Publicado 19/05/2026 09:08

O governo aprova a Estratégia Deep Tech: “As tecnologias de ponta são ficção científica até se tornarem realidade”

(da esquerda para a direita) O ministro da Cultura, Ernest Urtasun; a ministra da Inclusão, Previdência Social e Migração e porta-voz do Governo, Elma Saiz; e a ministra da Ciência, Inovação e Universidades, Diana Morant; durante a coletiva de imprensa ap
Isa Saiz - Europa Press

Mobilizará mais de 8 bilhões de euros até 2030 para transformar as altas capacidades científicas da Espanha em liderança tecnológica

MADRID, 19 maio (EUROPA PRESS) -

O Governo aprovou nesta terça-feira a Estratégia Deep Tech 2026-2030, por iniciativa do Ministério da Ciência, Inovação e Universidades (MICIU) e do Ministério da Transformação Digital e da Função Pública, dotada de 8 bilhões de euros, com o objetivo de transformar as altas capacidades científicas da Espanha em liderança tecnológica.

“As Deep Tech são tecnologias que nascem de décadas de pesquisa científica e que transformam profundamente nossa vida cotidiana. Para nos entendermos com uma linguagem muito simples: as tecnologias profundas são ficção científica até que sejam desenvolvidas e se tornem ciência e realidade”, explicou a ministra da Ciência, Inovação e Universidades, Diana Morant, na coletiva de imprensa após o Conselho de Ministros.

Assim, entre outros exemplos, ela destacou que “a Internet era tecnologia profunda até ser descoberta e passar a existir. Os celulares eram tecnologia profunda. O 5G foi tecnologia profunda”. “Ou seja, são aquelas aspirações de desenvolvimentos científicos e tecnológicos que podem causar um grande impacto na sociedade e que, portanto, precisam de um apoio extraordinário. Porque, por serem tão ambiciosas, precisam de mais tempo de maturação, mais investimento, mais risco”, precisou.

Como lamentou Morant, “muitas vezes essas ideias dos cientistas são apoiadas”, mas outras vezes, “as tecnologias ficam na gaveta e passam pelo que os cientistas chamam de vale da morte, ou seja, desaparecem”. Nesse ponto, ele destacou que a Espanha tem “a capacidade de acompanhar esses anseios científicos”.

“Essa estratégia representa uma aposta decidida em tecnologias de ponta com um enorme potencial transformador, como a inteligência artificial, a biotecnologia, as tecnologias quânticas ou a computação avançada. Com este roteiro, o Governo busca reforçar o ecossistema científico e tecnológico em nosso país e, ao mesmo tempo, pretendemos atrair talentos e investimentos e colocar a Espanha na vanguarda", acrescentou, por sua vez, a ministra porta-voz, Elma Saiz.

A Estratégia é fruto da colaboração de 13 ministérios e, embora se concentre nas ações da Administração Geral do Estado, seu desenvolvimento requer uma estreita coordenação com as comunidades autônomas, universidades, centros de pesquisa, centros tecnológicos e empresas, bem como com a União Europeia, segundo o Ministério da Ciência.

A Estratégia se concentrará em dez áreas estratégicas: Biotecnologia e saúde; Tecnologias para a sustentabilidade e energias limpas; Tecnologias de Inteligência Artificial e de dados; Tecnologias avançadas de semicondutores; Conectividade avançada, navegação e tecnologias digitais; Robótica e sistemas autônomos; Materiais avançados, manufatura e reciclagem; Tecnologias de detecção avançadas; Tecnologias quânticas e Tecnologias espaciais e de propulsão.

O QUE SÃO AS TECNOLOGIAS PROFUNDAS?

Morant explicou que as tecnologias profundas não são apenas aquelas concebidas como tecnologia ou aparelhos eletrônicos. “Para nós, uma tecnologia é, por exemplo, as terapias CAR-T, que são as que hoje estão curando a leucemia na Espanha. Ou seja, toda solução tecnológica inovadora que provém do desenvolvimento científico é considerada tecnologia profunda”, acrescentou.

