dia e a regulação circadiana do sistema imunológico poderia melhorar a eficácia de futuras terapias, abrindo caminho para estratégias de cronoterapia mais precisas. Além disso, o uso de biomarcadores sanguíneos específicos relacionados à imunotrombose poderia permitir uma medicina personalizada baseada tanto nas características do paciente quanto no momento biológico em que ocorre o AVC.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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