Publicado 30/04/2025 05:27

Grandes áreas agrícolas próximas a Chernobyl tornaram-se seguras novamente

Campo de teste de Mezhiliska e localização dos pontos de amostragem de solo. Imagem do Google Earth.
JOURNAL OF ENVIRONMENTAL RADIOACTIVITY (2025)

MADRID, 30 abr. (EUROPA PRESS) -

Milhares de hectares de terras agrícolas afetadas por Chernobyl, consideradas perigosas demais para o cultivo no norte da Ucrânia, podem voltar a produzir com segurança.

Um estudo, liderado pela Universidade de Portsmouth e pelo Instituto Ucraniano de Radiologia Agrícola, desenvolveu um método para a reavaliação segura de terras agrícolas abandonadas após o acidente nuclear de 1986.

Publicada no Journal of Environmental Radioactivity, a pesquisa abre as portas para a possível recuperação de grandes extensões de terra para uso agrícola, terras que foram oficialmente proibidas por mais de três décadas devido à contaminação radioativa.

Desde o desastre de Chernobyl, grande parte do norte da Ucrânia foi declarada perigosa demais para a agricultura. A "Zona de Exclusão de Chernobyl", de 4.200 quilômetros quadrados, que circunda a usina nuclear, permanece desabitada e agora é uma das maiores reservas naturais da Europa.

ZONA DE REASSENTAMENTO

Uma segunda área de 2.000 quilômetros quadrados, a "Zona de Reassentamento Obrigatório", nunca foi completamente abandonada. A área é o lar de milhares de pessoas, com escolas e lojas, mas nenhum investimento ou uso oficial da terra é permitido.

Desde a década de 1990, cientistas ucranianos e estrangeiros afirmam que a terra pode ser reutilizada com segurança, apesar da contaminação por radiocaesium e radiostrontium. Entretanto, as complexidades políticas fizeram com que a terra permanecesse oficialmente abandonada. Isso não impediu que alguns fazendeiros fizessem justiça com as próprias mãos e iniciassem a produção não oficial em algumas áreas. O novo estudo confirmou que os agricultores estavam certos: as plantações podem ser feitas com segurança na maioria das áreas.

Usando um campo de teste de 100 hectares na região de Zhytomyr, os pesquisadores desenvolveram um protocolo simples, mas robusto, para avaliar os níveis de contaminação e prever a absorção de substâncias radioativas por culturas comuns, como batatas, cereais, milho e girassóis.

Analisando amostras de solo e medindo a radiação gama externa, os pesquisadores confirmaram que a dose de radiação efetiva para os trabalhadores agrícolas está bem abaixo do limite de segurança nacional da Ucrânia e é significativamente menor do que os níveis de radiação de fundo experimentados naturalmente em todo o mundo.

As descobertas demonstram que, com o monitoramento adequado e a conformidade com as normas de segurança alimentar da Ucrânia, muitas culturas podem ser cultivadas com segurança nessas áreas anteriormente restritas.

INFORMAÇÃO ERRADA

O professor Jim Smith, da Universidade de Portsmouth, foi o principal autor do estudo. Smith disse em um comunicado: "Esta pesquisa é importante para as comunidades afetadas pelo desastre de Chernobyl. Desde 1986, tem havido muita desinformação sobre os riscos da radiação de Chernobyl, o que tem afetado negativamente as pessoas que ainda vivem em áreas abandonadas. Agora temos uma abordagem validada e baseada na ciência para trazer valiosas terras agrícolas de volta à produção formal, ao mesmo tempo em que demonstramos segurança para consumidores e trabalhadores.

A equipe espera que esse protocolo sirva de modelo para outras regiões do mundo que enfrentam contaminação radioativa de longo prazo. Com uma implementação cuidadosa e o envolvimento da comunidade, os pesquisadores acreditam que a Ucrânia poderia recuperar com segurança até 20.000 hectares de terras agrícolas, contribuindo para a segurança alimentar e o desenvolvimento rural.

"Não se trata apenas de Chernobyl", disse o professor Smith. "Trata-se de aplicar a ciência e as evidências para garantir que as pessoas sejam protegidas e, ao mesmo tempo, garantir que a terra não seja desnecessariamente desperdiçada."

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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