Nesse sentido, ele também fez referência à biotecnologia e à saúde, sem esquecer as tecnologias para a sustentabilidade e as energias limpas, bem como a inteligência artificial, a conectividade avançada ou “as tecnologias digitais, a robótica, os materiais avançados, as tecnologias de detecção avançada, as tecnologias quânticas, as tecnologias espaciais e de propulsão”, entre outras, e destacou o impulso dado pelo governo de Pedro Sánchez.

“Já estamos, em muitos casos, liderando setores e desenvolvimentos dessas tecnologias, como, por exemplo, o das energias limpas”, precisou, reiterando que a Espanha “continuará apostando na ciência, na inovação, para essa transformação do mercado de trabalho e do mercado econômico, dos setores produtivos”.

Morant indicou que a Estratégia gira em torno de três eixos. Assim, o primeiro consiste em “continuar reforçando a atividade científica e tecnológica, as capacidades científicas e tecnológicas, impulsionando infraestruturas científicas multimilionárias na Espanha”.

Nesse ponto, ela fez alusão ao IFMIF-DONES de Granada, “que está estudando materiais possíveis para um reator de fusão, que é a energia que existe dentro das estrelas”. “Hoje em dia, isso é ficção científica, isso é Deep Tech”, precisou Morant.

Também citou como tecnologia profunda o CIIAE (Centro Ibérico de Investigação em Armazenamento Energético) em Cáceres, o Spain Neurotech ou Centro Nacional de Neurotecnologia, ou o acelerador de hadroterapia de Valência, que tornará a Espanha em “um dos três países da Europa que vai desenvolver essa tecnologia”.

MAIS DE 80% DOS FUNDOS SERÃO DESTINADOS ÀS EMPRESAS

O segundo eixo da Estratégia passará por “apoiar empresas inovadoras que queiram entrar no desenvolvimento de tecnologias profundas”, segundo Morant, que destacou que “80% da estratégia” será destinado a essa área.

Sobre sua tipologia, ele detalhou que se trata de “empresas que surgiram do sistema público de ciência, principalmente das universidades públicas do país, e que estão recebendo apoio do governo da Espanha para o desenvolvimento de suas tecnologias”. Para isso, elas contarão com “instrumentos de investimento direto que já existem e alguns que serão desenvolvidos”.

Como exemplo, destacam-se o programa Deep Start, dotado inicialmente com 353 milhões de euros para impulsionar o investimento especializado em Deep Tech. No âmbito deste programa, o MICIU, por meio do Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação (CDTI), formalizou com o Fundo Europeu de Investimentos (FEI) um investimento de 74,7 milhões de euros no fundo Asabys Innvierte Tech Transfer.

“O objetivo é que o talento científico existente em nossas universidades, hospitais e centros de pesquisa se transforme em novos tratamentos, diagnósticos mais rápidos e maior bem-estar para a população”, explicou a ministra.

Morant também se referiu ao novo projeto WISER, impulsionado pelo Centro de Pesquisas Energéticas, Ambientais e Tecnológicas (CIEMAT), o Centro para o Desenvolvimento Tecnológico e a Inovação (CDTI) e a empresa Técnicas Reunidas, com um investimento previsto de 500 milhões de euros para colocar a Espanha na vanguarda do desenvolvimento da fusão nuclear, a mesma energia que alimenta as estrelas no cosmos, aplicada na Terra.

Sobre o terceiro eixo, a ministra adiantou que se vai “reforçar a coordenação entre as administrações, eliminar barreiras burocráticas e criar ambientes regulatórios que permitam testar novas tecnologias de forma segura e ágil.

“Quero lembrar que um em cada cinco novos empregos em nosso país foi criado precisamente nos setores relacionados à ciência e à inovação. Essa aposta torna nosso país mais produtivo e mais competitivo”, argumentou.

Esta notícia foi traduzida por um tradutor automático

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